Com mais de 30 aberturas, rede de comida havaiana acelera expansão no Brasil rumo aos R$ 65 milhões
Criada em 2017, a Let’s Poke aposta no crescimento das franquias, delivery e vendas das lojas existentes para ampliar presença

Ainda quando era executivo de grandes empresas, o paulistano Ricardo Bottura conheceu o poke, prato típico da culinária havaiana. Em uma viagem a trabalho, enquanto comandava a área comercial de uma empresa de entregas , o empresário aceitou o convite para conhecer um restaurante que servia a iguaria. A experiência mudou o rumo da carreira.
Nove anos depois, a Let’s Poke, rede de culinária havaiana criada por Bottura ao lado da esposa, Julia, e do sócio João, fechou 2025 com faturamento de R$ 38 milhões e projeta alcançar R$ 65 milhões em 2026. A estratégia combina abertura de novas unidades com crescimento das lojas já existentes.
“Nos últimos anos, a gente vem trabalhando muito a marca, a qualidade e a execução de cada loja. Tem a qualidade do produto, mas tem muito da execução também: entregar mais rápido no delivery, ter menos erro, o cliente estar satisfeito no salão, a hospitalidade e o atendimento”, afirma Bottura, CEO da empresa.
O plano da companhia é chegar a 50 lojas até 2030. Hoje, a rede tem 11 unidades em operação e outras em expansão. O crescimento ocorre apoiado por dois movimentos: novas franquiase aumento da receita das unidades maduras.
A empresa afirma ter registrado crescimento de 26% no Same Store Sales, indicador que mede a evolução das vendas das lojas que já estavam abertas, entre 2025 e 2026. O resultado mostra que a expansão não depende apenas da abertura de novos restaurantes.
“Nos últimos anos, a gente já teve anos muito complexos, pandemia, pós-pandemia. Não foi só um mar de flores aqui a história, mas os últimos anos estão sendo muito bons”, diz.
Como um executivo de delivery encontrou uma oportunidade em um prato havaiano
Antes de criar a Let’s Poke, Bottura construiu uma carreira ligada a marketing, vendas e tecnologia. Formado em administração pela PUC, começou como estagiário em marketing em empresas como Whirlpool, Brastemp, Consul e KitchenAid. Depois migrou para a área comercial e passou pelo Peixe Urbano, onde participou da expansão da operação em São Paulo.
Após cinco anos na empresa, foi head comercial da Loggi e, posteriormente, da Rápido, empresa de entregas que fazia parte do ecossistema ligado ao iFood. Foi nesse período que surgiu o contato com o poke.
“Eu estava em viagem, dentro de uma rotina de várias reuniões. A gente acabou indo em um restaurante havaiano. Eu não sabia nem o que era, mas falaram que era saudável. Acabei conhecendo o poke e resolvi conhecer mais”, conta.
A ideia de transformar o prato em negócio veio da combinação entre três tendências que Bottura já acompanhava: alimentação saudável, praticidade e crescimento do delivery.
“Eu falei: tem um produto muito legal que eu acho que vai muito bem no delivery, prático, saudável. A gente sempre se apoiou nessa tríade de alimentação saudável, prática e que viaje bem no delivery.”
A Let’s Poke nasceu em 2017, inicialmente com Bottura, sua esposa Julia e o sócio João. Enquanto Bottura ficou à frente das áreas comercial e de marketing, Julia assumiu a parte administrativa e João participou da construção da operação da primeira loja.
1. Ricardo Bottura, CEO da Let’s Poke: plano é chegar a 50 lojas até 2030 com expansão gradual (Let's Poke/Divulgação)
Por que a empresa acredita que o poke não é uma moda passageira
O poke é um prato de origem havaiana que combina uma base de arroz com proteínas, acompanhamentos, molhos e ingredientes frescos. Apesar de ter ganhado popularidade no Brasil nos últimos anos, ainda era pouco conhecido quando a Let’s Poke abriu sua primeira unidade.
Uma das preocupações iniciais era transformar um produto novo em um hábito de consumo recorrente. Para Bottura, a principal diferença em relação a outras tendências gastronômicasque tiveram crescimento rápido foi a capacidade de gerar recompra.
“As pessoas falavam: ‘não vai ser uma nova paleta mexicana?’. A gente acreditava que não, porque a paleta era um produto que bombava rápido, mas as pessoas não tinham recompra. E a gente sempre teve muita recompra.”
Segundo o executivo, a frequência de consumo foi um dos sinais de que havia espaço para construir uma rede de longo prazo.
“O cliente poder comer aquilo várias vezes na semana ou no mês e ser um cliente fiel, recorrente, que você mantém ali na base, faz não ser só um modismo, faz você ter um negócio de verdade.”
Para desenvolver o produto, a empresa buscou referências diretamente no Havaí. Bottura conta que visitou o destino duas vezes e chegou a passar 23 dias em uma casa de família acompanhado do chef executivo da rede para entender ingredientes, sabores e técnicas.
A empresa trouxe para o cardápio elementos que considera diferenciais, como marinadas próprias, molhos e ingredientes inspirados na culinária havaiana.
Como a rede pretende crescer chegar aos R$ 65 milhões
O salto esperado de faturamento em 2026 virá de duas frentes: novas lojas e aumento das vendas das unidades existentes.
A empresa terminou 2025 com 10 lojas e trabalha com uma expansão que deve levar a rede para 13 unidades no curto prazo. As novas franquias ainda passam por um período de maturação, chamado de ramp-up, antes de atingir o potencial completo de vendas.
Bottura afirma que o crescimento das lojas existentes tem sido um dos principais motores da expansão.
“A gente vem com três anos seguidos de Same Store Sales muito acima do mercado. No ano passado, tivemos mais de 35% e este ano estamos novamente com 26%.”
Segundo ele, o avanço vem de uma combinação entre produto, operação e experiência do consumidor.
“Tem a qualidade do produto, mas tem muito da execução também. Entregar mais rápido no delivery, ter menos erro, o cliente satisfeito no salão, hospitalidade e atendimento. Tudo isso junto traz recorrência.”
Como funciona o modelo de expansão da rede
A Let’s Poke aposta principalmente em lojas de rua. Segundo Bottura, esse formato é mais adequado ao modelo da empresa porque a maior parte das vendas vem do delivery.
Mais de 70% das vendas da rede são feitas por entrega, o que influencia a escolha dos pontos comerciais.
“O delivery é bom em loja de rua, não é bom em shopping. Shopping demora cinco, dez minutos a mais e isso representa uma piora relevante na experiência.”
O investimento para abrir uma loja de rua fica entre R$ 700 mil e R$ 1 milhão. Em cidades onde a marca já possui presença, a empresa também trabalha com dark kitchens, com investimento próximo de R$ 400 mil.
A meta é chegar a 50 lojas até 2030, mas sem acelerar apenas pelo número de unidades.
“A gente poderia ter uma meta de 100, 200 lojas, mas a gente quer acelerar com qualidade. Queremos olhar para o negócio ser sustentável, gerar lucro, gerar caixa.”
Como a empresa tenta manter o padrão com mais franquias
Para crescer, a rede trabalha com fornecedores homologados pela franqueadora e parceiros terceirizados para alguns ingredientes.
A estratégia é evitar que o aumento do número de lojas prejudique a padronização dos produtos.
“Para escalar a rede com uma maior qualidade, é ter essa padronização de alguns itens que sejam muito difíceis, que demorem muito para ser produzidos ou que a gente não consiga ter padrão.”
Um dos exemplos é a couve crispy, ingrediente usado nos pratos da marca. A empresa desenvolveu fornecedores especializados para garantir textura e preparo constantes entre as unidades.
