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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
11/09/2026
5 min

Cidade de 3,5 mil habitantes ganha resort de R$ 120 mi na serra catarinense

Montissi Resort, com 200 mil metros quadrados, inaugura em Rancho Queimado no próximo dia 17; somado a outro projeto ainda em aprovação, investimentos superam R$ 1,6 bilhão

Cidade de 3,5 mil habitantes ganha resort de R$ 120 mi na serra catarinense

Com uma poulação de aproximandante 3,5 habitantes, Rancho Queimado está se consolidando, rapidamente, em posição de destaque no mapa turístico de Santa Catarina. A cerca de 60 quilômetros de Florianópolis, a pequena cidade, que é a Capital Catarinense do Morango e também conhecida pelo frio e pelas casas de campo, atrai cada vez mais investimentos que contrastam com sua escala populacional — e ajudam a transformá-la na mais nova joia da coroa da Serra Catarinense.

Na próxima semana, dia 17/9, o Montissi Resort Spa & Golf será inaugurado em Rancho Queimado. O empreendimento recebeu investimento de aproximadamente R$ 120 milhões e terá 67 suítes em um complexo de cerca de 200 mil metros quadrados.

Desenvolvido pela Costa da Serra Incorporadora, o projeto começou a ser construído em janeiro de 2025 e será administrado pela Atrio, companhia com 38 anos de atuação, presença em 18 estados e mais de uma centena de propriedades sob gestão. A projeção é alcançar receita de aproximadamente R$ 22 milhões por ano, segundo dados apurados pela EXAME com exclusividade.

Outro grande projeto anunciado para o município, o Alpes Catarina, prevê investimento estimado em R$ 1,5 bilhão. Somados aos recursos aplicados no Montissi, os dois empreendimentos representam mais de R$ 1,6 bilhão entre capital já investido e investimentos projetados para a cidade.

O movimento, porém, vai além desses dois projetos. A gestão municipal anterior chegou a contabilizar 24 grandes empreendimentos em diferentes estágios de desenvolvimento em Rancho Queimado, reforçando a percepção de que o município entrou de vez no radar de investidores ligados ao turismo, à hotelaria e ao mercado imobiliário.

No caso do Alpes Catarina, o aporte ainda depende do avanço do empreendimento. O projeto está em fase de desenvolvimento e aguarda aprovação, sem cronograma público de implantação. A proposta prevê ocupar quase 800 mil metros quadrados com hotelaria de luxo, residências, gastronomia, comércio e áreas de lazer.Entre as principais atrações previstas está uma pista de esqui indoor, com cerca de 500 metros lineares.

É uma escala pouco usual para um município com aproximadamente 3,5 mil moradores.Parte da explicação está na geografia. Rancho Queimado combina clima de montanha, áreas rurais, vegetação e baixa densidade urbana com uma vantagem importante: a proximidade com a maior concentração populacional e empresarial de Santa Catarina.

O acesso pela BR-282 coloca o município a aproximadamente uma hora de Florianópolis, dependendo das condições de trânsito. Essa localização permite que Rancho Queimado dispute simultaneamente três mercados: turismo de curta duração, segunda residência e hospedagem de maior valor agregado.O movimento já aparece no mercado imobiliário.

Em julho deste ano, Rancho Queimado realizou pelo segundo ano consecutivo um Salão do Imóvel dedicado exclusivamente a propriedades do município. Segundo o CRECI-SC, há forte procura por casas e terrenos em condomínios fechados, acompanhando a valorização do destino.

O aluguel por temporada também ajuda a dimensionar esse mercado.Levantamento da plataforma Toordata identificou 174 propriedades ativas para locação de curta temporada em julho de 2025, com diária média próxima de R$ 1 mil. Entre janeiro de 2024 e julho de 2025, esses imóveis movimentaram cerca de R$ 36,4 milhões em receitas.

Os números reforçam a mudança de perfil. Rancho Queimado continua atraindo visitantes em busca de natureza, gastronomia e tranquilidade, mas começa a construir uma economia turística que vai além das tradicionais escapadas de fim de semana.

Infraestrutura é fundamental

É nesse mercado que o Montissi pretende atuar. Um lago de aproximadamente 100 mil metros quadrados ocupa quase metade do complexo e será um dos principais elementos da paisagem. Ao redor dele estão concentradas as estruturas de hospedagem, gastronomia, esporte e bem-estar.

O resort terá campo de golfe, piscina aquecida, jacuzzi, sauna, spa, quadra de tênis, quadras poliesportivas e campo de futebol, além de duas brinquedotecas e playground.

O resort foi concebido como destino final da viagem, e não como ponto de passagem”, afirma Régis Porazzi, gerente do Montissi.A aposta é fazer com que o hóspede permaneça mais tempo no empreendimento e encontre no próprio complexo opções de alimentação, lazer e bem-estar.

A gastronomia será uma dessas frentes. O restaurante Ember – Fogo e História, comandado pelo chef Iuri Jobim, terá cardápio inspirado nos produtos e sabores da região, com ingredientes como pinhão, truta, queijos serranos e vinhos de altitude. O empreendimento também contará com bar e adega.

No spa, a operação terá a presença da L'Occitane au Brésil.O Montissi também terá estrutura para eventos empresariais, confraternizações e celebrações, ampliando a operação para além do turismo de lazer e dos períodos tradicionais de maior movimento.

A infraestrutura viária também já entrou no radar do setor produtivo. Entre as obras consideradas prioritárias pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) para 2026 está a construção de uma passagem superior na BR-282, em Rancho Queimado, com investimento estimado em R$ 19,3 milhões. A rodovia é o principal eixo de ligação do município com a Grande Florianópolis.

O mercado de trabalho é outro ponto de atenção. Empreendimentos de hotelaria, gastronomia e serviços demandam profissionais em diferentes áreas em uma cidade com população reduzida, o que tende a ampliar a busca por trabalhadores nos municípios vizinhos e a necessidade de qualificação de mão de obra.

Apesar da nova escala dos projetos, Rancho Queimado mantém os atributos que construíram sua identidade turística.A cidade segue associada à produção de morangos, aos cafés coloniais, às vinícolas, às propriedades rurais e à paisagem serrana. O que começa a mudar é a escala econômica desses ativos.

De destino predominantemente rural e de segunda residência, Rancho Queimado passa a incorporar hotelaria estruturada, imóveis de maior padrão, gastronomia e projetos turísticos de grande porte.

AutorRafael Martini
FonteExame
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