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Sacre Investimentos
Mercado ImobiliárioFII
01/08/2026
5 min

Chegou a vez deles: cada vez mais Millennials compram imóveis de luxo, diz estudo

Participação dessa geração entre compradores de imóveis premium cresceu 50% no mundo e já altera demanda por localização, serviços e experiência também no Brasil

Chegou a vez deles: cada vez mais Millennials compram imóveis de luxo, diz estudo

O comprador de imóveis de alto padrão está ficando mais jovem e mudando a forma como o mercado de luxo pensa seus produtos. Um levantamento da Sotheby’s International Realty mostra que a participação dos Millennials entre os compradores de imóveis premium cresceu 50%, o maior avanço entre todos os perfis analisados no relatório Luxury Outlook 2026.

O aumento foi mais expressivo no Caribe, de 75%, seguido pela América do Sul/Latina e Ásia, com 64% e 59%, respectivamente.

O movimento acontece em diferentes regiões do mundo e já começa a aparecer no Brasil. A nova geração de compradores chega ao mercado com uma combinação diferente de patrimônio. Enquanto parte construiu riqueza ao longo da própria carreira, outra parcela vem de famílias empresárias ou combina herança e empreendedorismo.

Além da idade média menor, a mudança altera a lógica da compra. Segundo a pesquisa, Millennials valorizam não apenas o imóvel como reserva de patrimônio, mas também fatores como localização, qualidade de vida, exclusividade e potencial de valorização do ativo.

“O que estamos observando é uma mudança geracional que vai muito além da redução da idade média dos compradores. É um público que construiu patrimônio em um ritmo diferente das gerações anteriores e que chega ao mercado de imóveis de alto padrão com uma visão mais estratégica, valorizando localização, exclusividade, qualidade de vida e potencial de valorização do ativo”, afirma Marcello Romero, fundador e CEO da Bossa Nova Sotheby’s International Realty.

Uma nova geração de compradores de luxo

O avanço dos Millennials supera o crescimento de outros grupos analisados pelo levantamento. A participação dessa geração aumentou 50%, enquanto compradores interessados em residência por meio de programas de imigração cresceram 48%, compradores mais velhos em busca de imóveis para aposentadoria avançaram 43%, integrantes da Geração Z subiram 34% e mulheres solteiras tiveram alta de 22%.

A tendência aparece em diferentes mercados. O Caribe registrou o maior crescimento na participação de compradores Millennials, com alta de 75%, seguido por América do Sul e América Latina, com 64%, Ásia, com 59%, e América do Norte, com 44%.

Segundo o estudo, muitos desses compradores estão na faixa dos 30 e início dos 40 anos e chegam ao mercado de luxo após uma trajetória acelerada de construção de patrimônio. Entre eles estão fundadores de empresas, executivos, profissionais do mercado financeiro e integrantes da segunda geração de famílias empresárias.

No Brasil, a mudança já é percebida por corretores que atuam no segmento premium.

“O comprador de imóveis de alto padrão está mais jovem do que há cinco ou dez anos. Antes, predominavam empresários tradicionais e famílias com foco na preservação do patrimônio. Hoje, vejo um público entre 35 e 50 anos, formado principalmente por empreendedores, profissionais do mercado financeiro, advogados, executivos e investidores que construíram patrimônio de forma muito mais acelerada”, afirma Bel Barros, corretora da Bossa Nova Sotheby’s no Rio de Janeiro.

O imóvel deixou de ser apenas patrimônio

Além da mudança no perfil financeiro, a jornada de compra também mudou. O acesso a informações sobre preços, arquitetura, localização e histórico dos imóveis tornou o comprador mais preparado antes mesmo de visitar uma propriedade.

“Esse comprador chega à negociação muito bem informado. Ele já pesquisou preços, localização, arquitetura, histórico do imóvel e acompanha referências internacionais. Isso faz com que tenha um olhar muito mais criterioso e expectativas mais elevadas em relação ao produto e ao atendimento”, afirma Bel.

Em São Paulo, a mudança aparece principalmente entre casais mais jovens, com idades entre 30 e 40 anos, ligados ao mercado financeiro e ao setor de tecnologia. Segundo Luciana Miozzo, corretora da Bossa Nova Sotheby’s em São Paulo, esses compradores costumam buscar imóveis maiores para uma nova fase de vida, mas também avaliam o potencial de valorização.

“No último ano vendi oito imóveis e todos foram para esse perfil de comprador. Mesmo quando o imóvel está em excelente estado, eles quase sempre fazem uma reforma completa. Compram pensando em como vão viver hoje, mas também na valorização quando decidirem vender”, afirma.

Na capital paulista, bairros como Jardim Paulistano, Itaim e Jardim Europa estão entre os mais procurados por esse público, especialmente pela proximidade com clubes como Pinheiros e Hebraica. Entre os atributos valorizados estão fachadas bem conservadas, portaria presencial 24 horas, boas vagas de garagem e apartamentos com pelo menos três suítes e cerca de 200 metros quadrados de área útil.

Exclusividade ganha peso no mercado de luxo

No Rio de Janeiro, a busca por imóveis premium também passou a envolver uma avaliação mais ampla do endereço. Para Bel Barros, a localização se tornou tão importante quanto os próprios atributos físicos da propriedade.

“Recebi recentemente um cliente na faixa dos 40 anos para visitar uma cobertura no Leblon. Durante toda a visita, praticamente não conversamos sobre acabamentos. As perguntas eram quantos imóveis realmente comparáveis existiam na Delfim Moreira, há quanto tempo não surgia uma oportunidade semelhante e se aquele endereço continuaria entre os mais desejados do Brasil daqui a vinte anos”, afirma.

A mudança resume uma transformação no mercado de luxo: o imóvel deixa de ser apenas um ativo financeiro e passa a representar estilo de vida, tempo e identidade.

“Hoje, o imóvel de luxo deixou de representar apenas patrimônio. Ele reflete qualidade de vida, identidade e tempo, que talvez seja o ativo mais valioso para esse novo comprador”, afirma Romero.

AutorLetícia Furlan
FonteExame
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