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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
24/06/2026
6 min

Com R$ 200 milhões, resort em SC terá maior piscina de ondas do Brasil; veja imagens

Com R$ 200 milhões, resort em SC terá maior piscina de ondas do Brasil; veja imagens

Estruturado como ativo imobiliário faseado que integra diferentes usos dentro de um único território, o All Resort Club Residence ocupará 370 hectares em Porto Belo, valorizada região de Santa Catarina a 69 quilômetros de Florianópolis.

O modelo combina lotes residenciais, condomínios verticais e infraestrutura esportiva distribuída ao longo do projeto. A All Wert, responsável pelo empreendimento, revelou à EXAME que uma nova fase do complexo contará com a maior piscina de ondas do Brasil — superando o tamanho de equipamentos já construídos em São Paulo e Santa Catarina.

O ciclo completo do empreendimento como um todo, segundo projeções da incorporadora, pode alcançar aproximadamente R$ 20 bilhões em valor geral de vendas (VGV) até o fim do desenvolvimento, previsto para ocorrer de forma gradual até 2040.

No curto prazo, a empresa trabalha com uma expansão relevante de vendas, saindo de R$ 800 milhões em 2025 para R$ 1,5 bilhão em 2026.

Richard Schwambach, CEO da All Wert, afirma que a lógica do projeto foi desenhada para sustentar esse crescimento ao longo do tempo. “A ideia sempre foi criar um produto que não se encerra na entrega, mas que continua evoluindo como plataforma”, disse.

Richard Schwambach, CEO da All Wert: empreendimento em Santa Catarina aposta em modelo de uso misto com integração entre moradia, esporte e infraestrutura de lazer de alto padrão. (All Wert/Divulgação)

Como será a piscina de ondas de R$ 200 milhões

A piscina de ondas será o principal ativo do chamado "Setor Beach", que também incluirá clube, restaurantes, academias e áreas de convivência. O investimento estimado na estrutura é de R$ 200 milhões.

A solução adotada pela All Wert utiliza a tecnologia da espanhola Wavegarden, a mesma empregada em empreendimentos como Fazenda da Grama, em São Paulo, e Surfland, em Garopaba (SC), além do Beyond The Club, projeto de clube urbano na capital paulista.

Embora todos compartilhem a mesma base tecnológica, os projetos têm propostas e escalas distintas de operação e acesso.

O Surfland se consolidou como o principal surf park de operação comercial aberta ao público no Brasil, com foco em aulas, sessões de surf e experiências pagas em ondas artificiais. Já a Fazenda da Grama foi o primeiro projeto Wavegarden da América do Sul e opera em formato de clube privado de altíssimo padrão, com uso restrito a associados e convidados.

Em São Paulo, o Beyond The Club segue uma lógica semelhante à de clubes urbanos de luxo, combinando piscina de ondas com serviços de hospitalidade e esportes dentro de um ambiente fechado de associação.

Em todos os casos, embora a tecnologia seja similar, as configurações variam conforme o projeto, o que impede uma comparação direta de escala entre as estruturas.

No caso do All Resort, a diferença está na integração da piscina de ondas ao masterplan imobiliário e na criação de uma área de praia artificial com cerca de 1 quilômetro de extensão, conectada diretamente a um empreendimento residencial de grande porte.

Piscina de ondas do All Resort: equipamento com tecnologia Wavegarden será integrado ao masterplan do empreendimento e funcionará como núcleo de experiências esportivas e de lazer. (All Wert/Divulgação)

A proposta da incorporadora é que o equipamento não funcione como atração isolada, mas como parte de um sistema contínuo de lazer, moradia e urbanismo dentro do mesmo complexo.

“A gente conseguiu ampliar o comprimento e retirar as paredes laterais. Isso muda completamente a experiência”, afirmou.

A empresa afirma que o objetivo é posicionar o projeto entre os maiores do mundo nesse tipo de estrutura, ainda que a comparação dependa de critérios técnicos específicos de cada instalação.

Como recriar a experiência de praia dentro de um condomínio

O Setor Beach foi desenhado para funcionar como uma praia artificial integrada ao complexo residencial. A estrutura inclui faixa de areia, controle de acesso e serviços de hospitalidade, além da piscina de ondas como elemento central.

A proposta surge como alternativa ao uso das praias da região durante o verão, quando a ocupação aumenta de forma significativa no litoral catarinense.

“Hoje você tem praias cheias. Aqui você vai ter uma praia com exclusividade, com serviços completos e gestão controlada”, disse o CEO da All Wert.

O conceito amplia a lógica do empreendimento de transformar lazer em infraestrutura permanente dentro do próprio condomínio.

Como serão os outros espaços

A segunda grande âncora do masterplan é o Rafa Nadal Tennis Center, primeira unidade da marca na América do Sul. O projeto reúne 126 lotes residenciais e tem VGV estimado em cerca de R$ 600 milhões.

Segundo a All Wert, mais da metade das unidades já foi comercializada, reforçando o apelo do projeto no segmento de alto padrão e a estratégia de associação com marcas esportivas globais.

O centro de tênis funciona como parte intermediária do desenvolvimento do empreendimento, conectando a fase do golfe ao novo eixo de expansão ligado ao Setor Beach.

Rafa Nadal Tennis Center no All Resort: primeira unidade da marca na América do Sul integra masterplan do empreendimento e reforça estratégia de associação a marcas globais do esporte. (All Wert/Divulgação)

Já o campo de golfe foi o primeiro equipamento entregue no All Resort e recebeu investimento de R$ 400 milhões. A estrutura começou com nove buracos e será expandida para dezoito, com iluminação para jogos noturnos e operação integrada ao complexo residencial.

A escolha do golfe como ponto de partida, segundo o CEO, tem relação direta com o posicionamento de mercado. “Nenhum outro esporte posiciona o alto padrão como o golfe”, afirmou Schwambach. “Ele foi o início de tudo dentro do projeto.”

O ativo já impacta diretamente a dinâmica comercial do empreendimento, que inclui lotes associados ao campo e unidades residenciais distribuídas no entorno da estrutura esportiva.

Campo de golfe iluminado do All Resort: investimento de cerca de R$ 400 milhões deu origem ao primeiro ativo entregue do empreendimento na Costa Esmeralda. (All Wert/Divulgação)

Como o masterplan integra mobilidade

Além dos equipamentos esportivos, o All Resort inclui um parque linear que atravessa todo o empreendimento e conecta os diferentes setores. O projeto já tem cerca de 5 quilômetros executados e deve chegar a aproximadamente 21 quilômetros na fase final.

O parque inclui intervenções arquitetônicas e obras de arte distribuídas ao longo do percurso, criando pontos de encontro e circulação contínua entre áreas residenciais e esportivas.

A proposta prioriza deslocamento a pé e integra urbanismo, paisagismo e lazer em uma única estrutura de uso contínuo.

O All Resort manterá a gestão de toda a infraestrutura sob responsabilidade da própria incorporadora, sem transferência das áreas comuns para associações de moradores.

O modelo funciona via sistema de membros vinculado à unidade imobiliária, permitindo acesso universal aos equipamentos do complexo.

“Isso garante continuidade de padrão e evita a fragmentação da operação ao longo do tempo”, afirmou Schwambach.

A empresa também estrutura a operação com executivos oriundos do setor de hospitalidade, incluindo profissionais com experiência em operações de clubes internacionais.

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
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