China aponta trégua para fertilizantes nitrogenados, enquanto conflito entre EUA e Irã mantém pressão para fosfatados; é hora de ir às compras?

A recente queda dos preços da ureia abriu uma janela de oportunidades para os produtores, mas a resposta sobre o momento ideal de compra depende do tipo de fertilizante e da cultura a ser plantada.
Segundo Maísa Romanello, analista de fertilizantes da Safras & Mercado, o recuo da ureia nas últimas semanas não está diretamente ligado ao arrefecimento das tensões entre Estados Unidos e Irã. O principal fator foi o retorno antecipado das exportações chinesas, que surpreendeu o mercado ao ampliar a oferta global de nitrogenados.
A expectativa era de que a China retomasse as exportações apenas no segundo semestre, mas a liberação de volumes ocorreu antes do previsto, pressionando as cotações. Além disso, os preços elevados observados durante o período de maior tensão geopolítica reduziram a demanda, contribuindo para a queda das cotações e levando a ureia novamente aos níveis anteriores ao conflito.
Com a retração dos preços, as negociações de fertilizantes nitrogenados voltaram a ganhar ritmo no Brasil, especialmente para culturas como o milho. Ainda assim, Romanello avalia que o mercado doméstico pode registrar novas quedas nas próximas semanas, à medida que os recuos internacionais sejam integralmente repassados ao país.
A recomendação da especialista é que produtores que utilizarão nitrogenados na safra de verão acompanhem o mercado nas próximas semanas, já que uma eventual reabertura do Estreito de Ormuz e um aumento da oferta da Arábia Saudita podem ampliar a pressão baixista sobre a ureia no momento atual.
Guerra entre Irã e EUA faz preços do enxofre dispararem
Se os nitrogenados encontram alívio na China, os fosfatados continuam dependentes do cenário geopolítico.
O conflito no Oriente Médio provocou uma forte alta do enxofre, matéria-prima fundamental para a produção de fertilizantes como MAP e superfosfato triplo. Segundo a analista, cerca de 45% do enxofre comercializado mundialmente passa pela região do Estreito de Ormuz, o que elevou significativamente os custos durante o período de tensão.
Entre fevereiro e junho, o preço do enxofre saltou de aproximadamente US$ 510 para US$ 1.250 por tonelada, uma alta de cerca de 142%. O encarecimento da matéria-prima pressionou a indústria de fosfatados, reduziu margens e chegou a provocar paralisações de produção.
Para Romanello, uma consolidação do acordo entre EUA e Irã e a normalização do tráfego marítimo podem trazer algum alívio para os fosfatados, mas o movimento deve ser gradual. Diferentemente da ureia, os fosfatados possuem um mercado mais estável e uma cadeia produtiva que demanda mais tempo para recompor estoques e custos.
Por isso, a orientação para produtores que ainda precisam adquirir fosfatados para a soja é acompanhar a evolução do cenário geopolítico antes de fechar negócios.
Outro ponto de atenção para a safra 2026/27 é a logística. A postergação das compras ao longo dos últimos meses pode concentrar a demanda no segundo semestre, aumentando os riscos de atrasos nas entregas e de dificuldades de abastecimento.
Assim, a recomendação da analista é que o produtor não olhe apenas para o preço dos fertilizantes, mas também para a disponibilidade do produto e os prazos de entrega, evitando deixar as compras para muito próximo do plantio.
