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Sacre Investimentos
InvestMercados
28/06/2026
4 min

Com alta de 70% em um ano, bolsa do Japão arruma casa para receber mais investidores

Com alta de 70% em um ano, bolsa do Japão arruma casa para receber mais investidores

A Bolsa de Valores de Tóquio está prestes a realizar o que muitos especialistas consideram a maior reformulação de sua infraestrutura tecnológica desde a criação do sistema atual, investindo 100 milhões de ienes ou cerca de US$ 619 mil para dar conta de um volume de negócios altíssimo.

A meta é quase dobrar a capacidade de processamento do sistema Arrowhead, saltando dos atuais 830 milhões de transações diárias para um limite de 1,5 bilhão de operações por dia até novembro, segundo informações do Nikkei Asia.

Esse movimento técnico é uma resposta direta à realidade das telas dos operadores, onde o índice Nikkei 225 tem batido recordes históricos sucessivos, acumulando uma valorização de 78% nos últimos doze meses e atraindo uma avalanche de capital internacional que há muito tempo não se via por lá.

Todavia, essa necessidade de expansão surge em um momento em que o iene atinge suas menores cotações em décadas, ultrapassando a barreira dos 161 por dólar, o que, embora acenda alertas para a economia real, acaba barateando os ativos locais para quem vem de fora.

Infraestrutura sob pressão histórica

O mercado vive uma espécie de retorno ao passado, lembrando de quando o Japão era o porto seguro da liquidez global. Em 2006, a bolsa foi forçada a paralisações e reduções de horário porque o sistema simplesmente não aguentou o peso das ordens de venda durante o escândalo da empresa de tecnologia Livedoor.

Mais recentemente, em abril de 2025, o mercado japonês enfrentou um novo teste quando o anúncio de novas tarifas comerciais pelo governo dos Estados Unidos provocou um pânico vendedor, levando o volume diário a 370 milhões de trades, um recorde na época.

A bolsa japonesa agora deve manter a capacidade sempre no dobro do maior volume máximo antecipado, e como as projeções agora apontam para picos de 750 milhões de ordens, o novo teto de 1,5 bilhão foi estabelecido para evitar qualquer risco de "crash" tecnológico.

Negociadores de alta frequência dominam

Essa euforia nos terminais de negociação é alimentada por uma mudança profunda no perfil de quem opera, com os chamados negociadores de alta frequência dominando entre 70% e 80% de todas as ordens enviadas à bolsa, utilizando algoritmos complexos que compram e cancelam ativos em milissegundos.

Além dos robôs, há um exército de investidores individuais que redescobriu o mercado doméstico após grandes corretoras como a SBI Securities e a Rakuten Securities eliminarem as taxas de corretagem para ações locais no final de 2023.

O resultado foi imediato e a SBI viu suas ordens diárias saltarem para 4,45 milhões, o dobro do volume anterior, enquanto a Rakuten também registrou um crescimento superior a 100%, alcançando 3,07 milhões de transações por dia.

O investidor institucional também mudou sua tática, adotando o chamado "fatiamento de ordens" (order slicing), que consiste em dividir uma grande compra em centenas de pequenas operações para evitar que o preço do papel dispare antes que a ordem seja 100% executada.

Política, fluxo estrangeiro e nova leitura do Japão

Já a política desempenha um papel de sustentação nesse novo cenário, com a reeleição da primeira-ministra Sanae Takaichi em fevereiro servindo como um catalisador para a estabilidade, reduzindo o risco percebido e atraindo o investidor estrangeiro, que chegou a injetar 1,8 trilhão de ienes em uma única semana antes do pleito.

O mercado japonês, segundo estrategistas do Goldman Sachs, entrou no que chamam de "fase de entrega", onde as reformas de governança e o foco na rentabilidade (ROE) precisam mostrar resultados reais para manter o rali vivo.

Há também um componente de autoproteção dos investidores locais que está ajudando. Em maio, os japoneses realizaram a maior venda de ações estrangeiras em cinco anos, retirando 2,72 trilhões de ienes do exterior para fugir da volatilidade do setor de tecnologia e dos conflitos no Oriente Médio.

Neste ano, o SoftBanktambém acabou superando a Toyota em valor de mercado, sinalizando que o Japão tem acompanhado a inovação voltada à inteligência artificial (IA) e não apenas como um exportador de automóveis, o que atrai ainda mais liquidez para setores de alta tecnologia.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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