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Future of MoneyCPTO
29/09/2026
4 min

CME amplia aposta em cripto e vê benefícios em tokenização

Lançamento de derivativos de bitcoin cash e uniswap é apenas o começo para a Bolsa de Chicago

CME amplia aposta em cripto e vê benefícios em tokenização

A Bolsa de Mercadorias e Commodities de Chicago (CME) está de olho em novas criptomoedas para lançar contratos futuros e também estuda o que pode ser obtido ao juntar a tecnologia cripto com a estrutura do mercado tradicional.

Recentemente, a CME anunciou contratos futuros de bitcoin cash e uniswap, que devem começar a ser negociados em 19 de outubro. Segundo Giovanni Vicioso, responsável global pelos produtos de criptomoedas da CME, esse é mais um passo para aproximar estruturas tradicionais de elementos desenvolvidos no universo cripto.

Em entrevista à EXAME, Vicioso afirmou que a expansão da oferta acompanha o aumento da participação de investidores institucionais e da demanda por instrumentos regulados para administrar a exposição a diferentes criptoativos. Os novos contratos se somam a uma lista que já inclui futuros de bitcoin, ether, XRP, solana, cardano, chainlink, stellar, avalanche e sui.

“Não é tanto que TradFi ou DeFi vai ter um vencedor”, disse Vicioso, referindo-se às finanças tradicionais (TradFi) e às finanças descentralizadas (DeFi). Para ele, a tendência é uma combinação de elementos dos dois modelos, com participantes de mercado incorporando ferramentas e estruturas que atendam a diferentes necessidades.

Negociação 24/7 na CME

A CME deu um passo importante nessa direção em maio, quando passou a oferecer negociação 24 horas por dia, sete dias por semana para seus futuros e opções de criptomoedas. A mudança colocou os derivativos da bolsa mais próximos da dinâmica do mercado à vista de cripto, que funciona continuamente. A negociação ocorre de forma ininterrupta, com uma janela semanal de manutenção.

Para Vicioso, a operação contínua também abre espaço para uma discussão que vai além da negociação de criptomoedas: a movimentação de dinheiro tokenizado. Segundo ele, a possibilidade de operar e movimentar valor durante os fins de semana pode ajudar a testar modelos baseados em dinheiro digital e stablecoins, aproximando a infraestrutura do mercado tradicional da lógica de funcionamento dos ativos digitais.

A tokenização, aliás, aparece como uma das principais frentes de interesse do setor. Vicioso avalia que as stablecoins podem ser entendidas como uma forma de tokenização e que o mercado ainda está nos estágios iniciais de desenvolvimento de aplicações capazes de movimentar e destravar valor por meio dessa tecnologia.

A CME também trabalha em um piloto relacionado a dinheiro tokenizado em parceria com a Google Cloud, segundo o executivo. A iniciativa busca explorar formas de movimentar dinheiro durante os fins de semana, em uma infraestrutura que possa acompanhar o funcionamento contínuo dos mercados digitais.

Mais exposição institucional

Com o lançamento da negociação 24/7, em junho o volume mensal da CME atingiu um recorde de 334 mil contratos, no equivalente a US$ 10,7 bilhões em valor nocional e um crescimento de 76% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

A CME também trouxe a oferta de contratos futuros padrão e microcontratos de solana e XRP.

Para Vicioso, o movimento indica uma mudança nas perguntas feitas pelas instituições. Em vez de apenas questionarem se deveriam entrar no mercado de criptomoedas, os investidores profissionais estariam discutindo como as tecnologias desenvolvidas nesse ambiente podem ser utilizadas para melhorar operações, movimentar dinheiro e reduzir prazos de liquidação.

Essa mudança também aparece na demanda por instrumentos de hedge. O executivo afirmou que a CME observa interesse crescente de instituições em utilizar derivativos para administrar riscos associados às criptomoedas. A estratégia da companhia é ampliar a cobertura do mercado com contratos sobre diferentes ativos e, assim, oferecer instrumentos para participantes que não necessariamente querem manter diretamente os tokens.

Brasil ganha relevância na América Latina

A América Latina também aparece no radar da CME. Segundo Vicioso, a região ainda representa menos de 5% do volume global de criptomoedas da companhia, mas o Brasil vem contribuindo para o crescimento observado em 2026.

O executivo afirmou que, até agora neste ano, o número de contratos de criptomoedas negociados na região já superou o volume registrado durante todo 2025, com o avanço impulsionado principalmente pelo Brasil.

AutorRicardo Bomfim
FonteExame
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