Chefe de gabinete de Milei renuncia após compra suspeita no Mercado Livre

Manuel Adorni, chefe de gabinete do governo do presidente argentino, Javier Milei, renunciou ao cargo neste sábado (27). Há meses, ele era alvo de suspeitas de corrupção por ter ocultado patrimônio e realizado negócios incompatíveis com sua renda. Há duas semanas, ele admitiu ter omitido US$ 500 mil em suas declarações de bens.
A gota d'água veio na sexta-feira, 26. Adorni ficou no centro de uma nova polêmica depois que vieram à tona supostas compras de equipamentos para videogames feitas a partir de sua conta pessoal no site Mercado Livre, utilizando cartões de crédito pertencentes a dois funcionários que trabalhavam sob sua supervisão na estrutura da Assessoria de Imprensa Presidencial.
"Os intermináveis ataques da mídia que tenho suportado me levaram a pedir que, desta vez, eu possa encerrar este ciclo, com o objetivo de proteger a mim e à minha família", escreveu Adorni, que nega qualquer ato de corrupção, em uma carta a Milei publicada na rede social X.
Manuel Adorni, que renunciou ao posto de chefe de gabinete de Milei (Luis Robayo/AFP)
Crise há 3 meses
O agora ex-ministro, de 46 anos, uma das figuras mais próximas do presidente, está há mais de três meses no centro de uma crise provocada por revelações sobre a compra de imóveis e viagens de alto custo após sua chegada ao serviço público, em dezembro de 2023.
A Justiça, a oposição e aliados do governo exigem esclarecimentos sobre a origem do dinheiro, depois que o ex-funcionário reconheceu, há duas semanas, ter omitido meio milhão de dólares em suas declarações patrimoniais.
Na ocasião, Adorni afirmou que cometeu um erro ao deixar de declarar o valor. "Vou pagar até o último imposto que me couber pagar", disse, atribuindo o dinheiro a investimentos em criptomoedas realizados entre 2014 e 2018.
Na semana passada, Adorni já havia deixado a função de porta-voz presidencial, cargo que exercia informalmente.
Até este sábado, Milei se empenhou em defender Adorni e mantê-lo no cargo, apesar de o escândalo crescente ter acarretado uma queda na imagem do governo, disputas internas e certa paralisia no gabinete ministerial.
“Sou um simples cidadão que um dia quis colaborar com um projeto que está colocando a Argentina no topo do mundo, um cidadão comum, com uma vida que não é nem mais nem menos do que a que sempre tive. Infelizmente, nem todos querem o que nós queremos, senhor presidente”, escreveu Adorni, que afirmou ter sido “tratado como criminoso e corrupto, sem um único fato de corrupção” em seu histórico.
A irmã do presidente e secretária da Presidência, Karina Milei, respondeu em publicação no X: "Sabemos do difícil – e imerecido – momento que você e sua família vêm enfrentando há meses e respeitamos sua decisão".
Com AFP e EFE.
