‘Cheguei numa tempestade perfeita’, diz ministro da Agricultura, que celebra volta da Petrobras (PETR4) para fabricação de fertilizantes

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, que está à frente da pasta há cerca de 70 dias, desde a saída de Carlos Fávaro, definiu o atual momento do agronegócio brasileiro como uma “tempestade perfeita” durante evento realizado em São Paulo nesta terça-feira (16).
Segundo ele, o cenário é resultado da combinação de fatores como o elevado endividamento dos produtores rurais, a fragilidade financeira do setor, as dificuldades relacionadas ao seguro rural e a necessidade de Planos Safra robustos, com taxas de juros compatíveis com a realidade do segmento.
Além desses desafios estruturais, o ministro destacou os impactos da guerra no Oriente Médio. De acordo com ele, um possível acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, que deve ser firmado nos próximos dias, ajudaria a reduzir os efeitos negativos sobre o agronegócio, especialmente por meio da queda nos preços dos fertilizantes e do óleo diesel, dois insumos fundamentais para a atividade agropecuária.
Apesar dessa perspectiva, André de Paula ressaltou que os fertilizantes continuam sendo um desafio estratégico para o país. Por isso, o Ministério da Agricultura tem adotado uma política que ele chama de “diplomacia dos fertilizantes”, buscando fortalecer relações internacionais capazes de garantir o abastecimento desses produtos.
Como exemplo, o ministro citou a recente viagem à China que resultou no reconhecimento do Brasil como território livre de febre aftosa sem vacinação — status também reconhecido pela Rússia.
“A China se comprometeu a manter o fornecimento de fertilizantes para o Brasil e, como consequência, o preço da ureia no mercado nacional se estabilizou, retornando a níveis considerados compatíveis”, afirmou.
A aposta na produção nacional pela Petrobras
André de Paula também chamou a atenção para a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de reativar quatro grandes fábricas de fertilizantes ligadas à Petrobras.
Segundo o ministro da Agricultura, as unidades localizadas em Sergipe, Paraná e Bahia já estão em operação, enquanto a planta de Mato Grosso do Sul deve voltar a funcionar até o fim deste ano ou no início de 2027.
“Com todas as plantas em atividade, o Brasil passará a produzir cerca de 35% da ureia consumida internamente. A autossuficiência não é uma meta realista, mas reduzir nossa dependência externa é algo estratégico e fundamental”, disse.
A abertura de novos mercados também foi destacada pelo ministro. Segundo ele, o Brasil alcançou 641 aberturas de mercado desde o início do terceiro governo Lula, o equivalente a 91% da meta de 700 novos mercados. A expectativa é que esse objetivo seja atingido até o final de 2026.
