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Sacre Investimentos
InvestMercados
06/08/2026
4 min

Com 14 novas lojas no radar, CEO da Riachuelo minimiza eleições e foca no longo prazo

Lucro recorde e margem em alta reforçam plano de expansão física da companhia, que diz estar preparada para diferentes cenários econômicos

Com 14 novas lojas no radar, CEO da Riachuelo minimiza eleições e foca no longo prazo

A Riachuelo (RIAA3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com o melhor resultado da história da companhia para o período, mas, em meio a um cenário de juros elevados, consumo ainda pressionado e proximidade das eleições, a varejista afirma que mantém uma visão de longo prazo para o negócio. Para o CEO, André Farber, a estratégia da empresa é seguir investindo no Brasil independentemente do ambiente político.

"Ela [Riachuelo] já passou por vários ciclos. A mentalidade da companhia é de que ela acredita muito no futuro, muito otimista, acredita muito no Brasil e está sempre investindo no longo prazo. Então, nós estamos aqui para o longo prazo, nós estamos aqui para investir no Brasil", afirmou.

A confiança do executivo, segundo Farber, está apoiada na capacidade operacional construída pela companhia nos últimos anos e nos resultados recentes. Entre abril e junho, a varejista registrou o maior lucro para o período em sua história, com R$ 168 milhões, alta de 36,2% na comparação anual, além de expansão de margens e crescimento da operação de moda.

Mesmo diante da proximidade das eleições, Farber afirma que a estratégia da companhia é combinar otimismo com capacidade de adaptação. "As empresas que duram são empresas que são otimistas, que investem no longo prazo, mas também são muito adaptáveis. Então eu vejo que a gente opera esses dois lados, o lado de saber que acredita que o futuro vai ser bom, mas também estar preparado caso qualquer coisa aconteça que não seja tão boa para a gente poder se mexer rápido", disse.

Riachuelo retoma abertura de lojas no 2° semestre com 14 novas operações

A visão de longo prazo também se reflete no plano de investimentos da companhia. Após um período de maior disciplina na expansão física, a Riachuelo afirma estar retomando um movimento mais robusto de abertura e modernização de lojas, como parte da estratégia de fortalecer a presença da marca e melhorar a experiência do consumidor.

No segundo semestre, a companhia prevê a abertura de 14 novas lojas, segundo o executivo, e a reforma de sete unidades para o novo formato. Farber explica que esse movimento é uma demonstração de que a empresa está preparada para investir mesmo diante de um cenário marcado por juros elevados e incertezas eleitorais.

"Nós retomamos o nosso plano de investimento agora no segundo semestre. Vamos abrir 14 novas lojas. É um novo momento da companhia de voltar a abrir loja de forma mais robusta. Vamos reformar sete lojas para o formato novo", afirmou o executivo.

O CEO afirmou que os investimentos seguem uma disciplina de retorno e que a expansão não depende de uma visão de curto prazo sobre o ambiente econômico. "Exigimos para essas aberturas uma taxa de retorno bastante acima da taxa de juros normal. A gente vê que o mercado tem recebido bem, a gente está bastante confiante", disse.

Além das novas unidades, a companhia aposta na reformulação da experiência dentro das lojas existentes, com o conceito "Incrivelmente Brasil". A estratégia busca ampliar a conexão da marca com o consumidor por meio de melhorias na operação, inovação em produtos e tecnologia.

"O grande foco é a força do produto, a força da experiência de loja. Vem um grande pacote de reformulação das nossas lojas, mas também um grande pacote de colaborações, inovações de tecnologia e produto", afirmou.

Riachuelo tem lucro recorde, apesar de vendas menores

Além do recorde do lucro no 2° trimestre, o Ebitda consolidado da companhia alcançou R$ 461 milhões no segundo trimestre, crescimento de 12,7% frente ao mesmo período de 2025, enquanto a margem Ebitda ajustada atingiu 17,1%, o maior nível para um segundo trimestre em 12 anos.

Na operação de vestuário, principal negócio da varejista, o Ebitda chegou a R$ 342 milhões, alta de 14,7%, com margem Ebitda de 17%, maior patamar em 11 anos para o período. A margem bruta da unidade alcançou 59,2%, recorde para um segundo trimestre e o 11º trimestre consecutivo de expansão.

Apesar dos avanços, o ritmo de vendas apresentou desaceleração. O indicador de vendas em mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês) de vestuário cresceu 7,8% no trimestre, após alta de 10,1% no primeiro trimestre e de 15,8% no segundo trimestre de 2025.

Segundo Farber, a comparação não representa uma perda de força estrutural, mas reflete principalmente o impacto da Copa do Mundo sobre o fluxo das lojas físicas, especialmente em shoppings. "Se tirássemos o efeito Copa, teríamos crescido acima de 10%", afirmou.

AutorClara Assunção
FonteExame
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