Com desconto na bolsa e renda isenta de imposto: FI-Infras são aposta para ganhar mais na renda fixa

O crédito privado passou por momentos turbulentos neste primeiro semestre, mas os fundamentos das empresas continuam sólidos e o prêmio de risco em relação aos títulos públicos (spreads) está mais equilibrado agora. Em outras palavras: há oportunidade de entrada e os fundos de infraestrutura listados (FI-Infras) são a melhor opção, segundo a Empiricus Research.
Nos últimos meses, o mercado de debêntures incentivadas — que tem isenção de imposto de renda (IR) — foi pressionado por uma combinação de eventos.
Casos de inadimplência e recuperações extrajudiciais, performance negativa dos fundos e uma sequência de resgates provocaram uma reprecificação nos preços e taxas dos títulos de dívida.
Investidores viram mais risco no investimento e passaram a exigir mais prêmio nas debêntures para financiar as empresas e seus projetos de infraestrutura.
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A questão, para a Empiricus, é que essa exigência teve origem em fatores técnicos da indústria, não em uma piora disseminada da economia ou da qualidade dos emissores, principalmente de debêntures incentivadas.
"O risco de crédito dos emissores hoje é melhor do que o movimento de preços sugere", afirmam os analistas no relatório. “É justamente dessa discrepância entre preço e risco que enxergamos oportunidades.”
Opções para investir em crédito
Na visão da casa de análise, uma das principais razões para a distorção observada no mercado está justamente na estrutura dos fundos abertos de debêntures incentivadas.
Quando os investidores pedem resgate nesses fundos, os gestores precisam gerar caixa para devolver os recursos. Em períodos de estresse, isso significa vender ativos em um mercado com menos interesse em comprar, o que pressiona os preços para baixo.
A situação fica mais delicada porque esses fundos têm regras próprias que exigem concentração em debêntures incentivadas.
Pela regulamentação, pelo menos 67% da carteira de fundos incentivados de infraestrutura deve estar alocada em debêntures incentivadas em até seis meses. Esse percentual sobe para 85% após dois anos.
Isso reduz a flexibilidade do gestor para aumentar o caixa quando o fluxo de resgates se intensifica.
Na prática, cria-se um círculo vicioso: a performance ruim dos fundos gera resgates, os resgates forçam vendas de debêntures incentivadas, as vendas pressionam os preços para baixo e a performance continua ruim e alimenta mais saídas.
FI-Infras listados tem vantagem
É justamente nesse ambiente que os fundos fechados listados em bolsa ganham relevância.
Diferentemente dos fundos abertos, eles não precisam devolver recursos aos cotistas em casos de resgates. Quem deseja sair vende suas cotas na bolsa para outro investidor, e não resgata recursos do fundo.
A carteira permanece intacta e o gestor não é obrigado a se desfazer de ativos em momentos desfavoráveis, por preços descontados.
Segundo a Empiricus, essa proteção estrutural contra resgates permite que os gestores atravessem períodos de turbulência com mais tranquilidade e aproveitem oportunidades criadas pelo aumento nos prêmios de risco (spreads).
Em um mercado em que muitos títulos foram penalizados pela urgência de venda, e não necessariamente por piora nas condições de pagamento do emissor, essa característica dos Fi-Infras listados pode fazer diferença.
"Olhando para frente, embora o fluxo técnico ainda inspire cautela, a relação de risco e retorno da classe melhorou de forma clara", afirma o relatório.
Onde investir em FI-Infras
Dentro desse cenário, a Empiricus destaca três fundos listados de infraestrutura que “combinam acesso a spreads mais atrativos, carteiras de boa qualidade e equipes de gestão experiente”.
BDIF11
O primeiro é o BTG Dívida Infra (BDIF11), que possui aproximadamente R$ 1,4 bilhão em patrimônio líquido. O fundo combina debêntures mais líquidas negociadas no mercado com operações estruturadas de originação própria.
No final de junho, o fundo negociava com um desconto de 11,2% na sua cota em relação ao valor do seu patrimônio, com uma taxa de retorno próxima de IPCA + 13% ao ano. Além disso, o BDIF11 tem distribuído R$ 0,85 por cota ao mês, dentro de uma política previsível de dividendos que entrou em vigor no início deste ano.
KDIF11
A segunda recomendação é o Kinea Infra (KDIF11), com patrimônio de cerca de R$ 2,8 bilhões e foco em debêntures incentivadas exclusivas, se originação própria. O FI-Infra conta com 70 emissões na carteira e uma taxa aproximada de IPCA + 9,65%.
Entretanto, diferentemente dos demais, o fundo era negociado com um pequeno ágio na cota, de aproximadamente 1,6% sobre o patrimônio. O pagamento médio de dividendos dos últimos 12 meses foi de R$ 1,31.
JURO11
Por fim, o Sparta Infra (JURO11) aparece como a alternativa que mais chama atenção pelo ponto de entrada. O fundo era negociado com deságio próximo de 3,9% no final de junho e, segundo a Empiricus, combina uma carteira de boa qualidade com um preço mais atrativo após a recente abertura dos spreads.
Sua média de negociação diária também é a maior de R$ 4,5 milhões, diante de um patrimônio líquido de R$ 2 bilhões. O relatório destaca a taxa de IPCA + 9,84% de retorno e um dividendo médio de R$ 0,94 mensal nos últimos 12 meses.
