Com menor presença dos EUA, Europa e Canadá têm alta de 11% em gastos com a OTAN

A cúpula da OTAN começou nesta terça-feira, 7, em Ankara, na Turquia. Mesmo com a guerra contra o Irã, que já dura quatro meses, os Estados Unidos diminuíram significativamente os investimentos no bloco militar, o que pressionou os países europeus e o Canadá a aumentarem em 11% seus gastos bélicos em 2026, de acordo com a OTAN.
A reunião ocorre em um momento de transição na estratégia de defesa da aliança. Sob pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, os países europeus passaram a assumir uma parcela maior da responsabilidade pela segurança do continente, enquanto Washington reduz gradualmente seu compromisso com capacidades militares destinadas à OTAN.
Após bombardeios pesados em Kiev e em alvos estratégicos da infraestrutura russa nas últimas semanas, a Guerra da Ucrânia, já em seu quarto ano, vem pesando sobre os cofres e os arsenais dos membros da aliança militar ocidental.
Menor participação norte-americana no bloco
O governo Trump decidiu em maio reduzir o conjunto de capacidades militares que os Estados Unidos disponibilizam à OTAN em caso de crise - isso como como parte da estratégia de transferir aos aliados europeus a responsabilidade principal pela defesa convencional do continente.
Segundo integrantes da aliança afirmaram à Reuters, Washington pretende diminuir sua participação em forças terrestres, aéreas e navais destinadas ao modelo de defesa da OTAN, embora mantenha o compromisso com a proteção nuclear dos aliados.
A mudança também acompanha a reorientação da política de defesa americana para outras regiões estratégicas, especialmente o Indo-Pacífico. Nos últimos meses, os Estados Unidos já anunciaram a redução de tropas na Europa e o cancelamento de alguns destacamentos militares previstos para países como Polônia e Alemanha.
O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, afirmou que a redução da dependência em relação aos Estados Unidos era esperada e defendeu que os países europeus acelerem o fortalecimento de suas próprias capacidades militares.
Crescimento de gastos para a Europa
Os números divulgados pela OTAN mostram que os investimentos em defesa dos países europeus e do Canadá devem atingir US$ 634 bilhões em 2026, alta de 11% em relação aos US$ 571 bilhões registrados em 2025.
O aumento ocorre após um crescimento ainda maior entre 2024 e 2025 e faz parte do compromisso firmado pelos integrantes da aliança deelevar os gastos relacionados à segurança para o equivalente a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2035.
O chefe da OTAN, Mark Rutte, defende o aumento dos gastos militares europeus (Foto de Nicolas Tucat / AFP) (NICOLAS TUCAT /AFP)
Segundo a OTAN, cinco países já atingiram essa meta neste ano, entre eles Polôniae os Estados bálticos. Outros integrantes, porém, seguem bem abaixo do objetivo, como a Eslovênia, cuja despesa militar representa 1,61% do PIB.
Apesar da ampliação dos investimentos, o avanço permanece desigual. Alemanha, Polônia, Lituânia e Estônia lideram o aumento dos gastos, enquanto economias como Reino Unido, França, Itália e Espanha enfrentam restrições fiscais e dificuldades políticas para acelerar o ritmo de expansão dos orçamentos militares.
Especialistas também alertam que o aumento dos recursos não garante, por si só, uma rápida expansão da capacidade industrial europeia para produzir armamentos, munições e equipamentos necessários para atender às novas demandas da aliança.
Guerra na Ucrânia ainda é questão chave para a OTAN
Com o cessar-fogo entre EUA e Irã firmado, a Guerra da Ucrânia volta a ser o principal conflito a envolver membros da OTAN. A continuidade da invasão russa permanece como o principal fator por trás da ampliação dos investimentos militares europeus e das discussões sobre o fortalecimento da capacidade de defesa da aliança.
Na última semana, o conflito se agravou após o Kremlin realizar grandes ataques à Ucrânia.
Moradores observam prédio residencial danificado após bombardeio russo em Kiev; ataque ocorreu às vésperas da cúpula da Otan. (Tetiana DZHAFAROVA / AFP)
Kostyantynivka, um dos principais bastiões ucranianos na região de Donbass, passou a ser reivindicada pela Rússia na última sexta-feira, 3. O governo Putin afirmou que suas tropas assumiram o controle total da cidade, considerada estratégica por abrir caminho para as últimas grandes áreas do leste da Ucrânia que permanecem sob domínio de Kiev.
A batalha pela cidade, que tinha cerca de 78 mil habitantes antes da guerra, se intensificou no fim de 2025 e se tornou o principal esforço ofensivo russo em uma frente de combate de mais de mil quilômetros.
O avanço no fronte oriental ocorreu um dia após um bombardeio russo de grandes proporções contra Kiev, que matou ao menos 30 pessoas. Ucrânia e Rússia prometeram ampliar as ofensivas militares, enquanto as negociações por um cessar-fogo seguem sem avanços.
Segundo autoridades ucranianas, a capital foi atingida por uma combinação de 74 mísseis e 496 drones lançados ao longo de mais de 11 horas. Apesar de a defesa aérea afirmar ter interceptado a maior parte dos projéteis, dezenas atingiram diferentes bairros da cidade, destruindo prédios residenciais, uma estação de ambulâncias, um depósito da Cruz Vermelha e um centro de distribuição de livros.
O prefeito Vitali Klitschko classificou a ofensiva como o "ataque mais massivo" já realizado contra a capital. Ao menos 30 pessoas morreram e 91 ficaram feridas, enquanto mais de 52 mil moradores buscaram abrigo nas estações de metrô durante a madrugada.
Moscou afirmou que os bombardeios tiveram como alvo instalações militares e de infraestrutura energética, alegando que a operação foi uma resposta aos ataques ucranianos contra instalações civis e energéticas em território russo. Kiev rejeitou essa justificativa e acusou a Rússia de atingir deliberadamente áreas residenciais.
