Com Ormuz travado, Trump diz não ter pressa para retomar negociações com Irã
Presidente dos EUA afirma que mantém “grande vantagem” sobre Teerã e diz acreditar que o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, está vivo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira, 26, que não tem pressa para retomar as negociações de paz com o Irã. Segundo ele, os EUA mantêm “uma grande vantagem” sobre Teerã e pretendem aumentar a pressão econômica contra o país, às vésperas de completar seis meses de conflito.
Em entrevista à emissora Al Jazeera, Trump disse não ter estabelecido um prazo para que o Irã volte à mesa de negociações.
“Não tenho nenhum prazo, nenhum mesmo. Não tenho pressa. Não tenho prazo algum. Estamos ganhando com uma vantagem considerável”, afirmou.
Trump voltou a citar a situação econômica iraniana como um dos principais fatores de pressão. Segundo o presidente americano, o país enfrenta “uma inflação enorme” e sua “economia está desmoronando”. Ele também acusou os líderes iranianos de tratarem mal a população e de matarem manifestantes.
As declarações ocorreram dois dias após os Estados Unidos anunciarem a operação que prevê sanções contra pessoas e empresas que mantenham relações comerciais com o Irã. As novas medidas ainda não têm data para entrar em vigor.
A ofensiva econômica se soma ao bloqueio naval americano dos portos e do litoral iraniano. Desde o início do conflito, o Irã também interrompeu, como retaliação, a passagem pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo, afetando o abastecimento mundial e pressionando os preços dos hidrocarbonetos.
Questionado se a pressão econômica seria mais eficaz do que um ataque militar,Trump respondeu que acredita que “ambas sejam eficazes”.
Na terça-feira, 25, o presidente disse que as forças americanas haviam removido minas do Estreito de Ormuz e advertiu o Irã contra novas tentativas de instalar explosivos na rota. Na segunda-feira (24), o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que o Pentágono não descartava o uso de “ataques cinéticos” contra alvos iranianos.
Trump diz acreditar que líder supremo do Irã está vivo
Em outra entrevista, ao radialista conservador Glenn Beck, Trump afirmou acreditar que o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, está vivo. Ele não é visto em público desde que assumiu o cargo após a morte de seu pai, no início da ofensiva americana e israelense.
“Não acho que ele esteja morto. Ele ficou gravemente ferido. O lado esquerdo do corpo, o braço, a perna, tudo. Ele ficou gravemente ferido. Mas não acho que esteja morto”, disse Trump.
Oficialmente, Khamenei continua no comando do Irã. A ausência pública e a ascensão de figuras veteranas da Guarda Revolucionária, braço ideológico do regime, alimentaram especulações sobre sua morte ou sobre a possibilidade de ele não exercer plenamente o poder.
Trump voltou a afirmar que a pressão militar e econômica está funcionando e disse esperar uma “grande vitória” em breve.
O presidente também afirmou que o Estreito de Ormuz está completamente aberto e que navios já estariam passando pela rota. A declaração ocorre em meio às dificuldades impostas pelas forças iranianas ao tráfego marítimo na região.
Trump voltou ainda a justificar a ofensiva pela tentativa de impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear. Segundo ele, esse objetivo representa “99,9%” da razão para o conflito e afirmou que os Estados Unidos já teriam impedido isso “duas vezes”.
A ofensiva militar inicial contra o Irã foi lançada pelos Estados Unidos e por Israel em 28 de fevereiro. Na ocasião, Trump afirmou que a guerra duraria cerca de duas semanas. O prazo, porém, foi sucessivamente ampliado.
(Com informações da AFP)
