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Sacre Investimentos
BrasilInfraestruturaACS
25/06/2026
4 min

Com carteira de R$ 60 bi, EcoRodovias foca em ampliar contratos de suas 12 concessões

Com carteira de R$ 60 bi, EcoRodovias foca em ampliar contratos de suas 12 concessões

Apesar do bom momento da carteira de projetos dos governos federal e estaduais, a EcoRodovias mira outras prioridades. Segundo o CEO da empresa, Marcello Guidotti, a postura do momento é de seletividade.

"Temos estudado mais leilões, mas escolhemos ser bem seletivos nas nossas decisões de investimento", afirmou ao programa EXAME Infra.

Com cerca de R$ 60 bilhões em investimentos até o final das 12 concessões que administra hoje, a empresa avalia que a prioridade está na execução dos contratos já conquistados e na busca por oportunidades que complementem a malha atual.

"Grande parte desse investimento é manutenção contínua. Nos próximos cinco ou sete anos, devem acontecer os investimentos de expansão e aumento de capacidade", disse Guidotti.

De acordo com o executivo, a concessionária tem cerca de R$ 30 bilhões em investimentos concentrados nos próximos cinco a sete anos, valor destinado principalmente às obras de expansão previstas em contratos recentes.

Entre os principais projetos em andamento estão os investimentos nas concessões Ecovias Norte Minas, Ecovias Noroeste Paulista, Ecovias Araguaia, Ecovias Capixaba e na recém-conquistada Rota das Gerais.

Crescimento com sinergia

A seletividade da EcoRodovias não significa afastamento do mercado de concessões. A companhia continua acompanhando os novos projetos que chegam ao mercado, mas adota critérios cada vez mais rigorosos para definir onde irá competir.

Guidotti citou como exemplo a Rota das Gerais, leilão vencido recentemente pela empresa. Segundo ele, a concessão se conecta a corredores já operados pela companhia e permite a formação de grandes eixos logísticos voltados principalmente ao transporte de cargas.

“A Gerais conecta dois corredores que já temos e forma dois grandes corredores norte-sul. São operações que serão conduzidas com total sinergia com os ativos atuais”, disse

Nova fase das concessões

Além da disciplina na disputa por novos ativos, a companhia avalia que o setor entra em uma etapa diferente daquela observada nos últimos anos.

Na visão de Guidotti, os principais corredores rodoviários economicamente mais atrativos já foram concedidos. Com isso, ganha força uma agenda voltada à modernização e ampliação dos contratos existentes por meio de aditivos contratuais.

“A fronteira das privatizações acaba tendo um limite. Pensar em aditivos contratuais faz mais sentido para nós agora do que participar de novos leilões”, disse.

A EcoRodovias já discute uma série de oportunidades desse tipo. Segundo Guidotti, o principal tema em análise envolve a elaboração dos estudos, projetos e licenciamento para uma terceira ligação entre o planalto e a Baixada Santista, iniciativa que poderá embasar futuras discussões sobre um aditivo contratual.

A concessionária também trabalha em melhorias nos acessos portuários e em iniciativas de modernização do Sistema Anchieta-Imigrantes, incluindo a futura implantação do sistema Free Flow e novas tecnologias de gestão de tráfego.

Desafio é executar

Para Guidotti, o foco do setor não está apenas em conquistar novos contratos, mas principalmente em garantir a entrega dos investimentos já contratados.

Em um momento em que diversas concessionárias avançam simultaneamente com programas de investimentos decorrentes dos leilões realizados nos últimos anos, o executivo aponta que o principal desafio passa a ser a capacidade de execução.

Entre os pontos de atenção estão a disponibilidade de mão de obra especializada, a contratação de fornecedores e a pressão de custos sobre insumos como diesel e asfalto.

“Hoje o risco de execução é um tema atual. É preciso ter capacidade de desenvolver projetos, contratar, acompanhar obras e entregar os investimentos dentro do cronograma previsto”, afirmou.

Segundo ele, a companhia vem se preparando há anos para enfrentar esse novo ciclo de investimentos, ampliando sua estrutura operacional, fortalecendo a relação com parceiros e investindo em tecnologia para aumentar a produtividade das obras e da operação rodoviária.

Para a EcoRodovias, o próximo capítulo do setor será menos marcado pela corrida por novos ativos e mais pela capacidade de transformar os contratos existentes em entregas concretas para usuários e operadores logísticos.

AutorLetícia Cassiano
FonteExame
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