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Sacre Investimentos
Inteligência ArtificialBDR
16/07/2026
4 min

Chefes da OpenAI, Anthropic e DeepMind pedem regulação urgente da IA

Chefes da OpenAI, Anthropic e DeepMind pedem regulação urgente da IA

Depois de fundarem as maiores empresas de inteligência artificial (IA) do mundo, os magnatas da tecnologia querem, agora, que ela seja regulada.

Nas últimas semanas, Sam Altman, da OpenAI, DemisHassabis, daGoogle DeepMind, e Dario Amodei, da Anthropic, têm falado sobre o potencial tanto positivo quanto negativo da IA — e sobre como o mundo será profundamente alterado por ela.

Os três CEOs defendem que o setor precisa de um órgão responsável por estabelecer padrões, certificar a conformidade e limitar o acesso a sistemas de fronteira considerados perigosos demais.

Para eles, os Estados Unidos devem definir os termos dessa entidade, que teria alcance internacional. Mas, na hora de detalhar como ela funcionaria, cada um tem uma opinião.

Três receitas para o mesmo problema

Amodei, da Anthropic, é o mais duro. Ele propõe uma agência federal nos moldes da FAA, a autoridade de aviação americana, com poder direto para bloquear o lançamento de um modelo considerado inseguro — uma estrutura com mandato dado pelo Congresso e força de veto desde o primeiro dia.

Hassabis, da Google DeepMind, prefere um modelo mais leve. Em um manifesto publicado no X (antigo Twitter), o executivo defende um "Órgão de Padrões para a IA de Fronteira" inspirado na FINRA, a entidade privada, financiada pela própria indústria, que fiscaliza Wall Street sob supervisão do governo.

As revisões começariam voluntárias — com os laboratórios submetendo os modelos até 30 dias antes do lançamento — e só se tornariam obrigatórias depois de o sistema provar que funciona.

Altman, da OpenAI, mira mais alto na escala global. Em artigo no Financial Times, ele propôs um fórum internacional liderado pelos Estados Unidos que estabeleça padrões de segurança aceitos globalmente e sirva de espaço de cooperação entre nações — algo próximo do que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) faz com o setor nuclear, usando o acesso a modelos e mercados como forma de garantir a conformidade.

O que os une?

Apesar das diferenças de desenho, os três convergem em pontos de fundo — e o alinhamento público de rivais tão ferozes é, em si, notável.

Todos querem que os modelos de fronteira passem por um teste independente antes de chegarem ao público, o que romperia com o modelo atual, em que cada empresa avalia a si mesma.

Os três também citam modelos regulatórios já existentes, propõem que os Estados Unidos — e não um mosaico de leis estaduais ou de regimes nacionais rivais — definam as regras, e apontam para riscos concretos de segurança nacional, como o uso da IA em ataques cibernéticos e no desenvolvimento de armas nucleares e biológicas.

O manifesto de Hassabis, aliás, recebeu elogios públicos raros no setor, incluindo os de Altman, do presidente-executivo da Microsoft, Satya Nadella, e até do rival Elon Musk.

Por que agora?

A guinada regulatória não é gratuita. Os três manifestos surgiram no mesmo intervalo de poucas semanas em que o governo de Donald Trump interveio duas vezes no setor, de forma improvisada — o que, para os executivos, escancarou a falta de regras claras.

No primeiro caso, a Anthropic teve seus modelos mais avançados,o Fable e o Mythos, congelados de um dia para o outro por uma ordem de controle de exportação, e passou mais de duas semanas negociando a liberação sem que houvesse um protocolo definido.

Para Hassabis, o episódio foi "um alerta" de que Washington precisa de uma abordagem mais estruturada do que diretrizes ad hoc.

Pouco depois, a OpenAI, tentando evitar o mesmo destino, aceitou restringir seu novo modelo, o GPT-5.6, a parceiros aprovados pelo governo antes de liberá-lo ao público.

Regular a própria criação

Há um paradoxo evidente na cena: os mesmos executivos que aceleram a corrida por uma IA cada vez mais poderosa são os que agora pedem freios para ela. Hassabis resume a lógica por trás dessa aparente contradição.

"Ninguém no mundo sabe ao certo o que vai acontecer a partir daqui, e nem mesmo os especialistas concordam", escreveu. "Quando há um grau tão alto de incerteza e os riscos são tão grandes, avançar com otimismo cauteloso é a estratégia mais sensata."

Resta saber se o governo americano vai acatar alguma das propostas — e qual delas.

A regulação da IA tem sido justamente um ponto de atrito entre o setor privado e o poder público, e nenhum compromisso concreto saiu de uma reunião do G7, em junho, na França, em que Hassabis e Amodei defenderam a ideia diante de líderes mundiais, incluindo o próprio Trump. Por ora, os donos da IA concordam que ela precisa de um árbitro. Falta combinar quem vai apitar o jogo.

AutorTamires Vitorio
FonteExame
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