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Mundo
30/05/2026
3 min

Colômbia acusa Equador de interferência eleitoral após Noboa anunciar fim de tarifas

Colômbia acusa Equador de interferência eleitoral após Noboa anunciar fim de tarifas

A Colômbia acusou o Equador neste sábado, 30, de interferir em seu processo eleitoral após o presidente equatoriano, Daniel Noboa, anunciar a eliminação de tarifas sobre produtos colombianos depois de uma conversa com o candidato opositor Abelardo de la Espriella.

A declaração ocorreu na véspera das eleições colombianas, marcadas para domingo, 31. De la Espriella, candidato de direita, aparece entre os favoritos na disputa, ao lado de Iván Cepeda, representante da esquerda e aliado do governo de Gustavo Petro.

As pesquisas indicam que os dois podem avançar para um segundo turno em 21 de junho.

O governo colombiano reagiu com dureza ao anúncio de Noboa. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores afirmou repudiar de forma “categórica” o que chamou de “deliberada interferência no processo eleitoral em curso na Colômbia”.

Segundo a chancelaria colombiana, a manifestação de um chefe de Estado estrangeiro em favor de um candidato viola o princípio de não intervenção em assuntos internos, ameaça a soberania nacional e atenta contra o sistema democrático.

Crise política entre Colômbia e Equador

Noboa afirmou que, após conversar com De la Espriella, os dois concordaram em trabalhar juntos no combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado na fronteira comum.

Na sequência, o presidente equatoriano anunciou que retiraria o imposto de 100% sobre as importações colombianas.

Para Bogotá, porém, o governo equatoriano apresentou a decisão de forma “enganosa”, como se fosse um gesto de boa vontade ou uma concessão obtida pelo candidato opositor.

A Colômbia afirma que a eliminação das tarifas já havia sido determinada pela Comunidade Andina, bloco regional formado por Bolívia, Colômbia, Equador e Peru.

A disputa comercial entre Colômbia e Equador se intensificou nos últimos meses. Em fevereiro, Noboa acusou o governo colombiano de não fazer o suficiente para conter o crime organizado na fronteira entre os dois países.

Quito passou então a aplicar tarifas sobre produtos colombianos, e Bogotá respondeu com medidas semelhantes. Desde então, os dois países chegaram a impor tributos de até 100%.

Nova guerra comercial?

No início de maio, o governo equatoriano já havia indicado que reduziria a tarifa de 100% para 75% a partir de 1º de junho. A chancelaria colombiana, no entanto, sustenta que a retirada das taxas não decorre de uma negociação eleitoral, mas de ordens da secretaria-geral da Comunidade Andina.

“As questões comerciais e de integração devem permanecer à margem de considerações político-eleitorais e ser geridas com estrito respeito à soberania dos Estados”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores da Colômbia.

O presidente Gustavo Petro também criticou o gesto de Noboa e acusou o governo equatoriano de tentar favorecer a extrema direita colombiana. A tensão acrescenta um componente diplomático à reta final da campanha presidencial, já marcada por forte polarização.

A crise entre os dois vizinhos envolve temas sensíveis para ambos os governos: segurança de fronteira, comércio bilateral, integração regional e combate ao narcotráfico.

Agora, a disputa também passa a pesar no ambiente político colombiano, a menos de 24 horas da votação.

Com o anúncio de Noboa, De la Espriella tentou apresentar a retirada das tarifas como resultado de sua interlocução direta com Quito.

O governo colombiano, por sua vez, busca enquadrar a decisão como cumprimento de uma determinação regional e não como vitória de campanha de um candidato.

AutorLetícia Ozório
FonteExame
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