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Sacre Investimentos
Mundo
04/06/2026
3 min

CEO é preso em mansão de R$ 175 milhões nos EUA por suspeita de envio de tecnologia ao Irã

CEO é preso em mansão de R$ 175 milhões nos EUA por suspeita de envio de tecnologia ao Irã

A prisão do empresário Jamshid Ghomi, de 63 anos, na Califórnia, revelou uma investigação que o acusa de usar sua empresa de tecnologia para contornar sanções dos Estados Unidos e enviar equipamentos sensíveis ao Irã, incluindo itens ligados a redes de computadores e sistemas de criptografia.

Segundo autoridades americanas, o caso envolve também lavagem de dinheiro e movimentações financeiras internacionais usadas para sustentar operações comerciais e patrimônio pessoal no país.

A prisão ocorre em meio ao aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã. Washington acusa o governo iraniano de tentar avançar no desenvolvimento de capacidades nucleares militares, enquanto Teerã nega a intenção de produzir armas atômicas.

Nesse cenário, autoridades americanas afirmam que o caso de Ghomi faz parte de um esforço mais amplo para coibir redes internacionais de evasão de sanções e comércio ilegal de tecnologia sensível.

Quem é o empresário

Ghomi tem dupla nacionalidade, americana e iraniana, e é CEO da Faraz Pardaz Rayaneh (FPR), empresa de tecnologia sediada em Teerã. Ele foi preso em sua residência em Newport Coast, na região de Los Angeles, onde vivia em uma mansão avaliada em cerca de US$ 35 milhões (cerca de R$ 175 milhões).

Como a investigação se desenrola

As autoridades americanas afirmam que, ao longo dos anos, Ghomi teria estruturado um esquema para adquirir equipamentos de tecnologia nos Estados Unidos e enviá-los ao Irã por meio de intermediários em países como Emirados Árabes Unidos. Entre 2014 e 2018, investigadores apontam o envio de mais de 250 toneladas de equipamentos de rede para o país.

Nesse mesmo período, segundo o Departamento de Justiça, sua empresa passou a fornecer tecnologia tanto ao Ministério da Defesa e Logística das Forças Armadas do Irã quanto à Organização de Energia Atômica do Irã, responsável por parte do programa nuclear iraniano. As operações teriam se estendido por anos, entre 2014 e 2023, em meio às sanções impostas pelos Estados Unidos ao país.

Paralelamente, os investigadores identificam que Ghomi teria realizado mais de 400 compras fracionadas de equipamentos em plataformas como eBay e PayPal, prática que, segundo a acusação, teria sido usada para evitar controles de exportação. Esses produtos também eram encaminhados ao Irã por intermediários no exterior.

Movimentação financeira e uso de recursos

A investigação também aponta que o empresário teria movimentado mais de US$ 15 milhões em operações financeiras consideradas irregulares. O dinheiro teria transitado por países como Hong Kong, Turquia, Ilhas Virgens Britânicas e Emirados Árabes Unidos antes de retornar aos Estados Unidos.

De acordo com os promotores, parte desses recursos teria sido utilizada na construção de sua residência de luxo em Newport Coast. O empresário teria declarado os valores à Receita americana como “herança estrangeira”, apesar de registros fiscais indicarem baixa renda no período.

Prisão e acusações formais

Ghomi foi preso durante uma operação em sua casa na Califórnia e posteriormente apresentado à Justiça, onde não declarou culpa ou inocência. A próxima audiência foi marcada para julho.

Ele é acusado de conspiração para violar a legislação americana de poderes econômicos de emergência, usada para aplicar sanções internacionais, além de lavagem de dinheiro. Se condenado, pode pegar até 20 anos de prisão.

AutorRebecca Crepaldi
FonteExame
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