Com retrofit de R$ 200 milhões, casal transforma hotel em 'all inclusive' de luxo
Grupo PGA, do casal Malheiros, leva bandeira Westin, da Marriott, ao polo de resorts de Porto de Galinhas

Foi em Ipojuca (PE), na praia de Porto de Galinhas, que o casal Eduardo e Ana Malheiros, veteranos da hotelaria, comprou um pequeno hotel em 2008 com a ideia de transformá-lo em um grande empreendimento. Nos anos seguintes, trabalharam na renovação e ampliação do espaço e a estrutura original virou um resort. Mas os empresários tinham planos ainda maiores para o local.
"Em 2016, tomamos a decisão de fazer um projeto todo voltado para atender à possibilidade de obter uma bandeira de uma cadeia internacional", explica Eduardo. O local foi repaginado com o verniz do arquiteto Daniel Piana. O "retrofit" do resort é um trabalho em andamento e, até agora, seu custo é estimado em R$ 200 milhões. No momento, há um rooftop em construção e só essa parte da estrutura está orçada em R$ 40 milhões. “Você não pode simplesmente fazer um produto, dizer que está pronto e partir para outro. A gente tem que estar sempre renovando”, afirma o empresário.
O investimento valeu a pena. Em 2022, os Malheiros conseguiram atrair e fechar negócio com a Marriott International, que opera no Brasil com marcas como Sheraton e JW. O empreendimento em Porto de Galinhas não só ganhou a chancela que o casal desejava, como conquistou um privilégio: a marca de alto padrão The Westin.
A proposta do Westin é levar o sistema "all inclusive" dos resorts tradicionais para um hóspede de alta renda. Para tanto, alguns tabus precisaram ser quebrados. "Por muito tempo a Marriott se negou a operar nesse modelo porque o 'all inclusive' sempre passou a imagem de algo muito popular", diz Eduardo. "Esse foi o primeiro The Westin ‘all inclusive’ da América Latina", afirma Guido Stütz, general manager do The Westin Porto de Galinhas.
The Westin em Porto de Galinhas: 'all inclusive' com luxo (Divulgação)
Com 20 mil metros quadrados, o hotel tem 154 quartos divididos entre quatro categorias, que vão de unidades mais "básicas" a apartamentos duplex com piscina privativa. As diárias variam de US$ 500 até U$ 1.500 por casal.
O resort tem quatro restaurantes. Para adaptar o 'all inclusive' ao paladar mais exigente dos hóspedes endinheirados, a cozinha do Westin tem equipamentos inteligentes que padronizam o preparo dos alimentos e visam reduzir riscos de contaminação cruzada, um cuidado essencial para garantir a reputação de um local de alto padrão. O ambiente também é monitorado por aplicativo e conta com fornos que utilizam inteligência artificial.
A presença da bandeira internacional também ajuda o resort a atrair viajantes estrangeiros que já conhecem a marca globalmente. A média de ocupação do resort gira em torno de 77%.
A Marriott possui 30 bandeiras e mais de 10 mil hotéis pelo mundo. Só na América Latina são 500. O Brasil, apesar de sua representatividade na região, ainda foi pouco explorada pela bandeira hoteleira. “É o único mercado da Marriott no mundo em que eles não são líderes”, afirma Stütz.
Porto de Galinhas é conhecido como polo de resorts no litoral pernambucano e o Westin concorre com outros nomes famosos, como o Summerville, Enotel, Nannai e Vivá. “Tem espaço e produto para todo mundo”, enfatiza Ana.
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Além de casados, Eduardo e Ana também são sócios do Grupo PGA, empresa da família Malheiros. Ele é CEO e ela, diretora operacional.
Em Porto de Galinhas, os Malheiros entraram em um negócio que já estava em operação e repaginou com melhorias, para se adequar a padrões internacionais. Mas o grupo também faz empreendimentos hoteleiros "do zero", como o segundo Westin que vai ser construído em uma área de 83 mil metros quadrados no Polo Turístico do Cabo Branco, em João Pessoa. Será o primeiro hotel internacional da Paraíba e sua inauguração está prevista para 2028.
Uma outra parceria com o Marriott prevê levar até 30 propriedades hoteleiras da bandeira City Express ao Nordeste ao longo dos próximos 15 anos. O investimento total é estimado em R$ 1 bilhão e a gestão será feita pela Fábrica de Hotéis, empresa do Grupo PGA, comandada por Tarcysio Malheiros, filho dos fundadores.
No mês passado, o Grupo PGA captou R$ 25 milhões com notas comerciais pelo Regime Fácil, na B3. Os recursos vão ser utilizados na construção das novas unidades do City Express.Eduardo aponta que a cadeia hoteleira no Nordeste está perdendo espaço para empreendimentos imobiliários. Alguns exemplos são hotéis que viraram condomínios residenciais nas orlas de Salvador e de Fortaleza. O que falta, segundo ele, é justamente a presença de bandeiras internacionais na região. Segundo ele, outros hotéis passam a buscar investimentos e melhorias para acompanhar o novo padrão de competição. “Marca internacional, quando chega, posiciona o destino”, conclui.
A reportagem viajou para Ipojuca a convite da PGA
