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Sacre Investimentos
InvestMercados
28/06/2026
3 min

China chega a 146 marcas de carros elétricos com estreia de fabricante de aspirador no setor

China chega a 146 marcas de carros elétricos com estreia de fabricante de aspirador no setor

A Dreame, fabricante chinesa reconhecida principalmente pelos robôs aspiradores, pretende ampliar sua atuação e iniciar, no próximo ano, a venda de veículos elétricos (VEs) com design elegante. O movimento acompanha uma tendência observada entre empresas de eletrônicos de consumo.

A Rox Motor, que estreou no segmento de SUVs elétricos em 2023, também surgiu pelas mãos de um empresário ligado ao mercado de aspiradores. Já a Xiaomi, conhecida inicialmente pelos smartphones de baixo custo e que também produz aspiradores e outros dispositivos, entrou no mercado automotivo um ano depois com seus carros esportivos.

A entrada de novos fabricantes chama atenção diante da elevada concorrência no mercado chinês de veículos elétricos. Segundo dados da consultoria AlixPartners, 143 marcas venderam ao menos um automóvel no ano passado. Desse total, 46 não conseguiram superar a marca de 1.000 unidades comercializadas. Mesmo assim, o setor registrou o lançamento de 23 novas marcas, enquanto apenas nove deixaram de operar.

A hora e a vez das "submarcas"

Boa parte dessas novas operações corresponde a "submarcas", estratégia adotada por grandes montadoras para separar modelos de luxo ou de categorias superiores daqueles destinados ao mercado de maior volume. A Geely, terceira maior fabricante de automóveis da China em vendas, reúne mais de dez marcas em seu portfólio, entre elas Zeekr, Polestar e Lynk & Co.

Em 2025, somente dez fabricantes chinesas ultrapassaram a marca de 1 milhão de veículos vendidos individualmente, concentrando 84% das vendas totais do mercado. Apesar disso, essa participação encolheu ligeiramente em relação ao ano anterior, indicando que a consolidação do setor, prevista há anos por especialistas, ainda não se concretizou, segundo informações do The Economist.

Casos de falência continuam incomuns. Um dos exemplos é a Hozon Auto, responsável pela marca de VEs Neta. A empresa interrompeu o pagamento de salários de parte dos funcionários no ano passado e ganhou destaque após um grupo de empregados cercar o fundador em seu escritório, em Xangai, para cobrar os vencimentos.

Cenário para 2026

O cenário para 2026, porém, aponta desafios para a indústria. As vendas de automóveis na China seguem em retração. Em abril, o mercado registrou queda de 20% na comparação anual, completando sete meses consecutivos de recuo. O governo chinês também passou a criticar a guerra de preços promovida pelas fabricantes de veículos elétricos desde 2023.

Em maio, os preços começaram a subir, movimento que pode refletir essa pressão das autoridades. A BYD, maior fabricante de veículos elétricos do mundo, afirma que os reajustes estão relacionados ao aumento dos custos de componentes, como chips e baterias, o que indica que as margens de lucro ainda podem permanecer pressionadas.

Com a desaceleração da demanda doméstica e a alta dos preços, as montadoras chinesas tendem a ampliar sua dependência das exportações. Em abril, as vendas externas cresceram 80% em relação ao mesmo período do ano anterior. A criação de redes de distribuição em outros países exige investimentos elevados e um processo de expansão de longo prazo. Ainda assim, diante da intensificação da concorrência no mercado chinês, as operações internacionais, que normalmente oferecem margens superiores, devem ganhar importância estratégica. Por isso, as fabricantes chinesas de veículos elétricos aceleram seus planos para ampliar presença no exterior.

AutorMateus Omena
FonteExame
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