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28/07/2026
3 min

China compra menos petróleo da Petrobras e estatal encontra novos mercados no 2º tri

Participação chinesa nas exportações de óleo caiu de 62% para 35%; companhia encontrou cinco novos clientes

China compra menos petróleo da Petrobras e estatal encontra novos mercados no 2º tri

Uma boa parte do petróleo quea a Petrobras (PETR3;PETR4) vende para o exterior mudou de mãos no segundo trimestre de 2026. A China, principal destino das exportações de óleo da estatal, recuou de 62% do total exportado no primeiro trimestre para 35% no segundo, segundo o relatório de produção e vendas divulgado nesta terça-feira, 28. No lugar dos chineses, entraram compradores da Índia, da Europa e de outros países da Ásia.

A queda na fatia chinesa não veio de uma retração da Petrobras. Pelo contrário, a companhia exportou mais petróleo do que nunca no trimestre, num volume que se aproximou de 1 milhão de barris por dia. O que mudou foi para quem esse petróleo foi vendido. Segundo o relatório, a China reduziu suas compras diante do cenário de preços do mercado internacional. A Petrobras conseguiu redirecionar o óleo para outros mercados.

Cinco novos clientes em quatro continentes

Para ocupar o espaço deixado pela China, a estatal fechou negócio com cinco refinarias que não compravam seu petróleo. São elas a Formosa, de Taiwan; a OQ Trading, de Omã; a Orlen, da Polônia; a Preem, da Suécia; e a Sasol, da África do Sul. Os tipos de petróleo vendidos a esses novos clientes foram os das áreas de Atapu, Búzios, Itapu, Sururu e Tupi, todas no pré-sal.

Mesmo com a fatia reduzida a 35%, a China ainda é o principal destino das exportações, seguida pela Índia, para onde foram 22% dos volumes, e pela Europa, com 18%. O restante da Ásia respondeu por 14%, a América Latina por 6%, e Estados Unidos e África do Sul por 2% cada.

Por que a Petrobras importou menos

O outro lado da balança comercial da estatal também melhorou. A Petrobras importou menos petróleo e menos combustível no trimestre, e o motivo está dentro das refinarias.

O parque de refino da companhia operou a plena carga. O fator de utilização das refinarias, indicador que mede o quanto elas estão processando em relação à sua capacidade de referência, chegou a 101,2%, um recorde histórico. Passar de 100% significa que a Petrobras opera acima do ritmo considerado padrão, extraindo mais combustível da mesma estrutura.

Com mais diesel e mais gasolina saindo das refinarias brasileiras, sobrou menos necessidade de buscar esses produtos no exterior. A importação de derivados caiu para 67 mil barris por dia, o menor volume trimestral já registrado pela companhia. A de petróleo recuou para 89 mil barris por dia, o menor patamar desde a pandemia.

Somando os dois movimentos, mais exportação e menos importação, a chamada exportação líquida, que é a diferença entre o que sai e o que entra, saltou 26,2% em relação ao primeiro trimestre e mais que dobrou na comparação com o mesmo período do ano passado.

O pano de fundo internacional

A própria Petrobras descreveu o trimestre como marcado por um cenário internacional volátil. O período foi de forte oscilação no preço do petróleo, movimento que costuma pesar tanto sobre o valor de cada barril exportado quanto sobre a decisão dos compradores. Nas semanas seguintes ao fechamento do trimestre, o Brent chegou a superar US$ 100 por barril em meio às tensões entre Estados Unidos e Irã e depois recuou.

No comércio exterior brasileiro, o trimestre também foi de atrito, com a entrada em vigor das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O petróleo, no entanto, ficou entre os produtos isentos da sobretaxa, o que limita o efeito direto da medida sobre as vendas externas da estatal.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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