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InvestMercadosFIN
01/10/2026
8 min

Com novo FIDC de R$ 100 milhões, Wellhub amplia crédito para academias de bairro

Entenda por que a plataforma empresta dinheiro até para academias que também aceitam TotalPass

Com novo FIDC de R$ 100 milhões, Wellhub amplia crédito para academias de bairro
RESUMO +

A plataforma de benefícios Wellhub (antigo Gympass) vai disponibilizar mais R$ 100 milhões em crédito para academias e estúdios parceiros no Brasil, um ano após lançar seu primeiro FIDC. Segundo a companhia, mais de R$ 100 milhões já foram concedidos a mais de mil parceiros. Os empréstimos têm ticket médio de R$ 130 mil e prazo de até 30 meses.

O Wellhub (antigo Gympass) vai colocar mais R$ 100 milhões à disposição de academias e estúdios parceiros no Brasil, um ano depois de lançar seu primeiro fundo de crédito para o setor.

A velocidade com que os recursos foram utilizados levou a empresa a repetir a operação. Mais de R$ 100 milhões já foram concedidos a mais de mil parceiros, e a demanda, segundo a companhia, não perdeu força ao longo dos últimos 12 meses.

Quando lançou o primeiro Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), no final de agosto do ano passado, o Wellhub esperava que os R$ 100 milhões durassem entre 12 e 18 meses. O dinheiro, porém, foi disponibilizado em um ritmo mais rápido do que o previsto, de acordo com a companhia. Agora, a empresa amplia a capacidade de crédito em mais R$ 100 milhões.

“Eu imaginava que esses R$ 100 milhões fossem durar de 12 a 18 meses e acabou que estamos aqui, 12 meses depois, lançando um outro”, afirma Daniel Mazini, líder de Parcerias Globais do Wellhub, em entrevista à EXAME.

Quem está tomando crédito

A maior parte dos parceiros que recorrem ao crédito é formada por negócios de pequeno porte. Cerca de 95% da base doWellhub está registrada como micro e pequenas empresas, segundo Mazini. Mais de 90% têm menos de quatro unidades e cerca de 85% operam apenas uma.

São, em sua maioria, academias de bairro e pequenos estúdios, que recorrem ao financiamento principalmente para reformar espaços, trocar equipamentos e abrir novas unidades diante principalmente do aumento da concorrência com grandes redes.

O ticket médio dos empréstimos é de aproximadamente R$ 130 mil, com prazo de até 30 meses. Mas os valores variam bastante conforme o projeto. De acordo com o Wellhub, há parceiros que tomaram R$ 50 mil, R$ 60 mil ou R$ 70 mil para despesas pontuais, enquanto um estabelecimento no Rio de Janeiro captou R$ 5 milhões para abrir três novas unidades. Em outro caso citado por Mazini, um parceiro tomou R$ 1 milhão para transferir uma unidade para outro endereço.

“Eles queriam dinheiro para reformar, expandir, comprar equipamento e instalar o ar-condicionado”, diz Mazini. “Os problemas continuam acontecendo, assim como os sonhos de expandir, de trocar o equipamento e modernizar a academia”.

O crédito é estruturado a partir dos recebíveis que as academias têm a receber do Wellhub pelos check-ins dos usuários. As parcelas são descontadas diretamente dos repasses feitos pela plataforma, sem comprometer todo o pagamento mensal do parceiro.

Essa forma de recebimento, segundo o líder de Parcerias Globais do Wellhub, reduz o risco da operação porque a companhia já acompanha a movimentação financeira daquele estabelecimento dentro da plataforma. O crédito é oferecido a empresas que têm pelo menos um ano de relacionamento com a plataforma e a companhia afirma que a inadimplência é "baixa", embora não divulgue a taxa por considerar a informação estratégica.

O mecanismo também cria uma espécie de círculo entre crédito e operação. Se a academia continua funcionando e crescendo, os próprios recebíveis gerados pelos check-ins servem de base para o pagamento do financiamento.

"Quem dá o dinheiro nesse fundo quer saber que o risco é baixo. E conseguimos diminuir bastante o risco e dar essa taxa menor para eles", afirma Mazini.

A companhia diz que cerca de um terço da base ativa já possui uma linha pré-aprovada. São aproximadamente 15 mil parceiros com algum limite disponível. Até agora, mais de mil utilizaram o crédito, e o executivo diz que a expectativa é que a parcela de parceiros que efetivamente tome recursos aumente.

A procura, segundo ele, não se concentrou em empresas exclusivas do Wellhub. Aproximadamente quatro em cada cinco operações de crédito foram para parceiros que também trabalham com outras plataformas de benefícios. Eles representam cerca de 75% do volume emprestado.

Disputa pelas academias

Isso coloca o FIDC também no meio de uma disputa mais ampla pelo relacionamento com as academias. O Wellhub não precisa que o parceiro seja exclusivo para oferecer o crédito e, em um mercado em que a TotalPass, a concorrente, vem ganhando escala, essa relação pode se tornar relevante para a estratégia da plataforma.

A TotalPass, criada em 2019 dentro da Smart Fit, tinha 2 mil academias afiliadas em 2021 e chegou a 36 mil neste ano. A base de clientes corporativos passou de 4 mil CNPJs no início de 2024 para 39 mil, enquanto os usuários ativos mensais chegaram a 4 milhões no segundo trimestre, segundo levantamento do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME). O Wellhub, por sua vez, mantém uma base maior de usuários ativos, de 7,5 milhões, e afirma ter mais de 45 mil parceiros na operação brasileira.

Para Mazini, porém, a concorrência não muda a lógica do produto financeiro. O argumento do Wellhub é que, diferentemente de uma empresa que também possui academias, a plataforma não disputa diretamente com seus parceiros.

“Não temos academia. E por não tê-las queremos que todas as academias cresçam. Não importa onde elas abram, não importa que tipo de academia abra, não concorremos com elas”, afirma.

A estratégia ganhou importância justamente porque as academias pequenas precisam disputar clientes com redes maiores e, muitas vezes, precisam investir para não ficar para trás. O próprio executivo cita o caso de uma academia de bairro que passa a enfrentar uma unidade de uma grande rede nas proximidades.

“Você não vai poder ter aquele equipamento dos anos 80 e parede de ladrilho”, diz. “Então elas acabam usando esse dinheiro para poder levantar o jogo delas e competir”.

O crédito, portanto, é também uma forma de fortalecer a rede que sustenta o modelo de negócios do Wellhub. Quanto mais academias conseguem investir e continuar operando, maior tende a ser a capacidade da plataforma de oferecer opções aos usuários. E, para a companhia, há ainda outro interesse: fazer com que os estabelecimentos permaneçam parceiros por mais tempo.

“É uma retenção sem exclusividade”, resume Mazini. “Queremos que eles fiquem com a gente muito tempo, para sempre, se puder”.

Esse relacionamento é particularmente importante porque o Wellhub depende da chamada incrementalidade — a ideia de que seus usuários levam demanda que a academia não teria capturado diretamente.

Em um levantamento global com mais de 2,5 milhões de respostas, 82,6% dos usuários brasileiros disseram que nunca haviam frequentado aquele parceiro antes de chegar pelo Wellhub. Outros 7,4% estavam inativos havia mais de três meses.

Wellhub diz que não quer virar fintech

Uma análise independente da EY-Parthenon, feita com 11 redes parceiras que somam mais de 800 unidades e representam mais de 10% dos check-ins da plataforma no Brasil, chegou a uma proporção semelhante, com 95% dos usuários analisados representavam demanda incremental, sendo 80% novos para os estabelecimentos e 15% reativados.

O dado ajuda a explicar por que o Wellhub tem interesse em ir além de simplesmente levar clientes às academias. Se a plataforma gera demanda, mas o parceiro não tem capacidade financeira para reformar uma unidade, comprar equipamentos ou abrir outra operação, parte desse crescimento pode ficar limitada.

No mês passado, um ano após o lançamento da primeira linha de crédito, o Wellhub anunciou também uma linha de seguros e o Repasse Semanal. O primeiro oferece coberturas para itens como responsabilidade civil, danos ao patrimônio, roubo de equipamentos, eventos da natureza e lucros cessantes. O segundo permite que parceiros elegíveis recebam semanalmente os valores devidos pelos check-ins, mediante desconto sobre o repasse.

Com as três soluções, a companhia passa a atuar sobre diferentes necessidades financeiras das academias com dinheiro para investir, proteção do patrimônio e previsibilidade de caixa.

Mazini afirma, porém, que o objetivo não é transformar o Wellhub em uma instituição financeira nem criar uma nova fonte relevante de receita financeira. Segundo o líder de parcerias globais, a empresa procura cobrir os custos administrativos das soluções e manter os produtos o mais baratos possível para os parceiros.

“Não estamos em uma fintech. Não olhamos quanto vamos ganhar de receita financeira com os nossos parceiros”, afirma. “Tentamos fazer tudo cobrindo apenas os custos administrativos de executar o instrumento financeiro”.

“O sucesso do Wellhub está diretamente ligado ao sucesso dos nossos parceiros. Nosso papel começa conectando academias e estúdios a novos públicos e gerando demanda para seus negócios, mas não precisa terminar no check-in”, completa Mazini.

Em meio a essa expansão, o IPO (a oferta pública inicial) nos Estados Unidos está no radar do Wellhub há alguns anos, e o mercado já discutiu uma eventual oferta de até US$ 500 milhões, como mostrou a EXAME Insight.

Questionado sobre o estágio desse processo, o executivo afirmou que a abertura de capital não é hoje o foco da companhia. Segundo Mazini, o Wellhub está concentrado na operação e no crescimento do negócio, sem uma movimentação atual para levar a empresa à Bolsa.

AutorClara Assunção
FonteExame
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