Com US$ 5 milhões, gigante brasileira inicia operação no México e mira R$ 2,5 bilhões em receita
Companhia criada em Guarulhos, São Paulo, também começou a operar nos Estados Unidos e prepara entrada na Colômbia em 2027 levando eletrônicos até a casa do cliente

A brasileira Up2tech, especializada na distribuição de produtos de tecnologia e eletrônicos, está acelerando sua expansão internacional. A companhia investiu US$ 5 milhões para iniciar suas operações no México, mercado no qual pretende alcançar um faturamento de US$ 30 milhões em 2027.
A estratégia faz parte de um plano de crescimento que também inclui os Estados Unidos, onde a empresa iniciou uma operação neste ano, e a Colômbia, país que poderá receber uma unidade no segundo semestre de 2027.
Em entrevista exclusiva à EXAME, Rodrigo Abreu, CEO da Up2tech, conhecido como Kalu, afirma que a internacionalização acompanha o avanço dos negócios no Brasil. A companhia projeta encerrar 2026 com faturamento de R$ 2,5 bilhões e alcançar R$ 3,5 bilhões em 2027.
"O México tem um potencial enorme para o nosso trabalho, que é eletrônicos. Estamos levando o serviço premium que prestamos aqui no Brasil para o consumidor mexicano", afirma Abreu.
Rodrigo Abreu, CEO da Up2tech: "O México hoje está três anos atrás do nosso mercado de e-commerce" (Up2tech/Divulgação)
Rumo aos R$ 3,5 bilhões: a origem e os planos da Up2tech
De Guarulhos, na Grande São Paulo, para o mercado internacional. A Up2tech construiu sua trajetória no setor de distribuição de produtos de tecnologia, inicialmente com foco no atendimento a empresas.
Na prática, a companhia atua como intermediária entre fabricantes de eletrônicos, grandes varejistas e consumidores. A empresa comercializa produtos de marcas como LG, PlayStation e Nintendo, abastece redes varejistas e também vende diretamente ao consumidor por meio de marketplaces como Mercado Livre e Magazine Luiza.
A operação funciona em duas frentes: na primeira, a Up2tech fornece produtos para outras empresas revenderem. Na segunda, vende os eletrônicos diretamente ao consumidor final, utilizando plataformas digitais e parceiros logísticos responsáveis pelo armazenamento e pela entrega das mercadorias.
A diversificação dos canais de venda, segundo Abreu, foi decisiva para a empresa alcançar R$ 1,5 bilhão em faturamento em 2025. Agora, a meta é chegar a R$ 3,5 bilhões em 2027.
Somente em 2026, a empresa já entregou mais de 1 milhão de produtos no Brasil, com tíquete médio de aproximadamente R$ 1.700.
“Já vendemos mais de 100 mil televisores neste ano por causa da Copa do Mundo e esperamos comercializar um volume expressivo durante a Black Friday e o período de festas”, afirma o CEO.
A empresa até então estava focada nas vendas de televisores, monitores, computadores e videogames, mas para 2027, uma das principais apostas será a entrada mais agressiva no mercado de smartphones.
"É um mercado de margens muito baixas, muito competitivo. Optamos por começar devagar este ano e acelerar no próximo, com linhas de crédito bem definidas com os fornecedores", afirma Abreu.
A companhia negocia com fabricantes como Samsung e Motorola e pretende ampliar sua participação em uma categoria que ainda representa uma parcela pequena de suas vendas.
A expectativa é que os celulares acrescentem R$ 1 bilhão ao faturamento em 2027, ajudando a empresa a alcançar a meta de R$ 3,5 bilhões em receita.
"Vamos focar em um crescimento de R$ 1 bilhão de faturamento somente em celular", afirma o executivo.
Empresa amplia centros de distribuição e contrata funcionários
Para sustentar o crescimento, a Up2tech também ampliou sua estrutura operacional no Brasil.
A companhia abriu um centro de distribuição de aproximadamente 5 mil metros quadrados em Serra, no Espírito Santo, e expandiu o CD de Barueri, na região metropolitana de São Paulo, de cerca de 6 mil para 10 mil metros quadrados.
A expectativa é que essa segunda operação alcance cerca de 13 mil metros quadrados.
Apesar da expansão, a companhia mantém um modelo de negócios conhecido como asset-light, no qual a operação logística é terceirizada.
A DHL é uma das principais parceiras logísticas da Up2tech, responsável por serviços de armazenagem e distribuição de produtos. A parceria também acompanha a expansão internacional da companhia, incluindo a estruturação da operação no México.
"A nossa logística é 100% terceirizada", afirma Abreu.
O número de funcionários próprios também cresceu, passando de 45 para 110, segundo o executivo, que investiu na contratação de profissionais para fortalecer áreas como marketing, operações e gestão.
Já a estrutura logística terceirizada pode envolver até 180 profissionais em três turnos de trabalho.
CD da Up2tech em Barueri, SP: centro de distribuição aumentou de 6 mil para 10 mil metros quadrados (Up2tech/Divulgação)
Por que o México?
O México foi escolhido como uma das prioridades pela combinação entre o potencial de crescimento do comércio eletrônico, o consumo de produtos de tecnologia e as oportunidades de distribuição de marcas internacionais.
"O México hoje está três anos atrás do nosso mercado de e-commerce", afirma Abreu, ao explicar por que considera o país uma oportunidade para replicar o modelo de negócios desenvolvido no Brasil.
Após um estudo de mercado realizado no ano anterior, a operação mexicana começou neste mês. Segundo o CEO, o processo exigiu a abertura de uma empresa local, a estruturação financeira e a adaptação às regras de importação e distribuição.
Dos US$ 5 milhões investidos, parte foi destinada à documentação necessária para importação e exportação, à estruturação de um centro de distribuição em parceria com a DHL, à contratação de pessoal e à formação de capital de giro.
Um dos principais desafios foi estabelecer uma operação financeira em um país onde a empresa ainda não possui histórico de crédito.
Abreu conta que a abertura de uma conta bancária no Santander levou mais de três meses. Sem acesso imediato às mesmas condições de financiamento disponíveis no Brasil, a companhia precisou utilizar recursos próprios para iniciar as atividades.
O executivo também conta as diferenças entre os hábitos de consumo dos mexicanos e dos brasileiros.
“No México, parte dos consumidores ainda utiliza dinheiro em espécie para pagar compras feitas pela internet, inclusive por meio de estabelecimentos físicos que recebem esses pagamentos”, afirma o CEO.
Para a Up2tech, isso exige uma operação adaptada às particularidades do mercado local.
Quais produtos a brasileira vai vender e transportar no México?
A Up2tech iniciou sua expansão mexicana com foco em notebooks, monitores, tablets e celulares.
Entre os parceiros comerciais citados pelo CEO estão HP e Positivo, além de negociações com outras marcas internacionais.
A empresa também mantém conversas para ampliar o portfólio de produtos oferecidos no país.
No Brasil, videogames representam aproximadamente 30% a 35% dos negócios da companhia, principalmente por meio de produtos das marcas PlayStation e Nintendo.
No México, porém, a estratégia inicial será diferente. Segundo Abreu, a empresa decidiu priorizar outras categorias, como notebooks, monitores, tablets e celulares, diante das oscilações de preços e das dificuldades de abastecimento de consoles.
“A expectativa é ampliar gradualmente a operação conforme a companhia desenvolva sua estrutura comercial e logística no país”, diz o CEO.
O potencial do mercado mexicano também sustenta uma projeção mais ambiciosa para os próximos anos. O CEO estima que, em um horizonte de três anos, a operação mexicana possa atingir um faturamento equivalente a cerca de 70% do registrado pela companhia no Brasil.
Veja também: Gigante italiana investe R$ 45 milhões em centro de distribuição e projeta dobrar produção no Brasil
Estados Unidos entram na estratégia de expansão – e logo mais a Colômbia
Além do México, a Up2tech iniciou também em 2026 uma operação em San Antônio, no Texas, nos Estados Unidos.
Diferentemente da operação mexicana, o objetivo inicial da estrutura americana é funcionar como uma base de distribuição internacional.
Por meio de uma parceria com o Mercado Livre, a companhia pretende comercializar produtos a consumidores de dez países da América Latina, incluindo o Brasil.
Nesse modelo, os produtos são enviados a uma estrutura logística nos Estados Unidos e, posteriormente, comercializados por meio da plataforma. Segundo o CEO, o Mercado Livre fica responsável pelos processos tributários de exportação e importação envolvidos nas vendas.
A expectativa da Up2tech é faturar aproximadamente US$ 5 milhões com a operação americana em 2027.
A Colômbia entrou também no plano de expansão da companhia.
"O Mercado Livre nos demandou para abrir a Colômbia também, estamos avaliando", afirma Abreu.
A previsão é estudar a abertura de uma estrutura no país no segundo semestre de 2027.
Por enquanto, a Europa não está entre as prioridades imediatas, embora o executivo afirme que a empresa já recebeu consultas sobre oportunidades naquele mercado.
Aquisições e fusões estão no radar
Além do crescimento orgânico, a Up2tech avalia oportunidades de aquisições no mercado brasileiro.
Abreu afirma que a companhia chegou a negociar uma operação envolvendo uma concorrente listada em bolsa, mas as conversas não avançaram até a conclusão do negócio.
O executivo também revela que recebeu uma proposta de fusão de um grupo americano, que envolveria uma combinação de recursos financeiros e ações negociadas na Nasdaq.
A decisão, porém, foi adiar uma eventual transação enquanto a empresa consolida seus resultados e sua estrutura de governança.
A companhia passou a trabalhar com demonstrações financeiras auditadas pela BDO e reforçou seus processos internos de gestão.
"Estamos abertos tanto a comprar uma empresa no Brasil quanto a nos juntar a grandes grupos internacionais", afirma o CEO.
A expectativa com o Black Friday e o final de ano
No curto prazo, a expectativa da Up2tech está concentrada na Black Friday. Segundo Abreu, o período de promoções é um dos mais importantes do calendário da empresa, especialmente para categorias como televisores, videogames e computadores.
A companhia trabalha com duas frentes: a distribuição de produtos para grandes clientes que se preparam para as promoções e as vendas diretas ao consumidor final.
Em meses regulares, a operação de comércio eletrônico registra faturamento entre R$ 160 milhões e R$ 200 milhões, segundo o CEO.
Para a Black Friday, a projeção é alcançar aproximadamente R$ 350 milhões em vendas.
Mesmo diante das incertezas econômicas, Abreu afirma estar otimista com o desempenho da empresa em 2027.
“A gente trabalha muito com o desejo de consumo. Com pessoas de 35 ou 40 anos que sonham em comprar um PlayStation para jogar com os filhos ou que querem trocar de iPhone. Por isso, seguimos otimistas e fazendo planos para o próximo ano dentro e fora do Brasil”, afirma.
O que é o ranking Negócios em Expansão
O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).
O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.
Em 2026, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2025.
São 491 empresas que criam produtos e soluções inovadoras, conquistam mercados e empregam milhares de brasileiros.
