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Sacre Investimentos
Economia
25/06/2026
5 min

Com IPCA-15 acumulado em 4,8%, BC projeta inflação crescente até o fim do ano

Com IPCA-15 acumulado em 4,8%, BC projeta inflação crescente até o fim do ano

O Banco Central projeta que a inflação brasileira vai subir até o fim de 2026, permanecendo por mais de dois trimestres consecutivos acima do teto do intervalo de tolerância da meta, antes de recuar ao longo de 2027. A avaliação consta do Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira, 25.

Em maio, o IPCA acumulado em 12 meses alcançou 4,72%, acima do teto de tolerância de 4,5%. Já o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, acumulou alta de 4,8% em 12 meses.

No cenário de referência do Comitê de Política Monetária (Copom), oIPCA acumulado em quatro trimestres deve passar de 4,1% no primeiro trimestre de 2026 para 5,2% no quarto trimestre do ano. A projeção considera uma inflação pressionada no curto prazo, com o índice acumulado em 12 meses já próximo do limite superior da meta.

Esse não é um cenário de curto prazo. O BC projeta que a inflação brasileira vai subir até o fim de 2026, permanecendo por mais de dois trimestres consecutivos acima do teto do intervalo de tolerância da meta, antes de recuar ao longo de 2027. No cenário de referência do Copom, o IPCA acumulado em quatro trimestres deve sair de 4,1% no primeiro trimestre de 2026 e chegar a 5,2% no quarto trimestre do ano.

A partir de 2027, a trajetória se inverte. A inflação projetada recua para 3,7% no quarto trimestre daquele ano e segue caindo até atingir 3,1% ao fim de 2028, próximo à meta de 3%.

IPCA-15 de 4,8% no acumulado e previsão de alta até o final do ano

Segundo o Banco Central, a probabilidade de a inflação romper o teto da meta de 4,5% em 2026 saltou de 30% para 79% em relação ao relatório anterior, de março.

As projeções de curto prazo indicam manutenção do IPCA acima do teto da meta nos próximos meses. O BC projeta variação mensal de 0,32% em junho, 0,26% em julho, 0,23% em agosto e 0,16% em setembro. Nos próximos meses, a inflação acumulada em 12 meses deve atingir 4,81% em junho e julho, subir para 5,17% em agosto e recuar para 4,83% em setembro.

O BC apontou quatro fatores principais que elevaram as projeções de inflação desde março: a inflação observada acima do esperado no trimestre encerrado em maio, 1,07 ponto percentual acima do esperado, concentrada em alimentos e preços administrados como gasolina e diesel; a estimativa mais elevada para o hiato do produto, que mede o grau de aquecimento da economia; o aumento nos preços do petróleo e de seus derivados, reflexo do conflito no Oriente Médio; e a deterioração das expectativas de inflação.

Para o segundo semestre, o BC também destacou riscos relacionados às condições climáticas. A possibilidade de transição para um El Niño mais intenso aumentou a incerteza sobre os preços dos alimentos. O órgão ainda projeta tarifas de energia elétrica mais pressionadas, com a mudança para bandeiras vermelhas entre julho e outubro.

Selic

A taxa Selic, principal ferramenta do Banco Central para conter a inflação, estava em 15% ao ano desde junho de 2025, o maior patamar em quase duas décadas. O Copom iniciou o ciclo de cortes em março e reduziu a taxa em três reuniões consecutivas, chegando a 14,25% ao ano.

O ritmo de redução, porém, tem sido mais gradual do que o esperado pelo mercado devido às pressões inflacionárias associadas ao cenário internacional. A projeção do boletim Focus aponta para uma Selic de 13,75% ao final de 2026 e de 12% ao fim de 2027.

A partir de 2027, o Banco Central espera uma inversão da trajetória da inflação. A previsão é de que o IPCA acumulado em quatro trimestres recue para 3,7% no quarto trimestre daquele ano e continue em queda até atingir 3,1% no fim de 2028, próximo da meta oficial de 3%.

Preocupação com políticas de incentivo

A autoridade monetária também se preocupa as políticas de incentivo adotadas pelo governo Lula podem fazer que a economia cresça além do seu potencial. O BC já havia sinalizado esse risco na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada na semana passada.

Entre as medidas citadas está oDesenrola 2.0, programa que permite a renegociação de dívidas com acesso a crédito mais barato, e linhas subsidiadas para aquisição de caminhões, ônibus e veículos para taxistas e motoristas de aplicativo, operadas pelo BNDES.

Segundo cálculos do economista Marcos Mendes, do Insper, o conjunto de medidas anunciadas pelo governo neste ano já soma R$ 215 bilhões em estímulo à economia, equivalente a 1,6% do PIB. Desse total, R$ 97 bilhões, ou 45%, são classificados como despesas financeiras, referentes principalmente às linhas de crédito subsidiado.

Apesar do alerta, o BC reconhece os limites do próprio diagnóstico. "Permanecem incertezas relevantes acerca da magnitude de seu impacto sobre a atividade econômica e sobre a inflação, dadas as especificidades e detalhes envolvendo cada política", ressalva o relatório.

AutorPaloma Lazzaro
FonteExame
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