Citi rebaixa Nubank e ação do 'roxinho' cai 8%; troca de CFO surpreende o investidor

O Citi rebaixou a recomendação das ações do Nubank de neutro para venda e reduziu o preço-alvo de US$ 18,00 para US$ 12,00. O corte representa uma queda de 33% em relação ao nível anterior. Foi a segunda redução consecutiva de target feita pelo banco americano, que chegou a ter um preço-alvo de US$ 22,00 para os papéis.
Na avaliação dos analistas do Citi, o banco digital enfrenta uma inflexão negativa em seu ciclo de crédito, com deterioração da qualidade dos ativos acima do esperado. O banco revisou para baixo suas estimativas de lucro líquido e ROE para 2025 e 2026 e argumenta que, mesmo após as quedas recentes, o papel ainda negocia com prêmio injustificado frente a pares da América Latina. Os papéis acumulam queda de quase 30% no ano.
Entre os pontos centrais da tese pessimista estão a compressão da margem líquida de juros, a expansão para segmentos de menor spread — como crédito consignado e financiamento de veículos —, o ambiente de juros elevados no Brasil e a maturação da base de clientes doméstica, que limita o crescimento futuro à monetização e à expansão internacional, ainda deficitária.
Resultados do 1T26 apesar do crescimento
O lucro do Nubank cresceu 41% no primeiro trimestre de 2026, para US$ 871 milhões em base FX neutro, com receita total de US$ 5,32 bilhões — a primeira vez na história da companhia que a linha ultrapassa US$ 5 bilhões em um único trimestre. Ainda assim, as ações chegaram a cair 12% na noite em que os números foram divulgados, em 14 de maio.
As provisões para perdas com crédito avançaram 38% na comparação trimestral e vieram acima do esperado pelos analistas. O estoque de provisões encerrou o trimestre em US$ 6,1 bilhões, alta de US$ 799 milhões em relação ao final de 2025.
BTG substitui Nubank por Itaú na carteira de junho
Em sua revisão mensal de carteiras, o BTG Pactual retirou o Nubank e colocou o Itaú Unibanco (ITUB4) em seu lugar na seleção das dez principais apostas para junho, com peso de 15%. O banco justificou a troca pela capacidade do Itaú de navegar em ciclos de crédito mais complexos.
A movimentação reflete um reposicionamento mais defensivo diante de um cenário macroeconômico desafiador, com a inflação projetada em 5% em 2026 e o mercado revisando as expectativas de corte da Selic. Apesar da saída do papel da carteira, o BTG mantém recomendação de compra para as ações do Nubank e afirmou que a fintech segue bem posicionada para atravessar o ciclo de crédito mais adverso.
Lago deixa o comando financeiro após sete anos
Na segunda-feira, 1º de junho, o Nubank anunciou a troca de seu diretor financeiro. Guilherme Lago, que está no banco há sete anos e foi CFO por cinco, deixará o cargo e passará a atuar como conselheiro especial da diretoria executiva e integrante do comitê de auditoria e riscos. O período de transição vai até 31 de agosto. Segundo o Brazil Journal, Lago e o CEO David Vélez vinham discutindo a saída há meses, e o executivo decidiu deixar o cargo para empreender, embora ainda sem planos concretos.
No lugar de Lago, o Nubank nomeou Rob Livingston, executivo com mais de três décadas no setor financeiro. Livingston era CFO da operação norte-americana da Visa, principal unidade de negócios da empresa, onde acumulou passagens pela China, Canadá e Europa. Antes da Visa, trabalhou por 18 anos na Capital One, onde ocupou cargos como presidente da operação canadense e CFO divisional. É graduado em Economia pela Universidade de Yale. Ele assume em 13 de julho.
BTG: mudança de CFO pegou mercado de surpresa e adiciona incerteza
Para os analistas do BTG Pactual, a troca de CFO surpreendeu. O banco afirmou ter recebido um grande volume de mensagens de investidores logo após a notícia se tornar pública — sinal de que a troca não estava no radar do mercado. Apesar de reconhecer que Livingston tem currículo sólido e as habilidades necessárias para o cargo, o BTG avaliou que a mudança adiciona uma camada de incerteza num momento já delicado para a tese de investimento, marcado por preocupações com a expansão nos Estados Unidos e com a qualidade dos ativos. Hoje, as ações do NU caem 8%,
O BTG ponderou que a maioria dos investidores acredita que os números do segundo trimestre serão razoáveis, mas concorda que as preocupações com qualidade de crédito não vão desaparecer tão cedo.
Na avaliação do banco, o Nubank pode precisar de dois ou três trimestres de bons indicadores de inadimplência e melhora nas margens ajustadas ao risco para "convencer" o mercado. O risco, no cenário adverso, é que a qualidade dos ativos decepcione ou o crescimento desacelere, o que poderia levar muitos investidores a simplesmente desistirem do papel.
Ainda assim, o BTG mantém recomendação de compra para as ações do Nubank, com preço-alvo de US$ 21,00, e argumenta que, negociando abaixo de 12 vezes o lucro estimado para 2027, o papel ainda representa uma das apostas de longo prazo mais sólidas no setor financeiro da América Latina.
