Com Lojas Renner (LREN3) em queda livre há uma semana, UBS BB dá adeus à ação e corta preço-alvo; entenda o que pesou
A ação da varejista despencou mais de 17% desde o balanço do segundo trimestre de 2026 — entenda o que desanimou o banco e o mercado

Ser líder do setor de varejo de moda já não é mais o suficiente para a Lojas Renner (LREN3) fazer os olhos do mercado brilharem. Após o papel passar por uma queda livre de 17,43% em seis pregões, desde a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026, o UBS BB decidiu rever se vale mesmo investir na ação da varejista. O veredito: não.
Os analistas do banco suíço rebaixaram o papel LREN3 de compra para neutro.
Além de cortar a recomendação, a equipe de análise revisou o preço-alvo para baixo. Antes, a estimativa do banco era de R$ 18. Agora, o valor justo para a ação é de R$ 13,50 — uma redução de 25%.
Em relação ao fechamento desta sexta-feira (14), o papel ainda tem espaço para saltar até 20%.
A mudança de humor do banco foi motivada pelo balanço mais recente da Renner.
Para recapitular: as vendas da varejista foram fracas nos meses de abril a junho e a companhia diminuiu a projeção de resultados daqui para frente. Em 2026, a empresa esperava aumentar o faturamento entre 9% e 13%. Já a nova visão é de 4% a 8% (veja a cobertura do resultado feita pelo Seu Dinheiro nesta matéria).
Foi justamente essa sinalização mais negativa da marca que caiu como um balde de água fria. A estimativa do UBS BB é que a receita da companhia encerre 2026 com crescimento de 4,4% — praticamente no mínimo projetado pela Renner.
O banco também reduziu a projeção do lucro líquido da companhia neste ano, em 8,8%, a R$ 1,4 bilhão, e em 2027, queda de 10,4%, na cifra de R$ 1,5 bilhão.
O banco não enxerga nenhum cenário drástico para a companhia. Ela deve continuar como uma empresa sólida e líder do setor. O problema é a perspectiva de crescimento.
“Embora a sólida posição de caixa líquido, o retorno via dividendos e a recompra de ações ofereçam uma proteção para as ações da Renner, ainda não observamos evidências de que a empresa consiga acelerar a participação de mercado e sustentar um desempenho melhor que o setor”, afirmaram os analistas em relatório.
Empresa é forte, mas falta impulso
A Renner possui cerca de 12% de participação de mercado, um percentual bem acima dos concorrentes do varejo de moda. Porém, todo esse gigantismo não tem gerado efeito nos resultados da empresa.
O UBS BB destaca que, apesar do tamanho da empresa, capacidade logística e um caixa líquido de R$ 1,2 bilhão, a produtividade das lojas apresenta um crescimento limitado.
Tanto a receita por metro quadrado quanto o lucro bruto por metro quadrado cresceram cerca de 2% acima da inflação nesse trimestre.
Esse número não é considerado de todo ruim pelo banco. Pelo contrário. Os analistas enxergam até uma resiliência positiva, considerando três fatores que pesam para a companhia.
O primeiro deles é uma menor penetração do crédito nas vendas. Anos atrás, a Renner era uma das primeiras opções de crédito formal de muitos brasileiros, enquanto agora há outros players nesse tipo de serviço, como o Nubank e o Mercado Pago.
Há também uma desvalorização cambial e, o terceiro, a concorrência, tanto com o e-commerce quanto com varejistas estrangeiras como a Shein.
Para os analistas, a Renner consegue preservar a rentabilidade das operações e continua uma companhia forte. No entanto, não enxergam pontos que podem manter a Renner em uma trajetória de crescimento relevante e de superioridade com folga em relação à C&A (CEAB3) e Riachuelo (RIAA3).
“Mantemos uma recomendação neutra para a Renner, pois enxergamos uma relação risco-retorno equilibrada nos patamares atuais. A empresa tem fatores que oferecem proteção contra quedas, mas não vemos evidências suficientes de que sua escala e vantagens estruturais possam se traduzir em novos ganhos de participação de mercado”, destacaram.
O que derrubou o guidance da Renner?
Durante a teleconferência de resultados do segundo trimestre de 2026, realizada na sexta-feira passada (7), a empresa deu algumas justificativas para a queda das estimativas da companhia.
Dentre os motivos está a Copa do Mundo. Fabio Faccio, CEO da Renner, afirmou que o torneio de futebol teve um impacto muito maior do que o esperado sobre o fluxo de clientes nas lojas físicas.
Segundo o executivo, a Copa de 2026 foi a mais prejudicial na história da companhia. Diferentemente das outras edições, neste ano, a redução do fluxo não ficou restrita aos dias dos jogos da seleção brasileira, mas se estendeu desde junho até por volta de 19 de julho.
Outro motivo foi o avanço das plataformas internacionais de cross border — como a Shein —, com o fim da "taxa das blusinhas", bem como os aplicativos de aposta online. Para Faccio, esses movimentos se somam a um cenário macroeconômico mais desafiador e têm pesado sobre os números da varejista.
