China poderia comprar armas dos EUA? Trump fez pergunta a Xi
Embaixador dos EUA em Pequim diz que Trump perguntou a Xi se teria interesse em comprar armas americanas; Rússia foi responsável por 77% das importações chinesas entre 2000 e 2025

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, perguntou ao líder chinês, Xi Jinping, se a China teria interesse em comprar armas americanas, segundo David Perdue, embaixador dos Estados Unidos em Pequim. A declaração foi dada no domingo, 27, ao programa Fox News Sunday, poucos dias depois da visita de Estado de Xi a Washington.
“Trump continua dizendo: ‘Nós vendemos armas para outras pessoas ao redor do mundo’. Ele, em determinado momento, perguntou ao presidente Xi se ele gostaria de comprar algumas”, afirmou Perdue. O embaixador não disse quando a pergunta foi feita.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, não confirmou a fala nesta segunda-feira, 28. Em uma coletiva de imprensa, disse que a China “sempre fortaleceu suas capacidades de defesa nacional com base em suas necessidades” e que mantém o compromisso com a paz e a estabilidade.
Uma compra chinesa de armamentos americanos chamaria atenção também por outro motivo: a China tem uma longa história de aquisição de equipamentos militares russos, embora tenha reduzido fortemente sua dependência de importações nos últimos anos.
Rússia dominou as importações chinesas
Segundo dados do Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo (SIPRI), a Rússia respondeu por 77% das importações chinesas de grandes armamentos entre 2000 e 2025.
O SIPRI usa o chamado TIV (Trend-Indicator Value) para medir a dimensão das transferências internacionais de grandes armamentos. A unidade é baseada nos custos de produção de um conjunto de armas e não representa o valor financeiro efetivamente pago pelos países.
A predominância russa foi especialmente forte durante boa parte do período. Apesar de Moscou manter seu posto como maior exportador militar à China, a dependência chinesa de fornecedores estrangeiros diminuiu de forma acentuada nos últimos anos, à medida que Pequim ampliou sua capacidade própria de desenvolvimento e produção de armamentos.
Entre 2020 e 2024, as importações chinesas de grandes armamentos caíram 64% em comparação com o período de 2015 a 2019, segundo dados do SIPRI. A queda foi suficiente para tirar a China, pela primeira vez desde 1990-94, da lista dos dez maiores importadores mundiais no período de 2020 a 2024.
A trajetória das compras chinesas também ganha relevância diante da relação entre Moscou e Washington. A Rússia está submetida a diversos programas de sanções dos Estados Unidos relacionados tanto às atividades russas consideradas prejudiciais comercialmente quanto à guerra na Ucrânia. Diversas dessas penalidades também são aplicadas a parceiros comerciais do Kremlin, como a China.
Por que uma venda dos EUA seria tão incomum?
Uma eventual compra de armas americanas pela China teria um significado diferente das tradicionais importações chinesas porque Washington e Pequim são rivais estratégicos — e os Estados Unidos são justamente o principal fornecedor militar de Taiwan.
A legislação americana estabelece o fornecimento de meios para que Taiwan possa se defender, embora Washington não reconheça a ilha como um país independente. Pequim considera Taiwan parte de seu território e exige o fim das vendas americanas de armas ao governo da ilha.
Durante um encontro anterior entre Trump e Xi, em maio, a questão já havia sido levantada. Depois daquela reunião, os Estados Unidos suspenderam uma venda de US$ 14 bilhões em armamentos para Taiwan. Trump chegou a classificar as vendas como uma “muito boa moeda de negociação” com Pequim.
