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Sacre Investimentos
Economia
30/07/2026
4 min

Com déficit de R$ 48,2 bi em junho, Governo acumula rombo de R$ 92,2 bi em 2026

Déficit das contas públicas foi impulsionado por precatórios, Previdência e aumento das despesas; governo afirma que resultado segue compatível com o cumprimento da meta fiscal de 2026

Com déficit de R$ 48,2 bi em junho, Governo acumula rombo de R$ 92,2 bi em 2026

O Governo Federal brasileiro apresentou em junho um déficit primário de R$ 48,2 bilhões, resultado R$ 4 bilhões acima do de junho do ano passado. Ao todo, em 2026 o Estado já acumulou um débito de R$ 92,2 bilhões, o segundo pior resultado da série histórica do Tesouro Nacional, iniciada em 1997, atrás apenas de 2020.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira, 30, pelo Tesouro. Apesar do rombo, o Tesouro Nacional e o Banco Central fecharam, juntos, um mês superavitário em R$ 2,3 bilhões. Já a Previdência Social (RGPS) teve o pior resultado, com déficit de R$ 50,5 bilhões.

Na comparação em 12 meses encerrados em junho, o déficit primário do Governo Central alcançou R$ 144,1 bilhões, equivalente a 1,08% do Produto Interno Bruto (PIB).

O resultado primário mede a diferença entre as receitas e as despesas do governo antes do pagamento dos juros da dívida pública. Quando as despesas superam a arrecadação de impostos, contribuições e outras receitas, o resultado é um déficit primário. Já quando as receitas são maiores do que os gastos, o governo registra um superávit primário.

No cálculo divulgado pelo Tesouro Nacional entram as contas do chamado Governo Central, formado pelo Tesouro Nacional, Banco Central e RGPS. O indicador é um dos principais parâmetros para avaliar a situação fiscal do país eserve de referência para o cumprimento da meta estabelecida pelogoverno no arcabouço fiscal.

Para o Governo, o resultado do primeiro semestre foi influenciado principalmente pelo calendário de pagamento de precatórios, além do crescimento das despesas obrigatórias e discricionárias ao longo do primeiro semestre.

Segundo o Tesouro Nacional, parte dessas despesas não é considerada para fins de cumprimento da meta fiscal deste ano. Para 2026, a meta continua sendo um superávit primário de R$ 34 bilhões, com intervalo de tolerância que permite resultado entre zero e R$ 68 bilhões.

Segundo o órgão, o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do terceiro bimestre projeta, para fins de cumprimento da meta, um superávit de R$ 10,8 bilhões, considerando as despesas que podem ser excluídas do cálculo, como parte dos precatórios, gastos com projetos estratégicos de defesa, despesas temporárias em saúde e educação custeadas pelo Fundo Social e o ressarcimento dos descontos indevidos em benefícios previdenciários.

Precatórios e Previdência pressionaram as contas

No acumulado dos seis primeiros meses de 2026, o déficit foi mais de oito vezes superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando o rombo havia sido de R$ 11,3 bilhões.

Enquanto o resultado conjunto do Tesouro Nacional e do Banco Central foi superavitário em R$ 144 bilhões, a Previdência Social (RGPS) acumulou déficit de R$ 236,2 bilhões no semestre.

Segundo o Tesouro, as despesas primárias cresceram 12,3% em termos reais na comparação com o primeiro semestre de 2025, um aumento de R$ 149,2 bilhões. Os principais fatores foram:

  • Benefícios previdenciários: +R$ 44,8 bilhões;
  • Despesas discricionárias: +R$ 41,9 bilhões;
  • Sentenças judiciais e precatórios: +R$ 35,6 bilhões;
  • Pessoal e encargos sociais: +R$ 20,5 bilhões.

O governo destacou que o aumento dos benefícios previdenciários foi influenciado pelo pagamento concentrado de precatórios em março, pelo crescimento do número de beneficiários e pelos reajustes reais do salário mínimo.

Receitas cresceram, mas não evitaram o déficit

Apesar do resultado negativo, as receitas do governo também avançaram. A receita líquida cresceu 5,6% em termos reais no primeiro semestre, impulsionada principalmente pelas Receitas Administradas pela Receita Federal, que aumentaram 6,8%.

Entre os principais destaques estiveram a arrecadação de Cofins, Imposto de Renda, IOF e outras receitas administradas, além do crescimento da arrecadação previdenciária.

O avanço das receitas ocorre após a arrecadação federal atingir R$ 1,58 trilhão no primeiro semestre, o maior valor da série histórica iniciada em 1995. Entre as principais fontes de crescimento estiveram a receita previdenciária, os tributos sobre a renda das empresas, o PIS/Cofins e o Imposto de Renda incidente sobre rendimentos do capital.

Ainda assim, o aumento das despesas superou o crescimento das receitas.

Em junho, a receita líquida subiu 10,3% em termos reais, enquanto as despesas cresceram 9%. No mês, o aumento dos gastos foi puxado principalmente pelos pagamentos na área de saúde, créditos extraordinários — incluindo a subvenção ao óleo diesel rodoviário —, benefícios previdenciários, seguro-desemprego e despesas com pessoal.

AutorPaloma Lazzaro
FonteExame
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