Com US$ 10 milhões, este brasileiro criou um streaming grátis que mira 10 milhões de usuários
A iNNova TV reúne mais de 45 canais ao vivo e 1.500 horas de conteúdo sob demanda em um serviço gratuito financiado por publicidade, com planos de integrar inteligência artificial e compras à experiência de assistir à TV

O mercado de streamingenfrenta um desafio: conquistar a atenção de um público que já tem dezenas de opções de entretenimento e, ao mesmo tempo, encontrar formas de financiar a produção e a distribuição de conteúdo. Nesse cenário, plataformas gratuitas sustentadas por publicidade tentam ganhar espaço no orçamento e na rotina dos espectadores.
É nessa disputa que entra a iNNova TV, plataforma brasileira que reúne canais de televisão ao vivo, rádios e conteúdo sob demanda sem cobrar mensalidade. Foram US$ 10 milhões investidos no projeto e pretende alcançar até 10 milhões de usuários cadastrados nos primeiros 12 meses de operação.
Lançada em soft opening, fase inicial de operação voltada a preparar o serviço para o mercado, em 1º de julho de 2026, a plataforma aposta em um modelo conhecido como AVOD, sigla em inglês para vídeo sob demanda sustentado por publicidade. A estratégia inclui ampliar a distribuição em televisores conectados e desenvolver ferramentas para aproximar anúncios e compras durante a programação.
“O primeiro desafio é conquistar espaço na rotina do público, que já tem muitas opções de entretenimento”, diz Jaime de Paula, CEO da iNNova TV.
Nos próximos meses, a empresa pretende avançar na recomendação de conteúdo cominteligência artificial, no T-Commerce, modalidade que permite comprar produtos durante a experiência de assistir à TV, e em uma ferramenta para que anunciantes comprem espaços publicitários diretamente na plataforma. A meta é transformar a audiência em receita publicitária e, no futuro, avaliar a expansão para outros países da América Latina e mercados de língua portuguesa.
Como funciona o modelo de negócio
A iNNova TV oferece acesso gratuito mediante cadastro. A receita virá da publicidade e de parcerias comerciais, com a possibilidade de cobrar por conteúdos específicos no formato pay-per-view, em que o usuário paga para assistir a uma transmissão ou produção determinada.
Na prática, a empresa tenta ocupar um espaço entre a televisão aberta e os serviços de streaming por assinatura. O usuário pode acompanhar canais ao vivo ou escolher títulos sob demanda, sem assumir uma despesa mensal fixa.
A plataforma estreou com mais de 45 canais de TV online e cerca de 1.500 horas de conteúdo sob demanda, entre filmes, séries e documentários. A empresa prevê ampliar o catálogo ao longo do tempo, com a expectativa de acrescentar volume semelhante de conteúdo a cada ano.
O modelo gratuito reduz a barreira de entrada para o consumidor, mas impõe uma condição ao negócio: a empresa precisa atrair audiência suficiente para gerar receita com anúncios. O número de cadastros, por si só, não garante que a operação será rentável. A frequência de uso, o tempo de permanência na plataforma e a capacidade de vender publicidade também são determinantes.
A disputa pela publicidade
A estratégia da iNNova TV vai além da distribuição de conteúdo. A companhia quer desenvolver recursos que permitam segmentar anúncios, medir resultados e criar formatos interativos para as marcas.
A inteligência artificial atua para recomendar programas e tornar a publicidade mais alinhada aos interesses dos espectadores. A empresa também planeja lançar um modelo de compra de mídia self-service, em que anunciantes, agências e representantes comerciais poderão selecionar parâmetros como orçamento, localidade e período de veiculação.
“Um dos grandes diferenciais é que teremos um modelo self-service de mídia, onde o usuário final, empresas de todos os tamanhos, agências e representantes comerciais, poderão eles mesmos escolher como anunciar na plataforma e fazer isso de forma simples e prática, com o valor de investimento, localidade e período de veiculação que quiserem”, diz De Paula.
O T-Commerce adiciona outra frente à estratégia. A ideia é permitir que o espectador interaja com uma publicidade e avance para a compra de um produto sem interromper completamente a experiência de assistir à programação.
O desafio de conquistar usuários recorrentes
A iNNova TV pretende combinar presença nas lojas de aplicativos, campanhas digitais, promoções, participação em feiras e eventos e parcerias estratégicas. “Os canais de TV que fazem parte do nosso portfólio e os conteúdos parceiros também ajudam a apresentar a plataforma a públicos que já acompanham suas marcas e programas”, diz De Paula.
A companhia afirma que tem parcerias ainda não anunciadas. O trabalho de divulgação será importante para apresentar o serviço ao público. A dificuldade seguinte será criar motivos para que os espectadores voltem.
“No primeiro ano, o esforço é tornar a iNNova TV conhecida e transformar essa descoberta em uso recorrente. Para isso, a divulgação precisa vir acompanhada de uma experiência simples e de uma programação que dê ao espectador motivos para voltar”, afirma.
A curadoria, segundo o CEO, considera a qualidade técnica, a relevância para o público e a adequação comercial dos conteúdos. “Buscamos um catálogo diverso que atenda a diferentes interesses e preserve uma experiência consistente para o espectador”, diz.
A expectativa é que os dados de audiência permitam identificar os conteúdos de maior interesse e orientar ajustes na programação e no catálogo conforme o comportamento do público.
A expansão para outros mercados
A iNNova TV também associa seus planos à evolução da TV 3.0, próxima geração da televisão aberta brasileira, que prevê avanços na integração entre transmissão e internet e abre espaço para experiências mais interativas. A plataforma quer explorar possibilidades de publicidade segmentada, mensuração de campanhas e comércio integrado à programação.
“Nossa ambição é consolidar a iNNova TV como uma das principais plataformas AVOD do Brasil. Para isso, queremos ampliar o catálogo e a oferta de canais ao vivo, expandir a presença em dispositivos e desenvolver as ferramentas de interação e monetização”, afirma o CEO.
A empresa avalia expandir sua atuação para outros mercados da América Latina e de países de língua portuguesa, mas condiciona os próximos passos à análise do público, das parcerias de conteúdo e das condições operacionais de cada país. A prioridade, neste momento, é consolidar sua presença no Brasil antes de avançar internacionalmente.
