Com perda de espaço da inteligência artificial, Brasil volta a ser compra para o BofA: O que mais mudou?
O Bank of America (BofA) elevou a recomendação das ações brasileiras de marketweight (neutra) — posição que o banco tinha desde junho — para overweight (compra), diante do cenário de desaceleração da atividade e a inflação mais baixa podendo permitir um ciclo de flexibilização monetária mais profundo. Agora, o BofA espera que a Selic chegue […]

O Bank of America (BofA) elevou a recomendação das ações brasileiras de marketweight (neutra) — posição que o banco tinha desde junho — para overweight (compra), diante do cenário de desaceleração da atividade e a inflação mais baixa podendo permitir um ciclo de flexibilização monetária mais profundo.
Agora, o BofA espera que a Selic chegue a 11,25% ao final de 2027, ante projeção anterior de 12,75% e abaixo dos aproximadamente 14% atualmente precificados pelo mercado. Para 2026, o banco prevê juro terminal de 13,25%.
Com isso, a instituição aumentou a exposição a mercados de capitais, bond proxies e empresas alavancadas que já fazem parte do portfólio. “Mas, com a Selic ainda elevada, continuamos a preferir empresas com geração de caixa, large caps líquidas, balanços sólidos e histórico comprovado de execução”, afirma.
“Em nossa visão, o impacto de uma política monetária mais expansionista provavelmente levará os valuations das ações a níveis menos deprimidos, compensando os riscos de revisões negativas nas estimativas de lucros, desaceleração da demanda e, em alguma medida, até mesmo a incerteza eleitoral”, explica o BofA.
De acordo com o banco, o Ibovespa (IBOV), excluindo commodities, é negociado com um desconto de 10% em relação à sua média histórica. Entretanto, as ações mais sensíveis aos juros são negociadas com descontos ainda maiores.
No segmento de commodities, o BofA mantém exposição marketweight a materiais, por meio da Vale (VALE3), e a petróleo, por meio da Petrobras (PETR4).
Além disso, como catalisador de curto prazo para o Ibovespa, o banco afirma que a atenção do mercado está cada vez mais voltada para as eleições brasileiras de 2026, com o primeiro turno marcado para 4 de outubro e um possível segundo turno em 25 de outubro.
Nesse contexto, a política fiscal continua sendo a principal questão econômica, “uma vez que o aumento da dívida pública exige um ajuste significativo. Entretanto, a estrutura rígida dos gastos públicos limita o espaço para uma consolidação fiscal”, avalia o BofA.
Investidores estrangeiros retornam
Os fluxos de capital estrangeiro para o Brasil foram retomados, com R$ 6 bilhões de entradas em ações à vista nos últimos 10 dias, revertendo parcialmente os R$ 20 bilhões de saídas observados nos últimos três meses.
De acordo com o banco, o movimento também foi favorecido por uma desaceleração do trade relacionado à inteligência artificial — o Brasil teve desempenho superior ao de Taiwan, Coreia do Sul e das empresas de semicondutores dos EUA.
Também foram observadas evidências de fechamento de posições vendidas (short covering) no Brasil, com alguns dos papéis mais vendidos a descoberto apresentando desempenho superior desde meados de agosto.
Visão para América Latina
Para o restante da América Latina, o BofA manteve as suas avaliações. O banco manteve a recomendação de compra para países andinos, com a maior alocação no Peru, e recomendação ligeiramente overweight na Colômbia.
“Também continuamos overweight na Argentina, em razão da agenda de reformas”, acrescenta.
Já para o Chile, a recomendação segue neutra. Por outro lado, o banco segue com venda para o México, devido ao cenário de atividade mais fraca e às incertezas quanto ao acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA, em inglês).
