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Sacre Investimentos
Mundo
25/08/2026
5 min

Chefe da CIA visita Moscou pela 1ª vez desde o início da guerra na Ucrânia, diz mídia

A visita não foi divulgada oficialmente; o diretor da espionagem dos Estados Unidos permaneceu na capital russa por oito horas

Chefe da CIA visita Moscou pela 1ª vez desde o início da guerra na Ucrânia, diz mídia

O chefe da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), John Ratcliffe, fez uma visita não-divulgada oficialmente a Moscou nesta terça-feira, 25, de acordo com fontes ouvidas pela mídia norte-americana. O diretor da espionagem dos Estados Unidos permaneceu na capital russa por oito horas, segundo dados aéreos do serviço FlightRadar24.

Essa é a primeira visita de um chefe da Agência desde novembro de 2021, quando William J. Burns foi enviado pelo então presidente Joe Biden para avisar ao Kremlin que os EUA estavam monitorando a concentração de tropas russas na fronteira com a Ucrânia. Desde 2022, quando começou a guerra entre Rússia e Ucrânia, nenhum representante da CIA retornou ao solo russo.

Nos últimos meses, ospaíses do Leste Europeu têm conduzido um recrudescimento em sua estratégia militar, com maior número de bombardeios e ataques a grandes cidades. Em contrapartida, o governo do presidente americano Donald Trump tem buscado promover um acordo de paz entre os combatentes, mas até o momento as negociações entre Rússia e Ucrânia não avançaram em direção ao fim do conflito.

A visita de Ratcliffe ocorre em um momento de retomada de contatos de alto nível entre Washington e Moscou, embora ainda não haja informações de que a viagem esteja diretamente ligada a uma nova rodada de negociações de paz.

Visita da CIA à Rússia

Ratcliffe teria viajado a Moscou a bordo de um avião militar C-17A, que partiu da base aérea de Andrews, nos arredores de Washington, fez uma escala em Riga, na Letônia, e depois seguiu para a capital russa. O avião deixou Moscou no mesmo dia e retornou a Riga pouco antes das 17h, segundo dados do FlightRadar24.

A viagem não foi anunciada previamente e não está claro com quem Ratcliffe se encontrou ou qual foi o objetivo das conversas, de acordo com o New York Times. A CIA não comentou a visita, enquanto o Kremlin também não confirmou os encontros.

O porta-voz do governo russo, Dmitri Peskov, havia afirmado que não tinha informações sobre o avião e que não estavam previstas reuniões no Kremlin naquela semana com representantes do governo americano. A declaração ocorreu antes de a viagem de Ratcliffe ser divulgada pela imprensa dos Estados Unidos.

Uma das possibilidades levantadas por especialistas é que a visita tenha relação com a gestão da escalada das tensões entre os países.

O ex-adido militar britânico em Moscou John Foreman afirmou à BBC que os Estados Unidos dificilmente enviariam um funcionário de tão alto escalão à Rússia de forma repentina sem que houvesse algum assunto relevante em discussão.

A CIA também tem participado de negociações envolvendo americanos detidos em prisões russas. Entre eles está Stephen Hubbard, de 74 anos, ex-professor detido desde abril de 2022 e condenado a seis anos e dez meses de prisão sob acusação de ter se juntado às forças militares ucranianas. O Departamento de Estado americano considera Hubbard detido injustamente.

No início deste mês, a Rússia libertou Robert Gilman, ex-fuzileiro naval americano que passou mais de quatro anos preso no país. Ratcliffe também participou de negociações que levaram à libertação da cidadã russo-americana Ksenia Karelina, presa por mais de um ano sob acusação de apoiar a Ucrânia.

Tensões novas na União Europeia

A visita ocorre vinte dias depois de um explosivo ser encontrado próximo a um avião de carga ucraniano no aeroporto de Leipzig, na Alemanha. O episódio levantou especulações sobre uma possível relação entre a atividade de drones e a Rússia, segundo avaliação citada pela BBC.

John Foreman disse à BBC que o contexto pode ajudar a explicar a viagem de Ratcliffe e uma possível preocupação americana com o espalhamento do conflito pela Europa. O especialista afirmou que as conversas poderiam ter como foco justamente a tentativa de evitar que novos episódios desse tipo levassem a uma escalada maior.

Governo Trump tenta emplacar acordo de paz

O enviado especial de Trump, Steve Witkoff, tem liderado as negociações com Moscou em nome do governo americano, enquanto Ratcliffe foi incluído no ano passado na equipe responsável por tratar das conversas destinadas a encerrar a guerra.

Apesar dos esforços diplomáticos, as negociações entre Rússia e Ucrânia estão travadas. A guerra entrou em uma fase de desgaste prolongado, com altos custos humanos para os dois lados.

O avanço russo no leste da Ucrânia perdeu ritmo, mas Moscou ainda mantém ganhos territoriais. Ao mesmo tempo, a Ucrânia utiliza drones de tecnologia avançada tanto contra tropas russas quanto para atingir alvos dentro do território da Rússia. Segundo o New York Times, porém, esses ataques não alteraram o cálculo do presidente Vladimir Putin nem foram suficientes para interromper completamente o avanço russo.

Diplomatas europeus avaliam que pode surgir uma nova oportunidade para uma ofensiva diplomática no outono ou inverno do hemisfério norte. Ainda assim, não está claro quanto o governo Trump pretende concentrar seus esforços na guerra da Ucrânia diante das disputas envolvendo o Oriente Médio e o Irã.

AutorPaloma Lazzaro
FonteExame
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