Coca-Cola Femsa aposta em economia circular nos pontos de venda e mira redução de custos

A Coca-Cola Femsa Brasil, responsável pelas embalagens de bebidas da companhia, lançou o Projeto ReNova Circular, uma iniciativa voltada à economia circular na ambientação de pontos de venda. O projeto estreia em lojas selecionadas da rede varejista St Marche, em São Paulo, com um piloto na unidade da Mooca, em São Paulo, e consiste na coleta de materiais de exposição descartados ou depreciados para transformá-los em novos mobiliários destinados ao varejo.
A proposta é reaproveitar estruturas de acabamento premium, como madeira, aço e alumínio, que passam por processos de triagem, remodelagem e retrofit antes de retornarem às lojas, ampliando seu ciclo de vida e reduzindo a necessidade de utilização de matérias-primas virgens.
"Projetos como o ReNova Circular mostram como a agenda ESG pode estar diretamente conectada ao negócio. Ao transformar materiais que seriam descartados, reduzimos a pressão sobre recursos naturais, evitamos emissões e ainda geramos valor para toda a cadeia", afirma Fabiana Taislam, head de Sustentabilidade da Coca-Cola Femsa Brasil.
Segundo a companhia, o projeto está integrado à estratégia comercial e opera dentro do conceito Triple Win (3W), modelo que busca gerar benefícios simultâneos para consumidores, varejistas e indústria. Além do reaproveitamento dos materiais, a iniciativa pretende reduzir desperdícios, aumentar a eficiência operacional e diminuir custos ao longo da cadeia.
Para o St Marche, parceiro na fase inicial do projeto, a iniciativa também se conecta à estratégia da rede para as lojas. "Para o St. Marche, a parceria com a Coca-Cola Femsa Brasil reforça nosso compromisso com inovação e sustentabilidade no varejo. O projeto integra materiais de alta qualidade e acabamento ao nosso planograma, ressignificando o conceito de reaproveitamento dentro de uma experiência premium", diz Karina Bandeira, diretora de Operações da varejista.
Economia de custos e logística circular
Os estudos realizados pela Coca-Cola Femsa indicam uma economia média de 46% nos custos por loja ao optar pelo retrofit dos mobiliários em vez da fabricação com materiais novos.
O conceito Triple Win já está presente em cerca de 1.000 pontos de venda distribuídos pelos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Esses ativos estão mapeados e catalogados em uma plataforma de gestão de mobiliário utilizada pela empresa.
Com o ReNova Circular, a companhia também coloca em operação um sistema dedicado de logística e um parque industrial voltado à remodelagem dos equipamentos, operados por parceiros especializados em economia circular. O objetivo é criar um ciclo contínuo de reaproveitamento dos materiais.
Redução no consumo de insumos
Segundo dados apresentados pela empresa, o modelo reduz significativamente o consumo de matéria-prima virgem, especialmente de MDF, praticamente eliminado na maior parte das estruturas remodeladas.
Em um ponto de venda classificado como Premium, a empresa estima que o reaproveitamento dos mobiliários evita o consumo de 203 quilos de MDF virgem, 217 quilos de aço virgem e 15 quilos de tinta, além de impedir a emissão de 1.972 quilos de dióxido de carbono (CO₂). De acordo com a companhia, esse volume corresponde, em média, à preservação de 4,5 árvores por loja.
A Coca-Cola Femsa informa que os indicadores ambientais de cada mobiliário serão exibidos nos próprios pontos de venda por meio de um selo do ReNova Circular. Os cálculos são realizados com ferramentas de mensuração de carbono, como a Sustain (POPAI), e metodologias de engenharia de produção aplicadas aos materiais utilizados.
Os racks destinados a categorias como refrigerantes, sucos e checkout seguem o mesmo modelo de reaproveitamento. Segundo a empresa, essas estruturas passam a apresentar emissões inferiores a 0,1 tonelada de CO₂ por unidade a partir do segundo ciclo de vida, ampliando o potencial de escala da iniciativa.
Impacto comercial
Além dos indicadores ambientais, a Coca-Cola Femsa afirma que iniciativas semelhantes de reaproveitamento de mobiliário apresentaram resultados comerciais. Segundo a companhia, projetos desse tipo registraram crescimento superior a 10% no volume de vendas de produtos da empresa após a implementação.
De acordo com a empresa, a combinação entre redução do consumo de insumos, menor geração de resíduos, diminuição de emissões e ganhos de eficiência na produção, logística e descarte faz parte da estratégia de integrar sustentabilidade e desempenho operacional nos pontos de venda.
