Chilli Beans lança maquininha própria e prepara oferta de crédito para franqueados
Com tecnologia da Zoop, empresa do iFood, novo sistema dará à rede mais visibilidade sobre o caixa de suas 1.100 lojas

A Chilli Beans vai colocar a própria maquininha de cartão no balcão dos franqueados. A rede de óculos criada por Caito Maia lança o ChilliPay, sistema de pagamentos desenvolvido com a Zoop, empresa de tecnologia financeira que pertence ao iFood desde 2024.
O plano começa pela adquirência, o processamento dos pagamentos, e deve avançar para uma conta digital e a oferta de crédito aos franqueados com base nos dados das transações.
O movimento acontece em um período de pressão sobre o varejo brasileiro. Juros altos, crédito mais caro e casos de empresas recorrendo à recuperação judicial colocaram a saúde financeira das operações no centro das decisões. Para grandes redes, acompanhar o caixa das lojas e encontrar novas formas de financiar o crescimento ganhou peso.
É nesse cenário que a Chilli Beans tenta trazer para dentro de casa parte da operação financeira de suas 1.100 lojas. A rede já acompanha vendas, margem, sazonalidade, giro de estoque e recorrência de compras de cada unidade. Com o ChilliPay, passa a enxergar também o fluxo financeiro no momento da venda.
"Começamos pela adquirência, em parceria com a Zoop, com a nossa própria maquininha e maior poder de negociação para oferecer taxas mais competitivas, melhores condições de antecipação e recebimento", afirma Eduardo Felix, diretor de expansão da Chilli Beans.
O ChilliPay será apresentado aos franqueados durante a convenção anual da marca, nesta terça-feira, 18, em São Paulo. A adesão será opcional.
O próximo passo é incorporar uma conta digital white-label, produto operado com a marca da Chilli Beans, mas sustentado pela infraestrutura financeira da Zoop. A intenção é que pagamentos, gestão de caixa e, mais adiante, crédito passem a funcionar dentro do mesmo ambiente.
Como funciona a maquininha da Chilli Beans
O ChilliPay se conecta à operação financeira da rede e permite fazer o split de pagamentos, sistema que divide automaticamente o valor de uma venda entre diferentes destinatários.
Na prática, a franqueadora passa a acompanhar o dinheiro que entra em cada unidade sem depender das informações de um banco ou de outra adquirente. É esse histórico que pode abrir caminho para a próxima frente do projeto.
Ao saber quanto uma loja vende, como recebe e qual é seu comportamento financeiro ao longo do tempo, a Chilli Beans ganha dados para avaliar a oferta de capital de giro ou financiamento para expansão.
Isso pode ser especialmente relevante para quem já opera uma unidade e pretende abrir outra. Em vez de depender apenas da análise feita por um banco, o histórico registrado dentro do ChilliPay pode ajudar a comprovar a capacidade financeira daquela operação.
O que muda para os franqueados da Chilli Beans
A primeira tentativa da Chilli Beans é usar o tamanho da própria rede para negociar condições que um franqueado isolado teria mais dificuldade de conseguir. A companhia afirma que pretende oferecer taxas de pagamento e condições de antecipação negociadas para a base.
A adesão, porém, será opcional. Cada franqueado poderá decidir se troca o meio de pagamento que utiliza atualmente pelo ChilliPay. Durante a convenção, a companhia terá um lote de maquininhas para adesão imediata. Os demais interessados poderão deixar os dados para cadastro posterior.
Você é multifranqueado? Inscreva-se gratuitamente no Prêmio MultiA aposta também dá à franqueadora mais visibilidade sobre a saúde financeira das lojas. Isso pode ajudar a identificar uma unidade com problemas de caixa antes que a dificuldade apareça apenas nos indicadores tradicionais de vendas.
Há uma contrapartida nesse movimento. Quanto mais serviços passam para dentro do ecossistema da franqueadora, maior também é a dependência do franqueado da infraestrutura oferecida pela própria rede. A adesão opcional ao ChilliPay será, portanto, um primeiro teste da disposição dos lojistas em concentrar mais uma parte da operação financeira na Chilli Beans.
Por que a Zoop quer crescer entre as franquias
Do outro lado da operação está a Zoop. Fundada em 2014, a empresa fornece a infraestrutura para companhias que querem oferecer pagamentos e outros serviços financeiros com a própria marca.
O franchising é um terreno natural para esse tipo de produto. Grandes redes concentram centenas ou milhares de pontos de venda sob a mesma marca e acumulam um volume recorrente de transações. Para uma empresa de tecnologia financeira, um único contrato pode abrir a porta para uma base inteira de lojistas.
"As franquias de maior sucesso entendem como cada operação evolui, quais são seus ciclos de venda, seus desafios de caixa e suas oportunidades de crescimento", diz Jayme Canhada, head de vendas da Zoop. "Quando essa inteligência passa a conversar com uma infraestrutura financeira, nasce um modelo muito mais eficiente para apoiar o desenvolvimento da rede".
A Chilli Beans não é a primeira rede de franquias atendida pela empresa, mas passa a ser uma das vitrines da Zoop nesse mercado. A companhia tem mais de 50 clientes e também desenvolveu uma solução de tap to pay white-label, tecnologia que permite transformar um celular em uma maquininha de pagamento.
Da maquininha ao crédito
A conta digital é a peça que pode transformar o ChilliPay de meio de pagamento em uma vertical financeira. Quando ela entrar em operação, a intenção é que o dinheiro das vendas seja recebido dentro do próprio ambiente da Chilli Beans.
Isso aproxima a rede de uma tendência conhecida como embedded finance, ou finanças incorporadas: empresas que não são bancos passam a embutir pagamentos, contas e crédito em seus próprios produtos.
Para a Chilli Beans, o interesse está também na expansão. Com os dados gerados pelas transações, a companhia pode construir uma visão mais detalhada da capacidade financeira de cada franqueado e usar esse histórico para apoiar a abertura de novas unidades.
"Ao integrar o pagamento à transação do cartão, a Chilli Beans ganha visibilidade sobre o fluxo de caixa de cada unidade e passa a criar as bases para desenvolver soluções como crédito, gestão financeira e outros serviços voltados aos franqueados", diz Eduardo Felix.
A maquininha é o primeiro passo. O teste agora será descobrir quantos dos 1.100 pontos da rede estarão dispostos a trocar o sistema que já usam para concentrar pagamentos — e, mais pra frente, conta e crédito — dentro da própria Chilli Beans.
