Clima, mão de obra e geopolítica: o que preocupa o agro brasileiro em 2026

Clima, falta de mão de obra e geopolítica estão entre as principais preocupações do agronegócio brasileiro em 2026. Esse é o resultado da edição 2026 do estudo Top 10 Riscos e Oportunidades no Agro, produzido pela EY com 52 lideranças de diferentes segmentos da cadeia produtiva.
Segundo o levantamento, 79% dos entrevistados classificam os riscos climáticos como altos ou muito altos. Além disso, o tema aparece como aquele para o qual as empresas se consideram menos preparadas, evidenciando uma lacuna entre a percepção do problema e a capacidade de resposta das organizações.
O estudo também introduziu um novo critério de avaliação: o nível de prontidão das empresas para enfrentar cada desafio. A análise considera não apenas o impacto dos riscos, mas também o grau de maturidade das organizações para lidar com eles.
A pesquisa mostra que secas, enchentes, geadas e outros eventos extremos já afetam diretamente a produtividade agrícola, a logística e o acesso a crédito e seguros. Além disso, as mudanças climáticas ampliam a volatilidade dos mercados e aumentam a pressão por práticas sustentáveis ao longo das cadeias produtivas.
Segundo a EY, transformar cenários climáticos em planos concretos de adaptação será uma condição cada vez mais importante para preservar a competitividade do setor.
Mão de obra e geopolítica no agro
Outra preocupação crescente do agronegócio é a gestão de pessoas. A pesquisa mostra que o tema "atração, desenvolvimento e retenção de pessoas" saltou da oitava posição em 2022 para a segunda colocação em 2026. A mão de obra, por sua vez, pode representar entre 20% e 40% do custo total de produção agrícola.
O movimento reflete a rápida digitalização do campo e a crescente demanda por profissionais capazes de operar tecnologias como inteligência artificial, drones, sensores e sistemas de agricultura de precisão.
Segundo o estudo, o Brasil enfrenta um déficit estimado de cerca de 180 mil profissionais técnicos para atender às novas demandas do setor. Ao mesmo tempo, grande parte da força de trabalho ainda apresenta baixa escolaridade, dificultando a adoção de tecnologias mais avançadas.
Para a EY, a transformação digital só será plenamente aproveitada se vier acompanhada de investimentos consistentes em qualificação profissional, cultura organizacional e sucessão de lideranças.
Outro aspecto que ganha relevância é a influência crescente do cenário internacional sobre o agronegócio brasileiro.
O Brasil se consolidou como uma potência exportadora, mas permanece altamente dependente dos mercados internacionais e da importação de insumos estratégicos, como fertilizantes. Atualmente, cerca de 85% dos fertilizantes utilizados pelo agro brasileiro são importados.
Disputas comerciais, embargos sanitários, guerras e mudanças regulatórias podem alterar rapidamente as condições de mercado, impactando preços e margens. Entre as recomendações da pesquisa estão a diversificação de mercados, o fortalecimento da rastreabilidade e a incorporação dos riscos geopolíticos ao planejamento estratégico das empresas.
Ao mesmo tempo, a reforma tributária e o avanço das exigências ambientais e de rastreabilidade devem exigir ajustes relevantes por parte das companhias.
Na avaliação da EY, organizações que conseguirem antecipar essas mudanças, fortalecer mecanismos de compliance e incorporar critérios ESG à estratégia tendem a conquistar vantagens competitivas importantes nos próximos anos.
Além de mudanças climáticas, pessoas e geopolítica, o levantamento aponta como prioridades temas como tecnologia, gestão de riscos financeiros, produtividade, logística, compliance e acesso a capital.
Embora os desafios sejam diversos, há um elemento comum entre eles: a necessidade de ampliar a capacidade de adaptação das empresas.
