Citi: Rali da bolsa não esgotou alta com Flávio, mas queda com Lula seria maior
Pesquisa com 73 investidores mostra que 79,5% esperam queda de mais de 5% da bolsa se Lula vencer

A maior alta do Ibovespa em um único pregão desde março de 2020 ainda não colocou o resultado da eleição no preço. Uma pesquisa do Citi com 73 investidores, divulgada nesta sexta-feira, 23, mostra que o mercado vê espaço para novos ganhos com uma vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno, no domingo, 25, e perdas bem mais profundas caso Lula seja reeleito.
No cenário de vitória do petista, 79,5% dos participantes esperam que o Ibovespa caia mais de 5% na segunda-feira, 26, primeiro pregão após a votação. Com Flávio eleito, 49,3% projetam alta superior a 5% e outros 48% esperam ganhos entre 1% e 5%.
A conclusão do banco é que existe uma assimetria negativa nas expectativas. O resultado considerado favorável pelo mercado está só parcialmente precificado, mas o tamanho da queda projetada em um cenário adverso é materialmente maior do que o da alta.
Quem respondeu à pesquisa
O levantamento faz parte da estratégia de ações para o Brasil do Citi, em relatório assinado pelo analista André Mazini. Dos 73 participantes, 40% são gestores long-only, que só compram ações, e 28% são hedge funds, fundos com mais liberdade para apostar na queda dos ativos.
Outros 14% se classificam como long biased, com viés comprado, e 4% como long & short, que combinam posições compradas e vendidas. O restante tem outros perfis.
Os investidores responderam sobre três termômetros do mercado local: o Ibovespa, o câmbio e a curva de juros futuros, medida pelo contrato de DI (Depósito Interfinanceiro) com vencimento em janeiro de 2029.
Por que o rali do primeiro turno não é visto como o fim
A pesquisa chega depois de um movimento forte. No dia seguinte ao primeiro turno, em que Flávio terminou com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, o Ibovespa registrou a maior alta diária desde 2020, de 7,7%, e fechou acima dos 200 mil pontos pela primeira vez.
No mesmo pregão, o dólar recuou 4,12%, para R$ 5, na maior queda desde 2018. As taxas dos contratos de DI caíram mais de 100 pontos-base nos vencimentos longos.
Para o Citi, o resultado mais surpreendente da pesquisa é que essa disparada não reduziu a expectativa de ganhos adicionais. A leitura do banco é que os investidores ainda veem espaço para compressão do prêmio de risco do Brasil e enxergam o rali como uma etapa da reprecificação, e não sua conclusão.
Com Flávio eleito, 88% dos participantes esperam valorização do real de pelo menos 2%. Nos juros, o consenso é ainda mais amplo: 97% projetam queda adicional das taxas, e 68% esperam que o DI de janeiro de 2029 recue mais de 50 pontos-base.
Uma queda mais funda do que a alta
A assimetria aparece na distribuição das respostas. No cenário de vitória de Flávio, as projeções se concentram em movimentos moderados: alta de 1% a 5% na bolsa e queda de 50 a 100 pontos-base nos juros.
Com Lula reeleito, as expectativas se deslocam para os extremos. Além dos 79,5% que esperam queda de mais de 5% do Ibovespa, 62,5% projetam desvalorização do real acima de 5%.
Nos juros, 67,1% dos investidores esperam que o DI de janeiro de 2029 suba mais de 100 pontos-base, a faixa mais alta oferecida na pesquisa. Apenas 2,8% dos participantes veem alguma queda das taxas nesse cenário.
O que o mercado espera para a segunda-feira, 26
| Ativo | Se Flávio vencer | Se Lula vencer |
|---|---|---|
| Ibovespa | 49,3% veem alta acima de 5%; 48% veem alta de 1% a 5% | 79,5% veem queda acima de 5% |
| Real | 78,1% veem valorização de 2% a 5%; 9,6% veem valorização acima de 5% | 62,5% veem desvalorização acima de 5%; 27,8% veem desvalorização de 2% a 5% |
| DI jan/2029 | 54,9% veem queda de 50 a 100 pontos-base; 12,7% veem queda acima de 100 pontos-base | 67,1% veem alta acima de 100 pontos-base |
Fonte: Pesquisa do Citi com 73 investidores
Segundo o Citi, os investidores seguem vendo a trajetória das contas públicas como o principal fator para os preços dos ativos locais. É essa percepção que explica a reação mais intensa esperada para os juros futuros, que embutem o risco fiscal nos vencimentos mais longos.
