Com dois anos de mercado, marca de perfumes árabes de Dubai mira R$ 100 milhões no Brasil
A Mawwal desembarcou no Brasil em 2025 e aposta no TikTok Shop e em 5 mil afiliados para acelerar o crescimento no país

Fragrância intensa, alta fixação e embalagens sofisticadas são algumas das características que fazem os perfumes árabes ganharem o mercado brasileiro. A Mawwal, nascida em Dubai, nos Emirados Árabes, é uma das empresas que se aproveitam dessa tendência para crescer no país. Até agosto, foram R$ 66 milhões em faturamento no Brasil, com a expectativa de fechar o ano com R$ 100 milhões.
A marca foi fundada por Walid Sweid, em 2024, em Dubai, com o propósito de tornar o luxo acessível. A chegada ao Brasil aconteceu no início de 2025, com 24 fragrâncias. A aposta está na construção de marca e na diversificação dos canais de venda, impulsionada pelo TikTok Shop neste ano, que já gerou 62% de crescimento em volume de vendas.
Atualmente, o Brasil representa mais de 50% do faturamento global da marca. No cenário mundial, a expectativa é chegar a um faturamento de US$ 100 milhões nos próximos dois anos.
Do varejo físico ao TikTok Shop
Os produtos saíram de Dubai e desembarcaram no Brasil em 2025. A estratégia para chegar ao novo mercado contou com estudo e precisão. “Entendemos as tendências do Brasil e percebemos que a maior parte do nosso portfólio estava muito alinhada ao que o brasileiro queria”, diz Paulo Isper, CMO da Mawwal Arabia Brasil.
A primeira leva trouxe 24 fragrâncias, e a estratégia de entrada passou pelo varejo físico e pelas vendas B2B.
“Mas rapidamente entendemos que o mercado estava mudando. Fizemos uma transição muito rápida, não abandonando esse canal, mas levando o canal digital com muita força”, afirma Isper.
Foi em 2026 que a marca encontrou um dos principais canais de crescimento: o TikTok Shop. Na plataforma, a aposta está em conteúdos próprios, com lives e vídeos curtos, mas principalmente na atuação de afiliados.
A marca soma 5 mil afiliados e mantém um programa próprio de gamificação e fidelização para esse grupo. “Nosso canal próprio não escala. Temos uma quantidade limitada de lives e conteúdos que conseguimos produzir. Já com quase 5 mil afiliados, conseguimos multiplicar essa produção. Quantos vídeos e quantas lives eles conseguem fazer? É isso que traz escala e volume”, diz.
A presença na plataforma deu tão certo que a cadeia de suprimentos precisou ser repensada, já que alguns lançamentos fizeram os estoques acabarem rapidamente. Agora, a empresa vem se reestruturando para fazer os lançamentos com maior planejamento.
“Seis meses atrás, a gente ainda não estava preparado. Era muito no ‘vamos tentar, vamos arriscar’. Hoje, temos um time com muita inteligência de mercado e análise do que está acontecendo. Estamos ganhando experiência e traduzindo isso em números para planejar melhor o futuro”, afirma Isper.
Ele exemplifica o impacto da estratégia com uma campanha realizada em agosto. Segundo o executivo, a ação, focada em performance e distribuída por meio de afiliados e do TikTok, alcançou mais de 100 milhões de visualizações na plataforma. Para ele, o alcance também gera efeitos em outros canais, ao ampliar a exposição da marca.
O hype dos perfumes árabes
A estratégia no TikTok Shop se beneficia de um movimento mais amplo: os perfumes árabes vêm ganhando espaço entre os consumidores brasileiros. Segundo levantamento da Circana, as fragrâncias árabes cresceram 64% no primeiro semestre de 2026. O relatório aponta que já são mais de 40 marcas desse segmento no Brasil, 15 a mais do que no ano passado.
Para o CMO, o sucesso da perfumaria árabe está relacionado à combinação entre performance, apresentação e preço. “É um produto no meio da pirâmide, que entrega a mesma fragrância, e melhor até do que está no topo, com um preço muito compatível com o bolso do brasileiro e com um produto que realmente é encantador”, afirma.
A categoria também se destaca pela apresentação dos produtos, que transforma o perfume em um item de desejo. “Ele tem uma embalagem, que é presenteável, um encantamento, parece uma joia. Mais do que um perfume, é um presente.”
Para a Mawwal, a estratégia não se resume a vender perfumes, mas a construir uma marca associada à ideia de luxo acessível. “A gente está entregando o melhor com algo que cabe no bolso do brasileiro”, afirma Paulo. A proposta é reforçada pela identidade visual da empresa e pela tentativa de criar uma relação mais próxima com consumidores e consultoras.
O desafio de construir a marca
A entrada em um mercado dominado por marcas de perfumaria consolidadas há décadas é outro desafio para a Mawwal. Além de ganhar espaço no varejo e ampliar a distribuição, a empresa precisa fazer com que o consumidor reconheça a marca em meio a nomes conhecidos e, ao mesmo tempo, aproveitar o momento de alta dos perfumes árabes sem ficar restrita a esse movimento.
Para Isper, esse é um dos principais desafios da operação brasileira. “Meu grande desafio como marketing aqui na empresa é conquistar a marca, fazer a pessoa comprar a marca e não comprar o perfume árabe”, afirma.
A estratégia, segundo ele, passa por um trabalho de construção de marca que vai além da venda dos produtos. A Mawwal investe em relações públicas, assessoria de imprensa, branding, design, mídia, influenciadores e ações em diferentes canais para aumentar o reconhecimento da empresa.
A intenção é transformar o interesse inicial pela categoria em recompra e fidelidade. “Não ser buscado por um perfume árabe, mas ser buscado pela marca Mawwal. Esse é o meu sonho profissional”, diz.
A expansão mundial
Em menos de dois anos de existência, a marca já está presente em mais de 22 países. A expansão estava no plano desde o início e é consequência do próprio posicionamento da empresa de levar a proposta de luxo acessível a diferentes mercados. O Brasil, onde a operação começou no início de 2025, tornou-se o principal mercado da companhia e hoje responde por mais de 50% do negócio, de acordo com o executivo.
Agora, a empresa mira outro mercado de grande porte: os Estados Unidos. Em setembro, a companhia iniciou oficialmente a operação no país, inicialmente com vendas 100% digitais — seguindo o caminho contrário da chegada ao Brasil.
A estratégia prevê uma segunda etapa de expansão para pontos físicos. “Estados Unidos e Brasil são mercados muito importantes para a gente”, afirma Paulo. A ideia é usar a estrutura digital e o aprendizado acumulado no Brasil para acelerar a construção da marca em outros países. Com a expansão internacional, a Mawwal projeta chegar a um faturamento global de US$ 100 milhões até 2027.
