Citi indica ETFs de bitcoin e ether a clientes alta renda
Recomendação vem em um momento no qual os fundos das duas criptomoedas registram saída de capital nas bolsas de valores dos EUA

O Citi Wealth passou a indicar fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês) de bitcoin e ether à vista para clientes de alta renda. A novidade chega num momento de saques: em dois pregões, investidores tiraram cerca de US$ 1 bilhão dos ETFs de bitcoin nos Estados Unidos.
Só na segunda-feira (2), os ETFs de bitcoin e ether americanos tiveram saques de US$ 538 milhões. Os fundos, que permitem investir em cripto por uma conta de corretora, somavam US$ 111,3 bilhões naquele dia, segundo a SoSoValue.
O que diz o relatório do Citi?
O Citi Wealth publicou o relatório “Expanding the Investable Universe: Introduction to Crypto ETFs”. O documento é um guia de introdução e não anuncia fundo próprio do banco. Nele, o Citi apresenta os ETFs como a forma regulada, pela conta de corretora, de clientes com perfil adequado terem cripto ao lado de ações e títulos.
O banco cita regras mais claras, entrada de instituições e baixa correlação de longo prazo com os ativos tradicionais, ou seja, as criptomoedas não andam junto com esses mercados. O relatório também lista riscos e restrições de adequação ao perfil do cliente.Citi Wealth just published “Expanding the Investable Universe: Introduction to Crypto ETFs”, which pitches spot BTC and ETH ETFs as the regulated, brokerage-account way for suitable clients to add digital assets alongside stocks and bonds.
Separately, Citi said on Aug 18 that its new Custody+ platform will start holding bitcoin for institutional clients this year.
By my count, that would make Citi the 6th of 29 G-SIBs (systemically important banks) to have institutional bitcoin custody live or announced, after BNY, Standard Chartered, Société Générale, State Street and Deutsche Bank. BNY, Standard Chartered and SocGen’s SG-Forge are already licensed and serving institutions, and Deutsche Bank says it is weeks away. JPMorgan has said custody is off the table for now.
The Binance hack last week could be one reason Citi has stayed quiet on timing. I heard that the service was already set for launch last week.
— matthew sigel, recovering CFA (@matthew_sigel) November 2, 2026
Os ETFs de Bitcoin à vista nos EUA tiveram saques de US$ 398,62 milhões em 2 de novembro, segundo a SoSoValue. Na sexta (30), investidores já tinham tirado US$ 643 milhões, um dia depois do ataque hacker de US$ 6,3 bilhões à Binance.
Quando o investidor resgata cotas, o gestor do fundo vende ou devolve o bitcoin correspondente. Isso coloca mais moedas à venda no mercado.
Os ETFs de ether tiveram saques de US$ 139,80 milhões em 2 de novembro, e a sequência de retiradas já vem desde o início de outubro.
Mesmo assim, o que saiu do bitcoin nos últimos dias equivale a cerca de 0,4% dos US$ 98,12 bilhões que esses fundos guardam. Só o IBIT, da BlackRock, teve resgate de US$ 405,3 milhões em um único dia, segundo o BeInCrypto.
Citi ainda não tem data para guardar bitcoin
O banco também prepara um serviço separado, de custódia. Em agosto, o Citi anunciou que a plataforma Custody+ passaria a guardar bitcoin para instituições ainda este ano.
Para Matthew Sigel, chefe de pesquisa de ativos digitais da VanEck, o Citi é o sexto entre os 29 maiores bancos do mundo com risco sistêmico, os “grandes demais para quebrar”, a ter serviço de custódia de bitcoin no ar ou anunciado. Ele diz que o JPMorgan avisou que, por ora, não vai oferecer o serviço.
Sigel também levantou uma hipótese, ainda sem confirmação, para o silêncio do banco.
“… o ataque à Binance na semana passada pode ser um dos motivos para o Citi não detalhar o cronograma. Ouvi dizer que o serviço já estava pronto para lançamento naquela semana”, afirmou.
O Citi não confirmou essa versão e segue dizendo publicamente que a previsão é “ainda este ano”. O BeInCrypto foi o primeiro a noticiar os planos de custódia do banco, em agosto.
Se o Citi marcar uma data antes de 31 de dezembro e os saques perderem força, dá para ver se Wall Street e os investidores voltam a andar na mesma direção.
