Com tecnologia, dança e luzes, empresa mira R$ 20 milhões com novo modelo de entretenimento
Fundada em 2019, a LightWire começou criando experiências para eventos corporativos e agora aposta na venda de ingressos ao público final

Os irmãos Daniel e Felipe de Almeida já tinham experiências na realização de eventos corporativos quando decidiram criar uma empresa própria: a LightWire. A ideia era criar experiências integradas e inovadoras. Começaram por meio de figurinos luminosos até criarem uma experiência completa, com dança, tecnologia, figurinos inteligentes, conteúdos digitais, trilha sonora e produção.
“Nós temos uma solução de arte e entretenimento imersivo. Criamos um produto visual, não simplesmente um sistema que desenvolvemos, uma roupa que acende ou só um conteúdo. Nós vendemos uma solução integrada”, diz Felipe.
Criada em 2019, a empresa foi além do cenário corporativo este ano e levou um espetáculo de luzes para o Rock in Rio 2026. A apresentação incentivou uma nova frente de negócios: a venda de ingressos ao público final em espetáculos produzidos pela LightWire.
Com a atuação, a empresa espera dobrar o faturamento em 2026, saindo de R$ 6 milhões para R$ 12 milhões. O primeiro show neste formato acontece durante o Natal Luz de Gramado, entre outubro de 2026 e janeiro de 2027. A empresa já possui projetos programados para 2027, ano em que espera faturar R$ 20 milhões.
Qual a história da LightWire?
Felipe trabalhava com direção técnica de eventos e Daniel na área de conteúdo e produto de eventos. Na rotina diária de trabalho, sentiam a necessidade de sempre criar algo novo. “O evento corporativo exige inovação o tempo inteiro”, afirma Daniel.
Daniel e Felipe de Almeida, fundadores da LightWire, começaram com apresentações para eventos corporativos e agora levam a tecnologia da empresa para produções próprias voltadas ao público final (Divulgação)
Em seus projetos, Daniel já havia criado cenas em que dançarinas interagiam com conteúdos de fora, mas queria oferecer algo mais imersivo. Foi quando levou a ideia de criar um figurino inteligente ao seu irmão, e começaram a desenvolver os primeiros protótipos.
Após desenvolver o produto, o contato já existente com o mundo de eventos corporativos facilitou a chegada aos primeiros clientes. Apesar disso, existia o desafio de mostrar do que se tratava a solução, o que muitas vezes exigia pequenas demonstrações em estúdios.A LightWire começou a atuar no fim de 2019 e, até março de 2020, realizou cerca de seis eventos, quando precisou rever os planos por causa da pandemia. Apesar do momento ruim, não deixaram a empresa de lado. Aproveitaram o período para aprimorar a tecnologia e voltar mais preparados quando as restrições fossem liberadas.
“Em 2022, com o fim da pandemia, voltamos mais fortes, com soluções mais avançadas para o mercado, como roupas que mudavam de cor e novos figurinos. Esse período representou uma guinada importante para a empresa”, diz Felipe.
No primeiro momento, a empresa realizou eventos menores, o que permitiu colocar em prática os projetos desenvolvidos durante a pandemia e testar novos figurinos. Com isso, quando os grandes eventos foram retomados, a LightWire já contava com uma estrutura mais consolidada.
Apresentação da LightWire: figurinos iluminados ganham movimento e interagem com a coreografia para criar um dos números da companhia (Divulgação)
“O cliente nos vê como solucionadores porque trabalhamos a partir da estrutura que o evento já tem. Mesmo quando envolve painéis, iluminação ou sonorização, aproveitamos o que já está instalado, acrescentando apenas o que é necessário para a nossa solução”, afirma Daniel.
Espetáculo de luzes no Rock in Rio
Durante o Rock in Rio 2026, a LightWire levou o espetáculo ECCO para um espaço de 1.200 m², em uma operação que chegou a ter cinco apresentações diárias de cerca de 20 minutos.A participação aconteceu a convite da organização do evento, que conheceu o trabalho dos irmãos durante a participação no America’s Got Talent, em que alcançaram a quinta colocação.
No Rio de Janeiro, a apresentação explorou os aspectos da natureza, com músicas que marcaram a trajetória do festival. A experiência funcionou como uma oportunidade para testar e aprimorar processos de produção, logística, treinamento, substituição rápida de profissionais e execução em grande escala. “Esse projeto é o que marca nossa ida oficial para as apresentações ao público final”, diz Felipe.
O movimento também é marcado pela necessidade constante de novas soluções nos eventos corporativos. Como os eventos são pontuais e os clientes costumam demandar experiências diferentes a cada edição, a empresa percebeu que poderia aproveitar sua tecnologia em formatos recorrentes.
Agora, a empresa passa a desenvolver espetáculos para teatro e casas de shows, migrando parte da operação para o mercado B2C e permitindo que os mesmos conteúdos sejam apresentados diversas vezes a diferentes públicos.O primeiro espetáculo acontece durante o Natal Luz de Gramado, que começa em 22 de outubro. “No Natal, vamos apresentar uma proposta diferente da que fazemos nos eventos corporativos. Será um espetáculo de teatro imersivo, com telas, figurinos e toda a nossa tecnologia, mas também com personagens, narrativa e uma história que se desenvolve até um grande final”, afirma Felipe.
Os empreendedores esperam que as apresentações no Rio Grande do Sul fiquem com os ingressos esgotados, mas reconhecem o desafio de manter o engajamento durante mais de três meses. “Um dos desafios para nós é conseguir público para todos esses dias, porque não é só dezembro. A temporada começa em outubro e vai até janeiro”, diz Felipe.
Próximos passos
A LightWire já tem espetáculos planejados para 2027, o que será facilitado por meio de uma parceria com a Ticketmaster. Para os próximos espetáculos próprios, a empresa pretende contar com a plataforma na comercialização dos ingressos, apoiando o plano de levar as produções a grandes capitais brasileiras e realizar temporadas de dois a três meses em cada cidade.
A primeira peça a receber essa estrutura, em 2027, será Gaia, que deve passar por cinco capitais ainda não definidas. Depois disso, a LightWire deve lançar um espetáculo infantil e um voltado às músicas brasileiras.
“São várias frentes, mas sempre com uma estética muito ligada à natureza e ao orgânico, sem seguir para o lado high-tech. A nossa ideia é usar a tecnologia para contar histórias que emocionam, e não como uma ferramenta de ponta por si só”, diz Daniel.
Para driblar o desafio de divulgar um formato ainda pouco conhecido pelo público, a LightWire aposta em mostrar, na prática, o que acontece durante as apresentações. A estratégia inclui usar registros de trabalhos anteriores, como as participações no America’s Got Talent e no Rock in Rio, para ajudar a explicar a experiência, além de explorar as reações de quem assiste aos espetáculos.
A empresa pretende reunir depoimentos e imagens do público durante a temporada para transformar essas experiências em material de divulgação e, assim, facilitar a compreensão do que o espectador encontrará no espetáculo. “Não é bem um teatro, não é um filme, não é exatamente um show. A dificuldade maior hoje está em explicar ao público o que ele vai assistir”, afirma Daniel.
Além da entrada no B2C, a empresa espera continuar crescendo no mercado corporativo e apostar também na venda de espetáculos prontos para casas de shows e em ativações interativas para museus e marcas.
“Queremos cada vez mais criar os nossos próprios ativos de propriedade intelectual e levar esses espetáculos para diferentes mercados”, diz Daniel.
Com as novas frentes, a empresa deve fechar 2026 com faturamento de R$ 12 milhões e alcançar R$ 20 milhões em 2027.
