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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
02/07/2026
7 min

Com 'estética carioca', rede de botecos do RJ vai abrir unidades em SP e faturar R$ 67 milhões

Com 'estética carioca', rede de botecos do RJ vai abrir unidades em SP e faturar R$ 67 milhões

Em 2019, a carioca Arianne Bastos não sabia sequer interpretar um relatório de vendas quando decidiu empreender no setor de bares. Tampouco tinha experiência em restaurantes ou formação em gestão. O que ela tinha era o desejo de trabalhar para si mesma e a disposição de aprender.

"Eu precisava empreender, precisava abrir um negócio meu. Queria muito trabalhar para mim mesma", lembra a fundadora do boteco Mané.

Sete anos depois de abrir a primeira unidade da marca, a empresária lidera uma rede de bares com 22 unidades, faturamento de R$ 56 milhões em 2025 e 250 empregos diretos gerados.

Para 2026, a meta é crescer cerca de 20%, alcançando R$ 67 milhões em receita, e iniciar a expansão da empresa para São Paulo. A ideia, segundo Arianne, é trazer para a capital paulista um bar com 'estética carioca', com pratos típicos de bares do Rio e decoração que remete a botecos clássicos que ela sempre frequentou.

"Sempre miramos em fazer um ambiente acolhedor, instagramável e de muita proximidade. Os atendentes se apresentam, viram amigos dos clientes. A gente trabalha muito essa aproximação", diz a empresária.

O primeiro Mané foi aberto em uma esquina na Praia do Flamengo, endereço escolhido de propósito. A ideia era reproduzir um elemento clássico da cultura carioca: o boteco de esquina, com mesas na calçada, atendimento próximo e uma atmosfera de bairro onde clientes e funcionários se conhecem pelo nome.

Hoje, além de sócia-fundadora do Mané, Arianne também integra a diretoria de expansão do grupo controlador da rede e vê no mercado paulista o próximo passo de crescimento da empresa.

Como Arianne começou sua trajetória empresarial

Nascida e criada em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, Arianne se formou em Educação Física, mas nunca se imaginou construindo carreira na área.

Ela acreditava que teria de trabalhar muitas horas para alcançar a remuneração que desejava. Acabou seguindo outro caminho e foi trabalhar na prefeitura de sua cidade, como assessora do secretário municipal de Saúde, por volta de 2015 e 2016.

Embora a experiência tenha sido importante, a política não a conquistou.

"Eu conversava isso muito com meu marido: preciso empreender, preciso abrir um negócio meu", afirma.

Foi então que surgiu a primeira oportunidade. Um amigo do marido de Arianne havia aberto um bar em Copacabana. A empresária viu ali a chance de iniciar sua trajetória empresarial e passou a dividir seu tempo entre o trabalho na prefeitura e o novo negócio.

A primeira experiência não prosperou. A operação foi encerrada, mas a sócia decidiu permanecer no setor.

Entre 2016 e 2017, ela e os sócios abriram duas unidades franqueadas de um tradicional boteco carioca, ambas em bairros nobres da capital fluminense. Quando tentaram abrir uma terceira unidade, receberam uma negativa da franqueadora.

O grupo já havia alugado um novo ponto comercial e precisou decidir o que fazer. A resposta foi criar uma marca própria.

Como nasceu o Mané

Em 2019, Arianne deixou definitivamente o serviço público e passou a se dedicar integralmente ao empreendedorismo. Ela assumiu a operação dos bares sem experiência prévia.

"Não sabia nada do universo bar. Fui com a cara e a coragem", diz.

A empresária mergulhou na rotina do negócio. Passava horas na cozinha, acompanhava o salão e buscava entender cada detalhe da operação. Quando recebeu os primeiros resultados financeiros, percebeu que ainda tinha muito a aprender.

Chegou a pedir ajuda ao franqueador para entender como montar um DRE (Demonstrativo de Resultado do Exercício) e, pouco depois, iniciou um curso de contabilidade.

"Eu falei: não pode ser assim, preciso entender esse negócio. E fui buscar informação", conta.

A decisão de criar o Mané veio logo depois.

A primeira providência foi contratar uma agência de marketing. Depois, chamaram o chef Dudu Mesquita para desenhar o cardápio. O objetivo era criar um boteco com forte identidade de marca, inspirado na experiência carioca de esquina e capaz de ser replicado.

O primeiro Mané abriu em agosto de 2019, na Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro. O investimento inicial foi de aproximadamente R$ 350 mil.

O conceito se diferencia pela estética. Em vez do boteco mais rústico e predominantemente masculino, comum em parte do mercado, o Mané aposta em um 'ambientação acolhedor' e visualmente trabalhado, que, segundo a empresa, atrai um público feminino acima da média do setor.

Arianne acredita que o conceito tem potencial em São Paulo justamente porque a capital paulista também preserva a tradição dos bares de bairro e dos botecos de esquina. A diferença, diz ela, será levar para a cidade alguns traços mais característicos do Rio: uma operação mais informal, ambientação que convida à permanência e um cardápio apoiado em referências da culinária de boteco.

No cardápio, a rede busca reproduzir uma espécie de memória afetiva carioca. Há petiscos clássicos de boteco, como fígado acebolado, coração de galinha e frango a passarinho, além de pratos próprios da casa, como a Batata Porquinho — batatas fritas com costela desfiada, barbecue e creme de limão — e o Colchão, petisco servido com geleia de abacaxi.

Como a pandemia impactou o negócio

Seis meses após a inauguração, a pandemia de covid-19 fechou as portas do bar.

Arianne lembra que o momento foi de desespero. O restaurante finalmente começava a ganhar tração, estava cheio e reproduzia exatamente a atmosfera que os sócios haviam imaginado.

A saída foi improvisar. O grupo apostou no delivery e criou kits vendidos aos clientes mais fiéis, que ajudaram a manter a operação durante o período de restrições.

Quando as atividades foram retomadas, veio outra surpresa. Pessoas começaram a procurar a empresa interessadas em abrir unidades da marca.

O plano inicial previa apenas cinco lojas próprias. Mas a demanda mudou a rota.

"Chegava mensagem o tempo inteiro perguntando como fazia para abrir um Mané. A gente olhou um para a cara do outro e falou: por que não virar franquia?", afirma.

Em pouco tempo, a rede abriu nove unidades.

Como a rede quer seguir crescendo

A velocidade da expansão também trouxe desafios. Os três sócios já não conseguiam dar conta de todas as frentes da operação. Arianne estava especialmente sobrecarregada com a parte administrativa.

A solução veio em 2021, quando o Mané passou a integrar o Grupo Impettus, controlador de marcas de bares e restaurantes.

A entrada do grupo profissionalizou a operação, estruturou a franquia e preparou a empresa para uma nova etapa de crescimento.

"Hoje, realmente somos uma franquia formatada", diz a empresária.

Atualmente, a rede soma 22 unidades entre a capital fluminense, cidades da Região dos Lagos, como Búzios, Macaé e Rio das Ostras, e Espírito Santo.

O investimento para abrir uma unidade varia entre R$ 400 mil e R$ 1,5 milhão, dependendo do tamanho da operação, e o retorno previsto ocorre em até 36 meses.

Quais os próximos passos da rede

O Mané opera principalmente em pontos de rua. Embora alguns shoppings procurem a marca, a estratégia de expansão continua concentrada nas tradicionais esquinas de bairro.

Agora, a prioridade é São Paulo.

Arianne passou os últimos meses visitando bares e mapeando regiões da capital paulista. Itaim Bibi e Vila Madalena aparecem entre os bairros observados pela companhia, embora a empresária avalie que algumas áreas já apresentam forte concentração de operações.

A meta é abrir a primeira unidade paulista no primeiro semestre de 2027. A fundadora acredita que o conceito da marca combina com o mercado paulistano, especialmente pelo perfil de consumidores que frequentam os bares de maneira recorrente.

O diferencial, segundo ela, está menos na comida e mais na experiência.

"Conseguimos trazer um ambiente acolhedor. Quem não entender de pessoas hoje ainda não entendeu o jogo".

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
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