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InvestMercadosCMDT
21/06/2026
3 min

Com acordo entre EUA e Irã, o petróleo vai cair? O que diz o Goldman Sachs

Com acordo entre EUA e Irã, o petróleo vai cair? O que diz o Goldman Sachs

O petróleo entrou em uma nova fase depois do acordo provisório entre os Estados Unidos e o Irã para estender o cessar-fogo e reabrir gradualmente o Estreito de Ormuz.

Na sexta-feira, 19, o Brent fechou perto de US$ 80 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) ficou em torno de US$ 76,5.

A queda recente, porém, não significa retorno ao cenário anterior à guerra. O Brent chegou a cerca de US$ 118 em abril, no auge do conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel, mas ainda está acima dos US$ 60 registrados no início de janeiro, segundo relatório do Goldman Sachs.

"A maior parte dos movimentos de preço provavelmente já está precificada", disse Jerome Dortmans, co-head global de negociação de petróleo e derivados do banco americano.

O banco avalia que o mercado pode caminhar para um ambiente mais equilibrado, mas ainda vulnerável a novas manchetes sobre a negociação entre Washington e Teerã.

O novo piso do petróleo

Para Dortmans, o petróleo tende a cair gradualmente, mas não de forma linear. Segundo o executivo, o mercado deve recuar aos poucos.

O motivo é que os estoques globais foram reduzidos durante o conflito e precisarão ser recompostos nos próximos meses.

Na avaliação do Goldman Sachs, o Brent deve encontrar um piso inicial entre US$ 70 e US$ 75 por barril, mesmo se houver avanço na normalização do fluxo pelo Estreito de Ormuz.

O estreito é uma das rotas mais relevantes para o mercado global de energia. Antes da guerra, cerca de 25% do petróleo transportado por via marítima passava pela região, segundo o banco.

Investidores já apostam em queda maior

Parte dos investidores institucionais já trabalha com a hipótese de o petróleo cair rapidamente para a faixa de US$ 50 a US$ 60 por barril, segundo Dortmans.

Essa visão depende de um acordo definitivo entre os Estados Unidos e o Irã e de uma recomposição acelerada da oferta.

O próprio Goldman Sachs adota uma leitura mais cautelosa. Em análise recente, o banco indicou que o Brent pode encerrar o ano próximo de US$ 80 e recuar gradualmente nos anos seguintes caso o cenário geopolítico continue se normalizando.

O risco, porém, continua elevado. Se o fluxo pelo Estreito de Ormuz voltar a sofrer interrupções ou se as negociações fracassarem, o mercado pode voltar a precificar escassez de oferta.

Ormuz ainda define o preço

O acordo entre EUA e Irã prevê a extensão do cessar-fogo por 60 dias e permite a retomada das exportações iranianas durante esse período.

A reabertura de Ormuz é o ponto central para o mercado porque dezenas de milhões de barris ficaram represados no Golfo durante o conflito.

A leitura do banco é que o mercado deve operar de forma mais normalizada na primeira metade desse prazo de 60 dias. Depois disso, os preços podem voltar a oscilar caso surjam dúvidas sobre a possibilidade de um acordo permanente.

O petróleo caiu porque os investidores passaram a precificar a reabertura gradual do estreito. Mas o novo equilíbrio ainda depende de uma condição que não está garantida: que a paz provisória se transforme em fluxo permanente de barris.

AutorTamires Vitorio
FonteExame
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