Com Itaú e Amazon, locação de escritórios quadruplica em três meses em SP
Área locada quadruplica no trimestre e aluguel médio de escritórios de alto padrão sobe 2,8%, para R$ 153,59 por metro quadrado

Dois inquilinos responderam por mais da metade de todo o espaço de escritórios de alto padrão alugado em São Paulo entre julho e setembro. O Itaú Unibanco e a Amazon ocuparam, juntos, 84.617 metros quadrados no terceiro trimestre de 2026, ou 52% do total negociado na cidade.
O banco ficou com 45.388 metros quadrados na Torre A do Esther Towers, na região da Chucri Zaidan. A varejista ocupou 39.229 metros quadrados no Biosquare, na Rebouças. Os dados são do levantamento trimestral da consultoria Cushman & Wakefield sobre escritórios classe A e A+ nas principais regiões de negócios da capital, divulgado em primeira mão pela EXAME.
No total, foram 44 transações, que somaram 163.279 metros quadrados alugados. O volume é cerca de quatro vezes maior que o do segundo trimestre, quando foram locados aproximadamente 40 mil metros quadrados.
Grandes empresas voltaram a alugar prédios inteiros
A locação do Itaú é a ponta visível de um contrato ainda maior. Em setembro, o banco alugou as duas torres do Esther Towers, da Eztec, que somam 91,4 mil metros quadrados. O acordo deve render cerca de R$ 1,17 bilhão em aluguéis à incorporadora em dez anos.
A vigência começa de forma escalonada, conforme a entrega de cada torre. Por isso, só a Torre A, entregue no trimestre, entrou na conta da Cushman. Segundo o Itaú, a ampliação acompanha a maior frequência de funcionários no trabalho presencial.
A Amazon fez um movimento semelhante. O Biosquare foi entregue 100% pré-locado à empresa, o que fez a Rebouças terminar o trimestre sem nenhum metro quadrado vago.
Os setores financeiro, de varejo e de informação e comunicação concentraram as locações do período. Além do Itaú e da Amazon, a lista inclui a Bayer, com 13.334 metros quadrados no Alto das Nações, e a Claro, com 11.167 metros quadrados no Quota Corporate.
Também fecharam contratos a Fortinet, a BWGI, a Skechers e o Banco BOCOM BBM, com áreas entre 1.800 e 4.077 metros quadrados.
Prédio novo já chega ocupado
O trimestre recebeu 171.266 metros quadrados de novos escritórios. Em outros ciclos, um volume assim faria a vacância disparar. Desta vez, boa parte das entregas já chegou alugada.
A absorção líquida, indicador que desconta da área ocupada os espaços devolvidos, foi de 140.054 metros quadrados. No trimestre anterior, o saldo havia sido negativo.
A Chucri Zaidan liderou, com 58.934 metros quadrados. Em seguida vieram a Rebouças, com 39.229 metros quadrados, e a Chácara Santo Antônio, com 14.987 metros quadrados.
A taxa de vacância terminou setembro em 12,01%, alta em relação ao trimestre anterior, puxada pelas áreas novas que ainda não encontraram inquilino. No acumulado de 2026, a cidade recebeu 189 mil metros quadrados de escritórios e absorveu 202 mil metros quadrados. Ou seja, a demanda segue à frente da oferta.
Faria Lima continua a mais cara, mas perde inquilinos
O aluguel médio pedido subiu cerca de 2,8% em três meses e chegou a R$ 153,59 por metro quadrado ao mês. A alta se concentra nos imóveis de melhor qualidade, em que a vacância é baixa.
A Faria Lima segue no topo, com R$ 294,28 por metro quadrado. É quase quatro vezes o valor pedido na Chácara Santo Antônio, de R$ 75,59, a região mais barata e a mais vazia do levantamento, com 39,30% de vacância.
Depois da Faria Lima aparecem o JK, com R$ 284,05, e Pinheiros, com R$ 263,88. A Vila Olímpia teve uma das maiores altas do período, para R$ 232,60.
Apesar do preço, a Faria Lima foi a região com mais devoluções no trimestre: 8.042 metros quadrados desocupados. A vacância da avenida ficou em 8,16%.
Na outra ponta, o Itaim e a Rebouças zeraram a vacância. A Paulista foi a única região com absorção líquida negativa, de 643 metros quadrados.
| Região | Vacância | Aluguel pedido (R$/m²/mês) |
|---|---|---|
| Faria Lima | 8,16% | 294,28 |
| JK | 3,51% | 284,05 |
| Pinheiros | 4,98% | 263,88 |
| Vila Olímpia | 19,91% | 232,60 |
| Jardins | 17,04% | 180,00 |
| Paulista | 3,22% | 146,18 |
| Berrini | 8,27% | 122,12 |
| Chucri Zaidan | 9,90% | 115,60 |
| Marginal Pinheiros | 27,30% | 88,88 |
| Chácara Santo Antônio | 39,30% | 75,59 |
| Itaim | 0% | sem área disponível |
| Rebouças | 0% | sem área disponível |
Fonte: Cushman & Wakefield, terceiro trimestre de 2026
Fundos imobiliários vão às compras
O aperto na oferta também aparece nas vendas. O Condomínio Faria Lima Plaza teve 5.813 metros quadrados vendidos ao fundo imobiliário CPOF11 por R$ 35.216 o metro quadrado, o equivalente a cerca de R$ 205 milhões.
Na Berrini, o fundo HAAA11 vendeu 12.269 metros quadrados do Thera Corporate ao TRXF11, a R$ 20.322 o metro quadrado, cerca de R$ 249 milhões. No mesmo prédio, o fundo HGRE11, do Pátria, vendeu outros 918 metros quadrados.
O Jacks Rabinovich Corporate Boutique, na Vila Olímpia, teve 4.775 metros quadrados negociados a R$ 35.079 o metro quadrado. É o mesmo prédio que recebeu a Fortinet no trimestre.
O que vem pela frente
Há 231.751 metros quadrados de escritórios em construção nas regiões analisadas. Pinheiros concentra a maior fatia, com 60.453 metros quadrados, seguida pelo JK, com 56.808 metros quadrados, e pela Chucri Zaidan, com 45.507 metros quadrados.
A Rebouças tem mais 25.984 metros quadrados em obra, o Itaim, 21.633 metros quadrados, e a Faria Lima, 21.366 metros quadrados. Segundo a Cushman, parte dessas áreas já está pré-locada.
A consultoria projeta alta de aluguel e de absorção nos próximos 12 meses e queda da vacância. A segunda torre do Esther Towers, já contratada pelo Itaú, deve reforçar essa tendência quando for entregue.
