Cogna (COGN3) ainda pode subir 35%, mas Bradesco BBI faz um alerta para quem está de olho na ação
A companhia perdeu a recomendação de compra do banco e Yduqs assume a preferência após fusão com a Afya; entenda a mudança

A chegada de uma nova gigante ao setor de educação, com a fusão entre Yduqs(YDUQ3) e Afya, pode tirar algumas noites de sono da Cogna(COGN3). Ao menos é o que sugere a nova avaliação do Bradesco BBI.
O banco rebaixou a recomendação das açõesda Cogna de compra para neutra e reduziu o preço-alvo de R$ 3,80 para R$ 3,10 para o fim de 2027.
Embora o novo preço-alvo represente um potencial de valorização de 35% em relação ao fechamento anterior, o retorno fica abaixo do estimado às demais empresas preferidas pelo banco, de 60%
Em julho, a situação era bem diferente. O BBI havia elevado COGN3 de neutra para compra, escolhido a companhia como a top pick (preferida) no setor educacional e projetado uma valorização superior a 80%. Mas nada dura para sempre.
Nesta quinta-feira (24), as ações figuram entre as maiores baixas do Ibovespa, com baixa de mais de 4%.
Além de rebaixar a Cogna, o BBI reduziu em 18% a projeção para o lucro líquido da companhia em 2027. A nova estimativa fica 13% abaixo do consenso do mercado.
O posto de favorita na educação passou, então, para a Yduqs.
O que motivou a revisão
Segundo o Bradesco BBI, o momento agora é de cautela: a recomendação de COGN3 de compra para neutra reflete a menor atratividade da Cogna como investimento, apoiada principalmente em três fatores.
O primeiro é a chamada menor atratividade relativa. Em outras palavras, as ações da companhia apresentam, na comparação com outras empresas do setor, uma relação menos favorável entre o retorno esperado e os riscos envolvidos.
O segundo é a dinâmica operacional enfraquecida. Na prática, isso significa que o funcionamento da empresa apresenta sinais menos favoráveis. No caso da Cogna, o BBI espera uma captação mais fraca de alunos, além de pressão sobre as receitas e as margens da Kroton no segundo semestre.
Já o terceiro fator vem de fora: a pressão do novo marco regulatório do ensino superior. As novas regras exigem uma participação maior de atividades presenciais, o que tende a elevar os custos da Cogna com a estrutura das unidades — isso pode resultar em uma maior pressão das margens da companhia, caso os custos não sejam repassados às mensalidades.
Yduqs: a nova principal aposta
A nova queridinha do Bradesco BBI é a Yduqs. O banco estima para a companhia um retorno total potencial de aproximadamente 61%, além de um rendimento do fluxo de caixa livre para o acionista próximo de 15% em 2027. O indicador pode avançar ainda mais em 2028, diante da esperada queda dos juros.
E a nova favorita não chega de mãos vazias. A fusão com a Afya veio acompanhada do anúncio de R$ 750 milhões em dividendos até a conclusão da operação em 2028.
Além disso, companhia combinada pretende distribuir 50% do lucro aos acionistas e gerar, em sinergias, entre R$ 2 bilhões e R$ 2,2 bilhões, que poderá refletir sobre a geração de caixa e o valor das ações.
A fusão também resultará um perfil mais premium. Cerca de dois terços do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da nova empresadeverão vir de negócios considerados mais rentáveis e resilientes, especialmente os cursos de medicina.
Uma perspectiva boa para o setor
Apesar da revisão da Cogna, o Bradesco BBI mantém o otimismo com o setor de educação. A visão é sustentada por valuations ainda atrativos e pelo potencial de retorno total para as empresas do segmento.
Além da Cogna e da Yduqs, a cobertura inclui Cruzeiro do Sul (CSED3) e Vitru (VTRU3), segunda e terceira favoritas do BBI, respectivamente, e, por fim, Ânima (ANIM3).
Recapitulando:
| Empresa | Recomendação | Preço-alvo |
| Ânima (ANIM3) | Neutra | R$ 4,30 |
| Yduqs (YDUQ3) | Compra | R$ 17,00 |
| Cogna (COGN3) | Neutra (de compra) | R$ 3,10 (de R$ 3,80) |
| Cruzeiro do Sul (CSED3) | Compra | R$ 7,50 |
| Vitru (VTRU3) | Compra | R$ 22,00 |
*Sob supervisão de Carolina Gama.
