Colômbia começa 2º turno com esquerda no ataque e direita com apoio de Trump

O segundo turno da eleição presidencial na Colômbia começou em modo tenso. O candidato Iván Cepeda, que terminou em segundo lugar no primeiro turno, subiu o tom, com apoio do presidente Gustavo Petro, seu aliado. Os dois questionaram o resultado das urnas e o adversário, Abelardo de la Espriella, está sendo chamado de "ladrão dos ladrões".
"Espere que as próximas três semanas estejam entre as mais polarizadas já feitas, mas ao contrário de 2022, desta vez a escalada vem principalmente da esquerda, enquanto a direita tenta moderar sua imagem", diz análise da consultoria Aurora Macro Strategies.
Cepeda chegou em segundo lugar, com 40% dos votos, e ficou atrás de Abelardo de la Espriella, de direita, que somou 43%, segundo a apuração oficial. O segundo turno será em 21 de junho.
Uma primeira pesquisa divulgada antes do segundo turno, da AtlasIntel, aponta Espriella como favorito para vencer a disputa presidencial, com 50,3% dos votos, ante 42,6% de Cepeda. O estudo foi feito na segunda, 1º, e terça, 2.
Questionamento aos resultados
Pouco após a divulgação dos resultados, Cepeda e Petro questionaram o resultado do primeiro turno. Eles disseram ter indícios de que houve fraude na votação, mas não apresentaram provas.
Ao longo da segunda-feira, várias autoridades colombianas, bem como grupos de observadores internacionais, reafirmararm que as eleições foram limpas e que as queixas não procedem.
"Não permitiremos que nossa democracia seja roubada; defenderemos nossa pátria pela razão ou pela força", disse Espriella. "À comunidade internacional: Maduro roubou as eleições; isso já aconteceu uma vez. Mantenham os olhos na Colômbia e não permitam que Petro e Cepeda façam o mesmo.
Apoio de Trump
Na noite de terça-feira, 2, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou apoio a Espriella.
Em uma postagem na rede Truth Social, Trump disse que Espriella é "um líder inteligente, forte e determinado" e declarou seu apoio. "Os resultados desta eleição são muito importantes para o futuro da Colômbia e para sua relação com os Estados Unidos. Devido às suas enormes realizações na vida e ao seu apoio político pessoal, é uma honra conceder a Abelardo meu apoio total e irrestrito", escreveu.
Em declarações à imprensa, Cepeda afirmou que a posição de Washington tem um "tom ingerencista" e representa "um grave risco para a soberania e para a integridade do povo e da nação colombiana".
A estratégia de Cepeda
A campanha do partido Pacto Histórico, de Petro e Cepeda, planeja colocar a disputa como uma defesa da democracia e dos direitos humanos. "Sim aos direitos, não à direita" é um dos lemas.
O partido também quer retratar Espriella como fascista, por suas políticas de linha-dura no combate ao crime e suas falas consideradas machistas.
"Vamos estimular mais gente a ir votar, mudar a comunicação e levar o candidato a dar mais entrevistas", disse Gustavo Bolívar, ex-senador e integrante do Pacto Democrático.
O presidente Petro também deverá entrar de forma mais intensa na campanha, apesar das limitações legais do país para que o mandatário defenda um dos candidatos.
Membros da campanha de Cepeda buscam destacar que a esquerda teve mais votos absolutos neste ano do que na eleição de Petro em 2022 mas isso, ao mesmo tempo, traz uma dificuldade: há menos espaço para onde crescer.
"O caminho do Pacto para alcançar 50%+1 agora exigirá que os 9,68 milhões de votos do Cepeda aumentem para aproximadamente 11,5 milhões em três semanas — uma expansão de 19% de uma base que já cresceu 13% além do desempenho do Petro na primeira rodada de 2022", diz a análise da Aurora.
"A participação na segunda rodada pode aumentar modestamente, e encontrar 1,8 milhão de novos votos líquidos para Cepeda em três semanas será uma tarefa muito difícil", avalia a consultoria.
A estratégia de Espriella
Pouco após a divulgação do resultado do primeiro turno, ainda no domingo, Espriella recebeu apoio da direita tradicional. A candidata Paloma Valencia, que teve 6% dos votos, o endossou, assim como o ex-presidente Álvaro Uribe.
O advogado, no entanto, agradeceu o apoio, mas disse que não fará parcerias. "Não farei acordos com partidos ou dirigentes tradicionais, nem por debaixo nem por cima da mesa", afirmou, em postagem nas redes sociais.
No segundo turno, a campanha de Espriella analisa preparar grandes ações para manter o candidato em evidência. Um grande comício em uma arena de shows é uma opção, assim como novas entrevistas com influenciadores. Na véspera da eleição, ele falou com Westcol, um dos principais nomes da Colômbia nas redes sociais.
Há também expectativa para o primeiro debate na TV entre os dois candidatos, que está sendo negociado para o dia 9. Na primeira etapa, não houve acordo entre as campanhas para fazer um programa do tipo.
