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Mundo
10/06/2026
4 min

Com 65 conflitos armados e 245 mil mortes, 2025 bate recorde desde a Segunda Guerra

Com 65 conflitos armados e 245 mil mortes, 2025 bate recorde desde a Segunda Guerra

Um novo relatório do Instituto de Pesquisa pela Paz de Oslo (Prio, na sigla em inglês) mostra uma tendência global preocupante: desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o ano de 2025 foi o que registrou o maior número de conflitos armados.

Segundo o estudo, chamado Conflict Trends, o ano passado registrou 65 conflitos armados que envolvem Estados nacionais em 35 países e cerca de 245 mil mortes como consequência direta de combates, o maior número desde 1946. O estudo nota que, apesar do alto número, a cifra não inclui mortes decorrentes de consequências indiretas do combate, como a falta de infraestrutura, de acesso à saúde ou de segurança alimentar.

"Vale destacar que a diferença entre o número de conflitos e o número de países em conflito aumentou na última década, indicando um crescimento no número de países que abrigam múltiplos conflitos simultaneamente, como Mianmar, com cinco conflitos civis, e Israel, com dois conflitos civis e três conflitos internacionais", escreve a autora do estudo, Siri Aas Rustad.

"Além disso, vários países abrigam mais de três conflitos, como Afeganistão, Camarões, Mali, Nigéria e Paquistão. Apenas 16 dos 35 países em conflito registram um único conflito."

Os pesquisadores atribuem a tendência a um cenário geopolítico incerto, polarizador e tenso, marcado por diversas crises em todo o globo e por menor cooperação entre as potências, com a autora realçando as posições americanas recentes, como a guerra no Irã, como um fator importante por trás da situação.

Por sua vez, esse cenário global se traduz em um aumento preocupante de conflitos diretos entre países: em 2025, foram registrados oito — o dobro em relação ao ano anterior e um novo recorde em 80 anos.

"Essa tendência reflete uma crescente tensão no mundo, em que o protecionismo e a agressão estão se tornando cada vez mais comuns", diz Rustad, que também nota que o cenário atual apresenta um nível elevado e pouco usual de conflitos simultâneos e contínuos em todo o mundo.

Violência não estatal

O estudo também busca entender o que classifica como "violência unilateral", ou o uso de força armada contra civis — por parte do governo de um Estado ou de um grupo formalmente organizado — que resulte em pelo menos 25 mortes relacionadas a combates por ano.

Segundo os pesquisadores, esses conflitos levaram a 76,5 mil mortes em 2025, um aumento considerado preocupante em relação às cerca de 14 mil mortes do ano anterior. Esse é o maior número desde o genocídio de Ruanda em 1994, aponta o insituto, que destacou as intensas ondas de violência no Sudão como o principal fator — massacres no país teriam causado até 60 mil mortes.

Mesmo fora do país, a tendência de violência conduzida por grupos não estatais também é preocupante: em 2025, foram registrados 75 desses conflitos.

Apesar de o número ser uma leve queda em relação aos 79 do ano anterior, o dado sugere que esse tipo de violência está mais estabilizada e entrincheirada em países do que há uma década. Esses conflitos, aponta o instituto, resultaram em aproximadamente 14,5 mil mortes diretamente relacionadas ao combate entre atores não estatais no ano passado.

A maior parte desse tipo de violência vem da África e das Américas, onde organizações jihadistas e cartéis do narcotráfico protagonizam os conflitos, respectivamente. Por sua vez, países na Europa e na Ásia reportam níveis relativamente baixos de violência não estatal.

O estudo aponta ainda que, "nas Américas, os conflitos não estatais tendem a envolver atores altamente organizados, enquanto na África, os conflitos comunitários são mais comuns".

Metodologia

O instituto utiliza uma metodologia própria de classificação dos conflitos. Entenda as definições:

Conflito baseado no Estado (State-based conflict): incompatibilidade contestada em relação ao governo e/ou ao território, na qual pelo menos uma das partes é um Estado e o uso da força armada resulta em pelo menos 25 mortes relacionadas a combates dentro de um ano-calendário.

Conflito não estatal (Non-state conflict): uso da força armada entre grupos organizados, nenhum dos quais é o governo de um Estado, resultando em pelo menos 25 mortes relacionadas a combates em um ano.

Violência unilateral (One-sided violence): uso da força armada contra civis — por parte do governo de um Estado ou de um grupo formalmente organizado — que resulte em pelo menos 25 mortes relacionadas a combates por ano. Estão excluídas as execuções extrajudiciais ocorridas sob custódia.

Mortes relacionadas a combates (Battle-related deaths): fatalidades causadas pelas partes em conflito que podem ser diretamente associadas aos combates, incluindo perdas civis.

Guerra (War): conflito ou díade (par de atores em conflito) que registra pelo menos 1.000 mortes relacionadas a combates em um ano-calendário.

AutorMatheus Gonçalves
FonteExame
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