Com colapso da rede elétrica, Cuba enfrenta escuridão a nível nacional
O sistema, que já era antiquado, se deteriorou ainda mais após meses de bloqueio e sanções americanas resultarem na falta de combustível e manutenção

A rede elétrica de Cuba sofreu mais um colapso nacional neste domingo, 2, ampliando a crise energética que atinge a ilha ao longo de 2026. Antes da falha generalizada, a empresa de eletricidade de Havana já havia relatado apagões causados por transformadores danificados, falhas em circuitos e cortes programados devido à insuficiência de geração.
Nas primeiras horas do dia, dezenas de reclamações permaneciam sem solução em municípios da capital, como Guanabacoa, Habana del Este, La Lisa e Marianao, segundo a Reuters. Com um colapso total da rede, esses problemas afetaram tanto as áreas residenciais quanto os serviços públicos.
Em casos de colapso geral, as autoridades cubanas costumam iniciar a recuperação por meio da criação de pequenas redes isoladas. Essas estruturas priorizam hospitais, sistemas de abastecimento de água e instalações de alimentos antes da reconexão gradual das usinas de maior porte.
O apagão deste domingo é o mais recente de uma sequência de falhas nacionais registrada neste ano: em julho, a rede elétrica entrou em colapso três vezes em apenas nove dias, incluindo dois apagões que atingiram toda a ilha na mesma semana.
Um desses episódios deixou cerca de 10 milhões de pessoas sem eletricidade. Mesmo após a reconexão da rede, o governo enfrentou dificuldades para restabelecer o fornecimento, pois a capacidade de geração continuou insuficiente para atender à demanda.
Escuridão
O sistema elétrico cubano vem se deteriorando em meio à escassez de combustível, peças de reposição e sucessivas falhas em usinas termelétricas envelhecidas. Algumas instalações têm mais de 30 anos e receberam manutenção limitada ao longo das últimas décadas.
O governo cubano atribui parte da crise aosEstados Unidos, acusando Washington de restringir severamente o acesso da ilha a petróleo, financiamento e equipamentos. As autoridades afirmam que as sanções agravaram as dificuldades operacionais do setor energético.
Segundo Havana, Cuba perdeu uma importante fonte de combustível após o endurecimento das restrições impostas pelo presidente Donald Trump. A Venezuela, principal fornecedora tradicional de petróleo da ilha, reduziu sua capacidade de abastecimento, enquanto as importações provenientes do México também foram interrompidas em meio ao aumento da pressão dos EUA.
Especialistas e críticos do governo consultados pela Al Jazeera, por outro lado, também realçam décadas de subinvestimento e má gestão no setor elétrico. Para eles, a combinação de infraestrutura obsoleta, falta de manutenção e planejamento insuficiente contribuiu para a recorrência dos apagões.
As interrupções prolongadas têm afetado o transporte, o abastecimento de água, as comunicações e os serviços médicos em diferentes regiões do país. Nas residências, muitas famílias enfrentam dificuldades para conservar alimentos, preparar refeições e, inclusive, dormir durante o forte calor do verão cubano.
