Com inflação comportada e balanços do 2T26, especialista vê ‘trigger’ para estrangeiro na bolsa — e eleição pode ajudar ainda mais

O preço baixo da bolsa brasileira e os números que as empresas devem divulgar na temporada de balanços do segundo trimestre podem ajudar a atrair capital estrangeiro para o mercado nacional, avalia Fernando Cinelli, fundador e presidente da Apex Partners, grupo financeiro capixaba com R$ 19 bilhões sob gestão.
“Se os dados de inflação continuarem se comportando, é provável que, junto com a queda dos juros, tenha um trigger, que já vem se materializando, de entrada de fluxo estrangeiro [na bolsa brasileira]”, disse Cinelli, em entrevista ao Giro do Mercado, programa do Money Times no YouTube. Assista à íntegra abaixo.
Cinelli afirma que o impacto das eleições presidenciais no mercado acionário, o chamado trade eleitoral, deve começar a ser sentido cerca de 30 a 45 dias antes do pleito apenas, também potencialmente atraindo mais investidores estrangeiros.
O especialista afirma que deve haver um “ânimo muito grande” em relação aos investimentos de risco se houver uma alternância de poder no Brasil.
“Se na eleição tiver eventualmente uma alternância de poder, esse movimento [de atração de fluxo estrangeiro] pode ser antecipado, pela expectativa”, diz. “É importante essa alternância [de poder], não só para um refresco nas nossas políticas públicas, mas, principalmente, no que tange como a gente aloca o capital melhor”.
“A gente está criando um passivo que, quanto mais for prolongado, mais duro será o ajuste lá na frente”, defendeu Cinelli, em referência às políticas do atual governo. “Mais quatro anos com esse tipo de política pública vai ser muito ruim.”
Expectativa para a Selic
Segundo o especialista, mesmo com o choque da oferta do petróleo devido à guerra no Oriente Médio, o Banco Central permitiu a entrada num ciclo mais consistente de cortes na taxa de juros. Ele acredita em novos cortes de 0,25 ponto na Selic pelo BC.
“Quando o juro chegar num patamar de menos de 1% ao mês em relação aos títulos isentos ou CDBs, deve haver uma grande realocação para ativos de risco pelo capital brasileiro”, afirma Cinelli.
* Sob supervisão de Maria Carolina Abe
