Com US$ 165 milhões a mais, WEG (WEGE3) acelera produção de geradores para data centers
Investimentos reforçam aposta da companhia em negócios ligados à expansão da infraestrutura de energia

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A multinacional fabricante de equipamentos elétricos WEG anunciou, entre sexta-feira, 25, e segunda-feira, 28, novos investimentos em baterias e geradores para atender à expansão de data centers e redes elétricas. BTG Pactual, Ativa Investimentos e Citi veem potencial de crescimento nos projetos, embora o impacto sobre os resultados deva ocorrer de forma gradual.
A WEG (WEGE3) não esperava o ritmo que os data centers imprimiriam ao negócio de geradores. "Não imaginávamos que teria esse boom", afirmou Alberto Kuba, CEO da companhia, em entrevista para a edição 2026 do prêmio Maiores e Melhores, da Revista EXAME. Segundo o executivo, a demanda pelo equipamento ganhou força com a expansão dos data centers, que precisam de grupos geradores para garantir o fornecimento de energia em caso de interrupções.
E a reação da companhia a esse movimento vem aparecendo cada vez mais nos investimentos.Na última sexta-feira, 25, a multinacional que fabrica equipamentos elétricos anunciou a ampliação da fábrica de baterias em Santa Catarina e, três dias depois, na segunda, 28, divulgou um investimento de US$ 165 milhões, cerca de R$ 869 milhões, para aumentar a produção de geradores na América do Norte.
Os dois movimentos colocam a WEG em uma frente que combina geração, armazenamento e infraestrutura elétrica — e que ganhou força com o avanço dos data centers e a necessidade de redes mais robustas.
Para o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), Ativa Investimentos e Citi, os movimentos colocam a WEG em segmentos que podem sustentar o crescimento da companhia nos próximos anos, embora os efeitos dos novos investimentos sobre os resultados devam aparecer de forma gradual.
No caso da iniciativa para ampliar a capacidade de produção de geradores na América do Norte, o projeto será dividido em duas fases e foi anunciado com foco na crescente demanda por soluções de geração de energia para aplicações críticas nos Estados Unidos, especialmente para atender à expansão dosdata centers.
A primeira fase receberá US$ 24 milhões para a aquisição e adequação de um prédio industrial próximo ao atual Parque Industrial Quma I, em Atotonilco de Tula, no México. A unidade será destinada à montagem de geradores e tem início de operação previsto para o segundo trimestre de 2027.
Na segunda etapa, a WEG pretende investir US$ 141 milhões na construção de duas novas instalações industriais, em local ainda a ser definido na América do Norte. A estrutura terá produção verticalizada, incluindo a fabricação de lâminas, bobinas de baixa e média tensão, eixos e carcaças.
Com a conclusão da segunda fase, prevista para 2030, a capacidade global da WEG para fabricar geradores deverá passar das atuais 10 unidades por dia para cerca de 50. A produção será distribuída entre as fábricas da companhia no México, EUA, Brasil e China.
O movimento amplia uma operação que já vem se beneficiando da expansão dos data centers. "O negócio de alternadores, sob a marca Marathon, tem apresentado um forte desempenho, apoiado pela robusta demanda por energia de reserva por parte dos data centers", escreveu o BTG em relatório nesta terça-feira, 29.
Para o banco, o novo investimento aumenta a capacidade da WEG de atender a uma demanda que tende a exigir cada vez mais equipamentos para garantir o fornecimento de energia. O BTG considera o anúncio positivo e afirma que a expansão cria uma plataforma para o crescimento do negócio de geração de energia da companhia na América do Norte no médio prazo.
O banco, porém, ressalta que o investimento não deve trazer uma contribuição relevante para o lucro imediatamente. Mas ressalta que "embora os gastos de capital iniciais impliquem uma contribuição limitada para os lucros no curto prazo, a adição de capacidade deve proporcionar uma plataforma para um maior crescimento dos negócios de geração de energia da WEG na América do Norte no médio prazo", afirmou.
"A WEG realizará seu Investor Day nesta semana, onde esperamos mais detalhes sobre sua estratégia para aproveitar as oportunidades de crescimento no mercado norte-americano", acrescentou o banco sobre o evento que ocorre nesta sexta-feira, 2.
BESS vira outra frente de crescimento
O investimento em geradores veio três dias depois de outro anúncio relacionado à infraestrutura de energia. Na sexta-feira, 25, a WEG ampliou o projeto de sua fábrica de sistemas de armazenamento de energia em baterias, os BESS, em Itajaí, no litoral norte catarinense.
O investimento previsto para a unidade passou de R$ 280 milhões para R$ 330 milhões, enquanto a capacidade anual de produção foi dobrada, de 2 para 4 gigawatts-hora (GWh). O início das operações está previsto para o segundo semestre de 2027.A expansão ocorre às vésperas do primeiro leilão de armazenamento de energia do país, previsto para dezembro de 2026. A expectativa é de crescimento da demanda por baterias para integrar fontes renováveis, como solar e eólica, ao sistema elétrico. Na avaliação da Ativa Investimentos, há aí uma oportunidade para a WEG.
"Como temos discutido, as iniciativas de BESS e o crescimento de data centers são os principais gatilhos para destravar valor para a companhia", disse o analista da casa, Lucas Dias.
O Citi também coloca os dois anúncios dentro de uma mesma tese. Para o banco, geradores para data centers e sistemas de armazenamento aumentam a exposição da WEG a dois segmentos ligados à expansão da infraestrutura energética.
No caso dos geradores, o Citi destaca que a capacidade global da companhia deverá passar de 10 para 50 unidades por dia após a conclusão do projeto em 2030. Já no BESS, chama atenção para a velocidade da expansão: em sete meses, a WEG dobrou a capacidade planejada da fábrica e aumentou o investimento em R$ 50 milhões.
"Essa rápida expansão destaca a confiança no mercado emergente de armazenamento de energia do Brasil e fortalece ainda mais o posicionamento da WEG em um segmento-chave da cadeia de valor da transição energética. O início das operações está previsto para o segundo semestre de 2027", afirmou o Citi.
WEG vê oportunidade além dos geradores
A própria companhia vê os data centers como uma oportunidade que vai muito além dos geradores. Em entrevista à EXAME, Kuba, CEO da WEG, afirmou que a empresa consegue fornecer diferentes equipamentos necessários para a operação desses empreendimentos.
"O data center tem produtos que a WEG tem em todas as verticais, vai transformador, gerador, motores para refrigeração e para ventilação e bomba", disse o executivo. A companhia ficou emprimeiro lugar na categoria bens de capital.Segundo Kuba, dois movimentos estão aumentando a demanda por esses equipamentos: a eletrificação, que eleva o consumo de energia, e o avanço da inteligência artificial, que impulsiona a construção de novos data centers. "Fora isso, tem um ponto, eu diria um segmento super forte, que está crescendo bastante no Brasil, que é o segmento de eletrificação de frota", afirmou.
Mas, entre as diferentes frentes citadas pelo executivo, os geradores ganharam destaque. Segundo Kuba, a demanda pelo produto surpreendeu a própria companhia. "Não imaginavámos que teria esse boom, mas temos hoje um volume muito grande do negócio de geradores acontecendo, porque todo data center precisa ter um grupo gerador associado", disse.
Citi mantém recomendação neutra para ações
Para o Citi, porém, o potencial desses negócios precisa ser analisado junto com o preço das ações. O banco mantém recomendação neutra para WEG e calcula preço-alvo de R$ 49, enquanto a ação estava em R$ 51,07 em 25 de setembro. A instituição também observa que os mercados em que a WEG atua são competitivos e sujeitos a ciclos econômicos.
Já o BTG Pactual mantém recomendação de comprapara a WEG, com preço-alvo de R$ 65 em 12 meses, e avalia que a expansão dos negócios de geração de energia pode sustentar o crescimento da companhia no médio e longo prazo. A Ativa Investimentos também tem visão positiva com preço-alvo em R$ 63.
"Como temos discutido, as iniciativas de BESS e o crescimento de data centers são os principais gatilhos para destravar valor para a companhia, e este anúncio reforça nossa recente elevação de recomendação de WEGE3 para Compra", afirmou.
