China diz que não faz divisão ideológica na América Latina diante de trocas de governo
Em meio à guinada à direita e pressão dos EUA, enviado de Pequim defende não ingerência e apoia comércio regional que cresceu 19,1%

Pequim (China) - A China afirmou nesta segunda-feira que não faz divisões ideológicas nas relações com América Latina e Caribe.
Durante um encontro em Pequim dedicado às relações entre a China e a região, o enviado especial para a América Latina, Qiu Xiaoqi, disse que as trocas são assuntos internos de cada Estado e que Pequim mantém seu princípio de não ingerência.
As declarações de Qiu foram feitas após uma série de mudanças de governo rumo à direita em países como Chile e Colômbia, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçou os vínculos com nações alinhadas e busca conter a influência da China na América Latina em setores como infraestrutura e telecomunicações.
"A China não estabelece divisões ideológicas", destacou Qiu, ao deixar claro o compromisso de Pequim em desenvolver relações amistosas com os países latino-americanos.
Guianada à direita na América Latina
O diplomata acrescentou que a porcentagem de latino-americanos com uma visão positiva em relação à influência chinesa na região continua aumentando, independentemente de seus países serem governados pela esquerda ou pela direita, segundo pesquisas recentes.
Ele também defendeu o reforço da coordenação em órgãos multilaterais e a oposição ao unilateralismo e à hegemonia.
Qiu defendeu o direito dos Estados da região de escolher livremente seus parceiros, sem interferências externas, em um contexto de crescente competição regional com os EUA.
O diplomata declarou que a vontade chinesa de desenvolver relações com a região não mudará e que seu país continuará apoiando os governos latino-americanos na defesa de sua soberania e na escolha de modelos de desenvolvimento adaptados às suas circunstâncias.
Qiu reiterou a oposição da China ao embargo dos EUA a Cuba e que Pequim continuará apoiando Havana diante das sanções e das ingerências externas.
Taiwan, a linha vermelha
O enviado especial chinês para a América Latina abordou ainda a questão de Taiwan e advertiu que a China adotará as medidas necessárias contra quem apoiar persistentemente as forças separatistas defensoras da independência taiwanesa, sem identificar pessoas específicas.
As palavras de Qiu foram ditas horas depois de a China anunciar sanções contra o ministro de Tecnologias da Informação e Comunicação do Paraguai, Gustavo Villate, e o ministro das Relações Exteriores de Belize, Francis Fonseca, devido a seus vínculos com Taiwan, território autogovernado cuja soberania é reivindicada por Pequim.
Paraguai e Belize estão entre as 12 nações que mantêm relações diplomáticas com Taiwan.
Em relação à economia, Qiu destacou que o comércio entre China e América Latina registrou, entre janeiro e agosto, um aumento interanual de 19,1%. EFE
