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NegóciosMPOL
23/10/2026
7 min

Com as bets fora de jogo, Fatal Model quer patrocinar mais clubes e faturar R$ 200 milhões

Empresa de anúncios de acompanhantes já patrocinou mais de 30 clubes, fez propostas a Flamengo e Corinthians e quer aproveitar a queda dos preços das cotas de patrocínio

Com as bets fora de jogo, Fatal Model quer patrocinar mais clubes e faturar R$ 200 milhões
RESUMO +

A plataforma de anúncios de acompanhantes Fatal Model avalia ampliar o patrocínio a clubes brasileiros após a proibição das casas de apostas, em vigor desde 6 de outubro. A empresa, que já apoiou mais de 30 times desde 2022, apresentou propostas para o patrocínio master de Flamengo e Corinthians. A Fatal Model projeta faturar entre R$ 180 milhões e R$ 200 milhões em 2026.

A proibição das casas de apostas no Brasil abriu uma oportunidade de negócios para empresas interessadas em patrocinar clubes de futebol. Uma das companhias de olho nesse mercado é a Fatal Model, plataforma de anúncios de acompanhantes fundada em Pelotas, no Rio Grande do Sul, que projeta faturar R$ 200 milhões em 2026. 

A empresa já patrocinou mais de 30 clubes brasileiros desde 2022 e agora avalia ampliar sua presença nos uniformes dos times, inclusive nas cotas de patrocínio principal, conhecidas como master. Recentemente, apresentou propostas para ocupar esse espaço nas camisas de Flamengo e Corinthians.

O movimento ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinar, em 25 de setembro, a Medida Provisória nº 1.394, que proibiu a exploração e a publicidade de apostas esportivas e jogos online no país. As bets tiveram até 5 de outubro para retirar os materiais de patrocínio e publicidade. A partir do dia 6, seus sites e aplicativos deveriam ficar indisponíveis.

Para a Fatal Model, a saída dessas empresas pode tornar mais baratos os espaços publicitários que antes eram disputados pelas casas de apostas.

"Com as bets pagando imposto e o aumento dos custos operacionais por causa da legalização da nova legislação, as bets diminuíram os apetites de ativos de marketing no mercado", afirma Samuel Ongaratto, diretor de negócios da Fatal Model, em entrevista à EXAME.

A companhia já vinha registrando crescimento antes da mudança na legislação. O faturamento passou de R$ 99,9 milhões em 2024 para R$ 136,7 milhões em 2025, uma alta de 37%. Nos primeiros nove meses de 2026, alcançou R$ 138 milhões, superando a receita de todo o ano anterior.

Hoje, a empresa conta com cerca de 300 funcionários e afirma receber 30 milhões de usuários únicos por mês.

Como a proibição das bets pode beneficiar a Fatal Model

A estratégia de patrocínios da Fatal Model começou em 2022, com investimentos em equipes das séries B e C do Campeonato Brasileiro. A empresa ampliou sua atuação nos anos seguintes, chegando a competições como a Série A, a Supercopa do Brasil e amistosos da Seleção Brasileira.

Atualmente, a companhia mantém contratos com quatro clubes. A Fatal Model patrocina o Remo, enquanto a Fatal Fans, sua plataforma de conteúdo por assinatura, aparece no calção do Corinthians e nos uniformes do Operário e do Vila Nova.

Até agora, a companhia não assumiu o posto de patrocinadora master de nenhum desses times. O cenário pode mudar com a proibição das bets.

"Então a gente viu muita propriedade, principalmente uniforme, baixarem significativamente o valor do ano passado para cá. E com a proibição das bets, a gente entende que esse movimento vai ser ainda maior", afirma Ongaratto.

Segundo o executivo, a concorrência das casas de apostas elevou o preço dos principais contratos de patrocínio nos últimos anos, tornando algumas negociações inviáveis para a Fatal Model.

A companhia também fez propostas recentes para assumir espaços nas camisas de Flamengo e Corinthians, disse o executivo.

"A gente acredita que se essa proibição continuar, talvez os valores dos master fiquem mais acessíveis. E aí, talvez no futuro, a gente venha aí a estampar o master de algum time", diz.

O interesse pelo futebol, porém, não se limita à exposição nos estádios. A estratégia também busca colocar a marca nas transmissões e nos programas esportivos da televisão aberta. "Na verdade, o nosso caminho no futebol, ele foi construído para estar presente na TV", afirma o executivo.

A empresa pretende ampliar sua presença em emissoras como Globo e SBT. Segundo Ongaratto, a Fatal Model já mantém ações publicitárias com a Band, além de parcerias com rádios e podcasts.

Como atua no mercado adulto, a companhia afirma limitar sua publicidade esportiva à divulgação institucional das marcas, sem promover diretamente a contratação de acompanhantes ou a compra de conteúdo.

Samuel Ongaratto, diretor de negócios da Fatal Model: empresa mira faturar até R$ 200 milhões em 2026 e ampliar sua presença no futebol. (Fatal Model/Divulgação)

De onde vem o faturamento da Fatal Model

Fundada em 2016, em Pelotas, a Fatal Model surgiu como uma plataforma digital de classificados para acompanhantes. O projeto foi idealizado por Jean Felipe Garcia Quadro, atual CEO da empresa, que já havia participado da criação da Melhor Envio, startup de soluções logísticas posteriormente vendida à Locaweb.

O negócio permite que acompanhantes criem perfis gratuitamente para anunciar seus serviços. Quem deseja ganhar maior exposição no site pode contratar planos pagos para destacar os anúncios. É dessa publicidade que vem a maior parte da receita da Fatal Model. Segundo Ongaratto, cerca de 90% do faturamento da plataforma está relacionado ao impulsionamento de anúncios.

A companhia afirma que não recebe comissão pelos atendimentos realizados pelos acompanhantes nem intermedeia o pagamento desses serviços. Seu negócio principal consiste em vender espaço publicitário digital.

O crescimento da receita ganhou força nos últimos anos. Em 2021, a empresa faturou R$ 14,5 milhões. No ano seguinte, o valor chegou a R$ 37,9 milhões. Em 2023, alcançou R$ 63,8 milhões e, em 2024, aproximou-se da marca de R$ 100 milhões.

Para 2026, a projeção de faturamento de R$ 200 milhões representa um crescimento de 46% em relação ao ano passado.

A estratégia financeira da companhia é direcionar os recursos gerados pela operação para o próprio negócio, principalmente em tecnologia, contratação de funcionários e marketing. "A gente não foca em lucratividade, a gente foca em crescimento", afirma Ongaratto.

Segundo o executivo, os sócios não realizam distribuição de lucros desde a fundação da empresa.

A Fatal Model também investiu no desenvolvimento de ferramentas de verificação de identidade. Os acompanhantes precisam apresentar documentos, passar por reconhecimento facial e produzir vídeos que permitem conferir se as imagens publicadas correspondem à pessoa responsável pelo anúncio.

A empresa tem cerca de 80 mil acompanhantes com cadastros ativos e verificados. Sua equipe de 300 funcionários inclui dez times de desenvolvimento de tecnologia.

Como a Fatal Model compete com OnlyFans e Privacy

A aposta mais recente da companhia é a Fatal Fans, plataforma de venda de conteúdo por assinatura criada no final de 2025 para disputar mercado com empresas como OnlyFans e Privacy.

A nova operação funciona de maneira diferente do negócio original. Enquanto a Fatal Model cobra por anúncios destacados, a Fatal Fans recebe um percentual sobre a venda de conteúdos digitais publicados pelos criadores.

A taxa padrão da empresa é de 15%, mas pode ser negociada com produtores de maior alcance. Segundo Ongaratto, há contratos com comissões próximas de 10%.

A Fatal Model utilizou sua base de acompanhantes para atrair os primeiros criadores da Fatal Fans. Depois, passou a buscar produtores que já vendiam conteúdo em outras plataformas.

A companhia afirma não exigir exclusividade como regra para a utilização de seus serviços. Dessa forma, os criadores podem manter perfis em plataformas concorrentes.

A nova frente também passou a fazer parte da estratégia de marketing esportivo. É a marca Fatal Fans que aparece no calção do Corinthians, enquanto a Fatal Model permanece associada a outros contratos.

Embora a operação seja recente, a companhia vê na venda de conteúdo por assinatura uma maneira de ampliar as fontes de receita e aproveitar o público que já frequenta seu site de anúncios.

Com a saída das bets do futebol, a empresa pretende usar a exposição das duas marcas nos uniformes e nas transmissões esportivas para sustentar sua expansão.

O objetivo, segundo Ongaratto, é continuar investindo em publicidade e tecnologia, mantendo a estratégia de crescimento que levou o negócio a ultrapassar R$ 500 milhões em faturamento acumulado.

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
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