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Sacre Investimentos
MundoCMDT
01/07/2026
4 min

China emerge como vencedora da guerra entre EUA e Irã, diz estudo

China emerge como vencedora da guerra entre EUA e Irã, diz estudo

Especialistas do think-tank The Asia Group (TAG), focado no estudo da Ásia, concluem, em um novo estudo publicado nesta terça, 30, que a China foi a maior vencedora do imbróglio em Ormuz, gerado pela guerra do Irã, nos âmbitos econômico e geopolítico.

Isso se deve, elaboram os autores, à resiliência e ao planejamento chinês, que foi capaz de aguentar a crise melhor do que qualquer outro país, devido tanto aos amplos estoques estratégicos de petróleo que o país vem juntando há anos quanto às ambiciosas mudanças em direção à energia renovável que reduzem drasticamente a dependência do país de combustíveis fósseis — a commodity mais afetada pelo fechamento do estreito:

"Com 1,4 terawatt de capacidade renovável operacional já em funcionamento e reservas que garantem entre 90 e 110 dias de importação de petróleo bruto, a China enfrentou o choque inicial melhor do que qualquer outro país da região", diz o estudo.

A China também se beneficiou da reação de outros países à crise, que revelou a instabilidade de cadeias de suprimento consideradas estáveis e garantidas por anos. Isso acelerou a expansão de sua infraestrutura de energia limpa; Pequim domina a cadeia de suprimentos global nos setores de energia solar e de outras tecnologias verdes e, nos últimos anos, tem direcionado grande parte dessa produção para o exterior a preços baixos — para o descontentamento de líderes ocidentais preocupados com suas próprias indústrias.

As exportações chinesas de veículos elétricos, por sua vez, dispararam mais de 110% em maio em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto os embarques de equipamentos solares aumentaram 60% em abril. Com isso, a China emerge da crise em uma posição econômica fortalecida, o que lhe garante forte influência política à medida que outros países ainda lidam com as repercussões do conflito.

Além disso, o TAG nota que, apesar do apoio chinês às negociações de paz, "A crise permite a Pequim retratar os Estados Unidos como o agente desestabilizador cujos envolvimentos no Oriente Médio impõem custos ao mundo."

Ecos da crise ainda geram problemas para a China

Um navio cargueiro parte do porto de Qingdao, na província de Shandong, no leste da China, em 14 de abril de 2026

Um navio cargueiro parte do porto de Qingdao, no leste da China; apesar de emergir em uma posição vantajosa da crise de Ormuz, exportações da China podem desacelerar, já que o resto do mundo ainda lida com as consequências econômicas do conflito (CN-STR/China OUT/AFP)

Apesar da posição vantajosa, a China ainda enfrenta problemas decorrentes da crise, alerta a análise.

Um risco mais profundo para Pequim seria a possibilidade de interrupções prolongadas continuarem a desacelerar a economia global e a reduzir a demanda por exportações chinesas, o que seria um golpe direto à sua principal força motriz econômica. Mesmo com o avanço nas negociações de paz, que resultou em preços de petróleo mais baixos e em um cessar-fogo mais concreto, incidentes e incertezas quanto ao fluxo pelo Estreito de Ormuz ainda suscitam preocupações nos mercados globais.

Preços de energia mais elevados até o final de 2026 enfraqueceriam o poder de compra global, apertariam as condições financeiras e aumentariam o risco de recessão, especialmente para os mercados emergentes importadores de commodities, diz o estudo. Isso põe em risco direto indústrias como as linhas aéreas, que buscam compensar os combustíveis caros nos preços das passagens, e as refinarias "chaleiras" da China, que importam petróleo do Irã e da Rússia a preços significativamente mais baixos.

O efeito cumulativo dos altos preços seria limitar a capacidade dos mercados internacionais de absorver as exportações chinesas, restringindo uma importante válvula de escape para o modelo econômico da China — fortemente dependente de exportações —, que já enfrenta pressões à medida que os Estados Unidos e a Europa buscam impor barreiras comerciais para combater o excesso de capacidade produtiva chinesa.

Além disso, o novo cenário macroeconômico também não é um mar de rosas. A alta dos preços do petróleo e a maior demanda por dólares estão exercendo nova pressão de desvalorização sobre o yuan chinês (RMB), complicando os esforços de Pequim para manter a moeda relativamente estável e, ao mesmo tempo, rebater críticas estrangeiras de que um RMB desvalorizado reforça o excesso de capacidade exportadora da China.

O aumento dos custos de energia e de frete agrava as pressões sobre os orçamentos de domicílios, que nunca se recuperaram totalmente dos impactos da Covid e do colapso do mercado imobiliário chinês. A inflação, mesmo em níveis administráveis, desafia diretamente a estratégia de Pequim de reequilibrar a economia em direção a um crescimento impulsionado pelo consumo.

AutorMatheus Gonçalves
FonteExame
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