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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
05/08/2026
7 min

Com R$ 8 milhões, famosa galeteria gaúcha estreia em Brasília — e já olha pontos em Goiás e Minas

Di Paolo projeta faturar mais de R$ 200 milhões em 2026 segundo o proprietário Paulo Geremia, que também investiu um vinícola com seu nome no Rio Grande do Sul

Com R$ 8 milhões, famosa galeteria gaúcha estreia em Brasília — e já olha pontos em Goiás e Minas

A Di Paolo, tradicional rede de galeterias criada na Serra Gaúcha, prepara para setembro a abertura de seu primeiro restaurante em Brasília (DF). A nova unidade recebeu investimento de R$ 8 milhões e faz parte do plano da companhia de ultrapassar R$ 200 milhões em faturamento em 2026, ante R$ 170 milhões registrados no ano passado.

Grande parte do aporte foi destinada à construção do prédio de mais de mil metros quadrados, erguido do zero às margens do Lago Paranoá. Segundo Paulo Geremia, fundador da rede, R$ 5,5 milhões foram aplicados na obra e o restante, na estrutura do restaurante, incluindo cozinha, câmaras frias, climatização, móveis e equipamentos.

A casa será instalada na área do Clube de Engenharia e Arquitetura de Brasília, nas proximidades do Pier 21. Com vista para o lago, o restaurante terá capacidade total de 380 pessoas, considerando salão, áreas reservadas, varanda e bar.

“Essa foi uma das casas em que mais investimos porque construímos todo o prédio desde o zero”, afirma Geremia. “É uma localização muito privilegiada de Brasília, com 100% de vista para o lago.”

A inauguração deve ocorrer na primeira quinzena de setembro, depois da conclusão da montagem e do treinamento da equipe.

Um restaurante pensado para grupos

A configuração da unidade foi desenhada para receber tanto famílias quanto encontros corporativos e eventos privados. O salão principal terá 160 lugares e poderá ser integrado a uma área reservada para outras 120 pessoas, que contará com entrada independente.

O espaço também poderá ser dividido em ambientes menores, destinados a grupos de 20 a 30 pessoas. A varanda terá cerca de 90 lugares, parte deles em uma área aberta, além de um balcão de bar. O empreendimento contará ainda com espaço infantil e aproximadamente 180 vagas de estacionamento.

A aposta em áreas reservadas está ligada ao próprio modelo de atendimento da Di Paolo. Em vez de pedidos individuais à la carte, a casa trabalha com uma sequência de galeto, massas e acompanhamentos, servidos com reposição à mesa.

“O nosso sistema de serviço é muito bom para eventos. A gente vai repondo a mesa e todo mundo come à vontade”, diz. “Acreditamos muito na procura por eventos, somada ao movimento do dia a dia.”

Essa característica também pesou na escolha de Brasília. Além dos moradores da capital, a empresa pretende atender turistas, servidores públicos, executivos e profissionais que circulam pela cidade por causa da atividade política.

Hotéis de Brasília registram movimento especialmente forte entre terça e quinta-feira, período em que se concentram compromissos políticos e corporativos. Os reservados poderão receber reuniões de empresas, lançamentos de produtos, encontros de laboratórios, aniversários, casamentos e confraternizações.

“A gente primeiro precisa ser bom para o morador de Brasília. Depois, esse público vai nos indicar para todo o fluxo de pessoas que circula pela política e pelo turismo”, afirma Geremia.

A empresa também espera atrair consumidores de cidades localizadas em um raio de até 80 quilômetros da capital. Geremia afirma que a marca já é conhecida por moradores da Região Sul que vivem em Brasília e por brasilienses que visitam as unidades gaúchas.

Unidade de Brasília em fase final de construção: inauguração está prevista para a metade de setembro (Di Paolo/Divulgação)

Onde serão as próximas lojas da Di Paolo

A chegada ao Distrito Federal abre uma nova frente geográfica para a Di Paolo. Atualmente, a rede está presente no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, no Paraná, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Agora, Goiás e Minas Gerais aparecem como os próximos mercados prioritários.

As cidades analisadas são Goiânia e Uberlândia. Além do tamanho e do potencial econômico desses mercados, há uma razão logística para a escolha.

Os produtos usados nos restaurantes são enviados da indústria da companhia em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. O caminhão destinado a Brasília terá compartimentos para mercadorias secas, refrigeradas e congeladas e deverá realizar a rota aproximadamente a cada 15 dias.

No trajeto, o veículo passa por Campinas, onde a Di Paolo já possui uma unidade, segue pela região de Uberlândia e passa perto de Goiânia antes de chegar ao Distrito Federal. Cada viagem deverá custar cerca de R$ 17 mil.

Abrir restaurantes nas duas cidades permitiria dividir o custo da operação entre mais unidades e aproveitar uma rota que já precisará ser percorrida para abastecer Brasília.

“Para diluir esse valor, seria bom termos Uberlândia e também Goiânia, porque as duas ficam no caminho”, afirma Geremia. “Além do custo, sempre é um desafio criar uma rota nova. Agora que fomos até Brasília, temos essas duas cidades no meio.”

As aberturas, no entanto, não devem ocorrer em 2026. Segundo o empresário, a companhia decidiu concentrar os recursos deste ano na conclusão da unidade de Brasília e nos investimentos realizados na Serra Gaúcha. Os novos restaurantes continuam sem data definida, mas Goiânia e Uberlândia são apontadas como os principais focos do próximo ciclo de expansão.

A rede deverá priorizar imóveis de rua ou empreendimentos com acesso direto e estacionamento. Geremia afirma que unidades da rede instaladas fora de shoppingcenters costumam apresentar rentabilidade superior, devido aos custos de aluguel, condomínio e fundos de promoção cobrados pelos centros comerciais.

A avaliação é que o público de negócios, especialmente no horário do almoço, prefere estacionar próximo à entrada e acessar rapidamente o restaurante — característica incorporada ao projeto de Brasília.

De cara nova

A expansão ocorre em paralelo à atualização da identidade visual da Di Paolo. A nova marca foi apresentada em um evento realizado em São Paulo e deverá ser incorporada gradualmente às unidades da rede.

O movimento alcança também o Dipa, operação anteriormente chamada de Di Paolo Express. Com um cardápio de galetos, grelhados e pratos individuais, a marca funciona principalmente em centros comerciais, aeroportos e pontos turísticos.

Uma nova unidade do Dipa foi inaugurada recentemente no centro de Gramado, no imóvel anteriormente ocupado pelo restaurante Tarantino. O endereço tem papel estratégico na divulgação da marca por estar em um dos destinos turísticos mais visitados do país.

Paulo Geremia e Jandir Dalberto, sócios da Di Paolo: dupla lidera a expansão da rede fora do Sul (Manoel Petry/Divulgação)

As operações antigas também serão reformadas para receber o novo nome e o novo padrão visual. Entre elas estão unidades que ainda operam com marcas remanescentes de uma antiga frente de franquias, como pontos no Aeroporto de Porto Alegre e no Shopping Iguatemi.

Geremia afirma que a companhia não pretende retomar a expansão por franquias. A Di Paolo cresce apenas com restaurantes próprios e sócios-operadores, modelo que permite à empresa manter maior controle sobre o serviço e os produtos.

Uma nova aposta

Criada há 31 anos, a Di Paolo surgiu a partir da trajetória de Geremia como garçom em galeterias do interior do Rio Grande do Sul. Atualmente, o grupo possui mais de 20 operações e emprega mais de mil pessoas.

A empresa também controla uma indústria em Bento Gonçalves, responsável por produzir e distribuir parte dos insumos utilizados nos restaurantes. A estrutura fabrica massas, caldos, pizzas e doces de marca própria, vendidos tanto nas casas quanto em supermercados.

Outra frente de investimento é a vinícola Paulo Geremia, construída no Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha. O projeto recebeu R$ 12 milhões e terá capacidade para produzir 30 mil litros de vinho por ano quando estiver em plena operação.

Os primeiros rótulos elaborados integralmente na nova estrutura ainda passarão pelos processos de fermentação, amadurecimento e descanso em garrafa antes de chegar ao mercado. O complexo também possui um restaurante com serviço à la carte e espaço para eventos com vista para os vinhedos.

A diversificação e a abertura de restaurantes fora do Sul sustentam a meta de superar R$ 200 milhões em receita neste ano. Em Brasília, a rede terá seu teste mais distante da base produtiva gaúcha — e, ao mesmo tempo, o ponto de partida para avançar sobre dois novos estados.

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
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